|
8.2 – A União de Calmar: Após a morte de Haraldo Hardrada, os povos
Escandinavos que já haviam reduzido suas incursões consideravelmente desde o
início da conversão ao Catolicismo, praticamente as pararam e Noruega, Dinamarca
e Suécia (agora citarei a Suécia porque ela também fez parte da União de Calmar
e porque os Varegues também entraram em declínio na mesma época que os Viking,
cerca de cinqüenta anos antes) limitaram-se a manterem vivas as relações
comercias com as regiões que colonizaram ou dominaram no passado. Entretanto, a Dinamarca começou a exercer certa
preponderância sobre as outra duas, passando a influir diretamente sobre a
Suécia (e consequentemente sobre a Finlândia que, na época, não passava de um
Ducado da Suécia), mas não tão efetivamente sobre a Noruega, que mantivera suas
relações com Islândia e Groenlândia (que aceitou a soberania Norueguesa em 1261,
antes porém, a Noruega já exercia influência cada vez mais forte na região),
apesar de ter perdido em definitivo qualquer poder sobre o Ducado das Órcadas,
que agora obedecia à Escócia e também sobre a sua porção da Irlanda, que em 1170
foi derrotada e em 1171 tomada pelos Ingleses, governados pelos Rei Henrique
II. O glorioso passado Viking e Varegue já era muito
mais distante nas conseqüências do que no tempo, ou seja, os Reinos Escandinavos
estavam resumidos a uma pobreza muito grande, salvo pela Dinamarca que aumentava
cada vez mais seu domínio comercial no Báltico. Entretanto, em 1370, Lübeck
venceu Valdemar IV, Rei da Dinamarca, após uma guerra de nove anos, e
estabeleceu o domínio do comércio no mar Báltico, pela Liga Hanseática
(Federação Comercial de cidades do norte da Alemanha). Valdemar IV era pai de Alberto, Rei da Suécia, e
de Margaret, Rainha Consorte (esposa do Rei, quando quem governa é o Rei) da
Noruega. Pois bem, após sua derrota (a de Valdemar IV).Margaret começou a
pensar numa maneira de restabelecer o poder dos países Escandinavos frente ao
crescente poderio da Liga Hanseática. Nessa mesma época, Alberto, da Suécia, morreu e
quem herdaria seu trono seria Érico, seu neto, uma vez que seu filho havia
morrido. Porém Érico era apenas uma criança, e sua parente mais próxima era a
tia-avó Margaret, agora também Rainha da Dinamarca, depois da morte do pai
Valdemar IV. Aproveitando-se de toda esta confusão nas
sucessões dinásticas dos países Escandinavos, Margaret resolveu convencer todas
as três nobrezas a jurarem lealdade a seu sobrinho-neto Érico. As nobrezas se
reuniram e assinaram, em 1397, o que ficou conhecido como União de Calmar. À
partir dessa data, Suécia (e Finlândia), Dinamarca e Noruega (Islândia e
Groenlândia) estariam unidas sob uma só Monarquia, porém, as leis de cada país
continuariam a ser diferentes.Margaret utilizou os pretextos de que Érico era
uma criança e de que ela era sua parente mais próxima, para governar em seu
lugar (por toda sua vida (vida de Margaret). Sendo assim, a Noruega assumiu a
preponderância na União de Calmar, com Margaret reinando na Suécia e Dinamarca e
seu marido reinando na Noruega. Porém, após a morte de Margaret, em 1412, Érico
assumiu o trono Escandinavo de fato, mas o Rei da Noruega não quis abdicar de
seus privilégios, uma vez que por ser o marido de Margaret, ele além de
continuar governando seu país, ainda governava os outros. Sendo assim, a Noruega
passou a integrar a União apenas no papel, pois de fato não fazia mais parte
dela. O fato de a Noruega não participar efetivamente da
União de Calmar, estimulou a Liga Hanseática, contra a qual a União de Calmar
havia sido criada, a se infiltrar no país, fazendo de Bergen um de seus
principais centros administrativos e assim, sob a proteção Norueguesa, podendo
exercer o comércio no Báltico com muita facilidade. A influência da Liga Hanseática sobre a Noruega e
