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A Umbanda é uma religião tipicamente brasileira. Na verdade,
pode-se dizer que ela não existe em nenhuma outra parte do mundo. Além do
sincretismo clássico entre a herança religiosa africana e o
Catolicismo,
a Umbanda absorveu elementos do
Espiritismo
kardecista, de modo que, no decorrer dos rituais, o fiel se comunica com
espíritos desencarnados.
O sincretismo entre orixás e santos católicos é muito forte.
Veja as principais correspondências:
Euá - Nossa Senhora das Neves.
Iansã - Santa Bárbara.
Ibejis - Cosme e Damião.
Iemanjá - Virgem Maria, principalmente Nossa Senhora da Conceição e Nossa
Senhora dos Navegantes.
Logum - São Miguel Arcanjo e Santo Expedito.
Nanã -Santa Ana, mãe de Maria.
Obá - Santa Catarina, Santa Joana D´Arc e Santa Marta.
Obaluaiê - São Lázaro e São Roque.
Ogum- Santo Antonio e São Jorge.
Oxalá- Jesus.
Oxóssi - São Jorge e São Sebastião.
Oxum - Nossa Senhora das Candeias e Nossa Senhora Aparecida.
Oxumaré- São Bartolomeu.
Xangô - São Francisco de Assis, São Jerônimo, São João Batista e São
Pedro.
As práticas existentes dentro dos terreiros de Umbanda variam
muito. Alguns demonstram uma ligação mais forte com o
Espiritismo,
outros se aproximam mais do
Candomblé. Em
comum, têm a força dos rituais, denominados giras, em que os filhos e
filhas-de-santo entoam cânticos e dançam ao som dos atabaques. As cerimônias
geralmente acontecem à noite e se estendem madrugada adentro. Os espíritos que
"descem" incorporam-se nos fiéis que estão participando da gira.
Aqueles que "recebem" os espíritos são chamados de cavalos.
Durante a incorporação, o "cavalo" permanece inconsciente, e quem fala através
dele é seu "guia", ou seja, a entidade espiritual a ele associada. Para auxiliar
os cavalos, existem os cambonos, que ocupam papel relevante na hierarquia do
terreiro. Mas a posição mais elevada cabe à mãe ou ao pai-de-santo, que é a
pessoa responsável pelos trabalhos espirituais.
Nos terreiros umbandistas, o ponto focal é o congá, altar
profusamente enfeitado com flores, velas acesas e colares de contas coloridas,
que simbolizam os diferentes santos e orixás. No congá, imagens de Jesus, Nossa
Senhora e santos católicos dividem espaço com estatuetas de pretos-velhos,
caboclos, ciganos, marinheiros e outras entidades espirituais.
A hierarquia do terreiro
Babalorixás (Babalaô, quando homem, e Ialorixá, quando
mulher)- São os dirigentes.
Zeladores (jibonã e sidagã) - Auxiliam os dirigentes.
Ogã e Sambas - Tocam os atabaques e observam a disciplina.
Pais e Mães-Pequenas (Baba Mindim) - Assistentes do dirigente. Em geral,
ajudam no trabalho de desenvolvimento da mediunidade dos filhos de fé.
Cambonos e coroados (feitos e / ou confirmados) - Prestam assistência aos
cavalos, durante a gira.
Filhos de fé (aceitos) -São aqueles que se preparam para entrar em
desenvolvimento.
Filhos de fé (em observação) - Freqüentam os trabalhos para o
desenvolvimento de seus dons mediúnicos.
As sete linhas da Umbanda
A Umbanda se divide em sete linhas, ou "bandas", sendo que
cada uma delas é consagrada a um orixá. Cada uma dessas divindades, por sua vez,
comanda sete falanges.
Uma dessas falanges corresponde à vibração original do orixá
(por exemplo: linha de Ogum). As outras seis falanges do orixá significam o
cruzamento da energia original do orixá com as dos outros seis orixás (exemplo:
a linha de Ogum Beira-Mar é o cruzamento da linha de Ogum com a de Iemanjá).
Temos assim um total de 49 falanges.
Como o orixá nunca incorpora no ritual da Umbanda, a função
das entidades pertencentes às falanges é justamente descer à Terra e executar o
trabalho ordenado pelo orixá. Elas são portadoras da força da divindade.
Existe ainda uma outra subdivisão, que diz respeito à faixa
etária das entidades. Desse modo, temos as crianças, os adultos e os velhos. Por
exemplo: podemos ter uma criança de Xangô, um Caboclo de Oxóssi e um Preto Velho
de Oxalá.
Os orixás que comandam as falanges são Iansã, Iemanjá, Ogum,
Oxalá, Oxóssi, Oxum e Xangô.
Veja mais sobre os orixás e as entidades que integram as
falanges da Umbanda:
Oxalá
Cor: Branca
Domínios: Todos os campos da natureza.
