Na verdade, as tentativas de se estabelecer contato com os mortos remontam aos
primórdios da civilização humana, mas foi somente na segunda metade do século 19
que o Espiritismo se estruturou como uma doutrina.
O
grande responsável pela codificação dessa crença foi Allan Kardec, autor de
Livre des Esprits (O Livro dos Espíritos), lançado em 1853. O nome verdadeiro de
Kardec era Léon Hippolyte Denizard Rivail (1804-1869). Juntamente com outros
estudiosos do tema, dentre os quais se destacaram os teóricos Camille Flammarion,
Frederick Myers, Andrew Jackson Davies e Charles Richet, ele elaborou os
princípios fundamentais do Espiritismo, que são:
1. A existência de Deus
Deus é a inteligência cósmica, criadora do Universo e responsável pelo seu
equilíbrio.
2. A existência da Alma
A alma é imortal e está envolvida por um corpo espiritual, denominado
perispírito. Após a morte, o perispírito conserva as lembranças das experiências
terrenas.
3. A existência da Reencarnação
A Reencarnação é o processo pelo qual o espírito evolui moral e
intelectualmente. Em vidas sucessivas, ocupando diferentes corpos materiais, ele
se aprimora e se redime de seus erros.
4. Metempsicose [do
grego: meta= mudança + en= em + psukê= alma]
I. Transmigração da alma de um corpo para outro.
II. Doutrina filosófica de origem indiana, transportada para o Egito, de onde
mais tarde Pitágoras a importou para a Grécia. Os discípulos desse filósofo
ensinavam ser possível uma mesma alma, depois de uma período mais ou menos longo
no império dos mortos, voltar a animar outros corpos de homens ou de animais,
até que transcorra o tempo de sua purificação e possa retornar à fonte da vida.
Como se constata, há uma diferença capital entre a metempsicose e a doutrina da
reencarnação: em primeiro lugar, a metempsicose admite a transmigração da alma
para o corpo de animais, o que seria uma degradação; em segundo lugar, esta
transmigração não se opera senão na Terra. Os Espíritos lecionam o contrário,
que a reencarnação é um progresso constante, que o homem é um ser cuja alma nada
tem de comum com a dos animais, que as diferentes existências podem realizar-se,
quer na Terra, quer, por uma lei progressiva, em mundos de ordem superior, até
que se torne Espírito purificado.
5. A existência da Lei do Carma
É a lei da ação e da reação - ou seja, a cada ação corresponde uma reação.
Assim, nossas atitudes presentes vão determinar os rumos futuros do nosso
espírito, de modo que nós somos os responsáveis pelo nosso destino.
O
ciclo evolutivo espírita preconiza que, ao atingir um determinado grau de
aperfeiçoamento, o espírito não precisará mais reencarnar, podendo então gozar
as delícias da vida eterna. A prática da caridade é muito incentivada pelos
espíritas, pois eles acreditam que, por meio dela, semeamos carmas positivos e
nos aproximamos da perfeição.
A
primeira sessão espírita no Brasil aconteceu em 17 de setembro de 1865, em
Salvador, capital da Bahia.
Os espíritos estão divididos em três grandes categorias, que por sua vez se
subdividem em dez classes, a saber:
1. Espíritos Imperfeitos
Essa categoria inclui os "espíritos impuros", os "espíritos levianos", os
"espíritos pseudo-sábios" (que semeiam enganos), os "espíritos neutros" e os
"espíritos perturbadores" (também chamados de "brincalhões").
2. Espíritos Bons
Aqui estão incluídos os "espíritos benévolos", os "espíritos sábios", os
"espíritos de sabedoria" e os "espíritos superiores".
3. Espíritos Puros
Pertencem a uma categoria única. Desta classe, fazem parte os grandes mestres da
Humanidade.
Conheça algumas expressões-chaves da Doutrina Espírita:
Ectoplasma:Substância de origem psíquica que emana do corpo do médium.
Pode ser visível para quem tem o dom da vidência. É por meio dessa substância
que os espíritos operam no mundo material.
Guias:No Espiritismo, existem os "guias" ou "espíritos de luz", que
estão num estágio de aperfeiçoamento bastante avançado. Eles nos trazem
conselhos e orientações de ordem material. Pertencem à classe dos "espíritos
bons".
Incorporação: Faculdade mediúnica em que o espírito desencarnado ocupa
momentaneamente o corpo do médium, valendo-se desse recurso para desempenhar seu
trabalho no mundo dos vivos.
Materialização: Corporificação, total ou parcial, do espírito
desencarnado. Ocorre quando o ectoplasma se condensa. É o que acontece, por
exemplo, quando o espírito de alguém que já faleceu torna-se momentaneamente
visível.
Mediunidade: Faculdade latente em todos os indivíduos, que permite a uma
pessoa servir de canal de comunicação ou manifestação para os espíritos
desencarnados. A mediunidade se divide em duas principais categorias: a
mediunidade física, da qual fazem parte a capacidade de materialização e a
incorporação de espíritos de médicos, dentre outras manifestações; e a
mediunidade intelectual, que inclui a Psicografia, por exemplo.
Psicografia: Faculdade manifestada por alguns médiuns, que escrevem
mensagens enviadas pelos espíritos desencarnados. Durante o processo, o médium
não tem consciência do que está escrevendo - em geral, ele permanece com os
olhos fechados -, e as mensagens recebidas costumam apresentar teor elucidativo.
É um dos trabalhos mais procurados nos centros espíritas, por pessoas que
perderam entes queridos e que desejam saber como eles estão vivendo no outro
plano. Também existem muitas obras psicografadas na literatura espírita, que
foram "ditadas" pelos espíritos de luz.
Oração: Prece de
Cáritas
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Evangelho Segundo o Espiritismo de Allan Kardec"