Oxóssi
Cor: Vermelha
Domínio: As matas.
Xangô
Cor: Marrom
Domínio: As pedras.
Ogum
Cor: Verde
Domínio: As estradas.
Iemanjá
Cores: Rosa e branco cristalino
Domínio: O mar e as águas em geral.
Oxum
Cor: Azul
Domínio: As águas doces.
Iansã
Cor: Amarela
Domínios: Ventos e Tempestades.
Nanã
Cor: Lilás
Domínio: Lama.
Obaluaiê
Cores: Preto e branco
Domínio: As cavernas.
Oxumaré
Cor: Azul claro
Domínio: As chuvas leves.
Tempo
Cor: Branco perolado
Domínio: As montanhas.
Exu
Cores: Preto e Vermelho
Domínio: Os descampados.
Pomba-gira
Cores: Preto e Vermelho
Domínio: Os descampados.
Exu-mirim
Cores: Preto e vermelho
Domínio: Os descampados.
Marinheiro
Cores: Azul e branco
Domínio: As emoções.
Boiadeiro
Cores: Marrom e Vermelho
Domínio: A força bruta.
Cigano
Cores: Todas do arco-íris
Domínio: A liberdade.
Baiano
Cores: Variadas
Domínios: A esperança e a coragem.
Caboclo
Cor: Verde
Domínio: A simplicidade.
Preto-Velho
Cor: Branco
Domínio: A sabedoria.
Criança
Cores: Variadas
Domínio: A pureza.
Observação: Essas correspondências, embora sejam as mais
difundidas, podem sofrer variações em diferentes terreiros.
Oferendas
Quando as entidades que compõem as diferentes falanges estão
incorporadas, elas se prestam a aconselhar seus consulentes e a realizar alguns
rituais. Nestas ocasiões, utilizam-se dos quatro elementos básicos da Natureza -
ou seja, Ar, Terra, Fogo e Água.
É por isso que, muitas vezes, essas entidades solicitam
cigarros, bebidas, alimentos. Cada item pedido corresponde a determinados
elementos naturais. Veja os exemplos:
Água e bebidas não-alcoólicas: Servem para a cura, pois
simbolizam a força, o remédio e o poder gerador.
Bebidas alcoólicas: Pertencem ao elemento Fogo e permitem
transmutar as energias.
Cachimbo, charuto ou cigarro: Une o Fogo, a Água, a Terra e o
Ar, sintetizando, assim, os elementos de todas as linhas.
Quimbanda, ou as "linhas de esquerda"
Nunca se deve confundir o orixá com as entidades que integram
sua Linha de Força.
A questão mais polêmica, sem sombra de dúvida, cerca o orixá
Exu. Ele é uma força da natureza, imaterial e incorpóreo, como os demais orixás.
Dentro da Umbanda, a Hierarquia deste orixá denomina-se
Quimbanda, recebendo ainda os nomes de Banda dos Exus e Falange dos Exus.
Na Umbanda, entende-se que este orixá e as entidades que
fazem parte de sua falange atuam "à esquerda". Isso, porém, não significa que
sejam de agentes do Mal!
Simplesmente, o orixá Exu - que erroneamente tem sido
associado às forças diabólicas do ideário cristão - é uma força complementar às
Linhas da Direita. Do mesmo modo que homem e mulher são opostos-complementares,
e que tudo no Universo interage e se interpenetra, também as forças da "Direita"
e da "Esquerda" se unem e se completam.
As entidades que constituem a Quimbanda são denominadas Exus,
Pombas-giras e Exus-mirins. Têm missão cármica definida e trabalham no sentido
de evoluir no plano espiritual, exatamente como os integrantes de todas as
outras falanges.
Os Exus são responsáveis pelos trabalhos de proteção, além de
terem energia vitalizadora e promoverem a desagregação de energias maléficas.
Existe ainda um outro papel, muito delicado, que cabe aos integrantes desta
hierarquia: é o de liberar o consciente e o inconsciente do fiel que estiver se
preparando para desenvolver um trabalho mais ativo no terreiro. As entidades de
Quimbanda podem trazer à tona os traumas e os segredos reprimidos -
conscientemente ou não - pelo "filho de fé".
Sendo assim, pode acontecer de os "cavalos" que estejam
incorporando essas entidades de Esquerda usarem linguajar torpe ou adotarem
comportamentos duvidosos. Nestes casos, deve-se entender que aquele não é o
procedimento da entidade em si - na verdade, pode tratar-se de uma "faxina" no
inconsciente do próprio médium.
É bom ressaltar, porém, que a natureza complexa da missão
confiada aos espíritos da Quimbanda os torna bem mais difíceis do que as demais
entidades. Sendo assim, é necessário ter muito Conhecimento e, principalmente,
Discernimento, para lidar com essas forças.
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