a recusa desta em integrar de fato a União de Calmar, aceleraram seu
desmantelamento (da União de Calmar), que ocorreu finalmente em 1523. Da
extinção da União de Calmar, surgiram os países Escandinavos da forma que os
conhecemos hoje, exceto a Finlândia, que só conseguiu sua independência total
bem depois, em 1917 (devido a Revolução Russa, pois a Rússia dominava o país
desde 1713, quando o Czar Pedro, o Grande o tomou da Suécia). 8.3 – O Fim da Groenlândia: A Groenlândia nunca foi densamente povoada devido
às suas condições climáticas horríveis. Mesmo assim, havia pelo menos duas
cidades Gardar e Godthaab, além de vilas (ou fazendas), como
Brattahlid. Os Esquimós que habitavam as regiões central e do
norte sempre foram hostis aos Noruegueses, pois os consideravam inimigos. No
entanto, os contatos entre eles eram muito esporádicos devido a distância de
suas povoações. Uma catástrofe da natureza porém, começou a
colocar fim às povoações da Groenlândia, por volta da metade do século XIV. Na
realidade, neste período ocorreu aquilo que os estudiosos chamam de Pequena
Glaciação, ou seja, um período como o Período Glacial, só que com conseqüências
bem mais brandas, talvez devido a um pequeno afastamento da Terra em relação ao
Sol. Essa Pequena Glaciação levou a uma diminuição
brutal das temperaturas em toda a região Ártica, e também nas proximidades dela.
Sendo assim, a vida se tornou quase impraticável no norte de países como a
Groenlândia e os países Escandinavos. O que causou a morte de muitas pessoas e a
migração para o sul, de outras. Como se pode notar no mapa de item 2.1, a chamada
Colônia Ocidental da Groenlândia, cuja capital era Godthaab, localizava-se muito
mais ao norte do que a Colônia Oriental, por isso, a vida lá se tornou muito
difícil, devido ao congelamento da água potável, e até de áreas da água do mar,
próximas a terra. Além disso, a agricultura se tornou impraticável na
região. Como se não bastassem essas duas catástrofes para
destruírem a Colônia Ocidental, a Noruega começou a fazer contatos cada vez mais
esporádicos com a região, em virtude de suas relações com a Liga Hanseática
estarem sendo mais lucrativas do que o pobre comércio que desenvolvia com a
Groenlândia. Os contatos foram se tornando cada vez mais raros, até que se
enceraram por volta de 1370, com a Colônia Ocidental e por volta de 1450, com a
Colônia Oriental, mais próxima da Noruega. Além desta outra tragédia, os Esquimós, que viviam
mais para o centro e para o norte da ilha, começaram a procurar o sul e o
litoral, por serem menos frios. O que os levou por volta de 1390, a destruir com
suas incursões a cidade de Godthaab. Na verdade, eles não destruíram a cidade,
apenas mataram todos os seus habitantes (os poucos que haviam resistido ao frio)
e ocuparam suas casa, que eles consideravam mais quentes do que seus
iglus. As ameaças do frio, do fim do interesse Norueguês
e dos ataques (cada vez mais freqüentes) dos Esquimós, estavam também
atormentando as populações de Gardar e Brattahlid, mas por essa região se situar
mais ao sul e também mais perto da Noruega, ela não só era menos fria como
também mais populosa do que a Colônia Ocidental, sedo assim, é provável que seus
habitantes tenham conseguido sobreviver até por volta de 1510, mas depois disso,
os Esquimós conquistaram totalmente a região, terminando com aquele que havia
sido o mais brilhante esforço colonizador da Era Viking e de toda a Europa na
Idade Média: a Groenlândia. Mas a Groenlândia é conhecida e ocupada (mesmo que
pouco) ainda hoje, então como você pode dizer que sua povoação foi destruída e
extinta em 1510? Bem, é simples, mais tarde, em 1721, um
missionário Dinamarquês chamado Hans Egede, acreditando no que diziam as Sagas
Vikings, escritas por autores Islandeses no século XIV, navegou rumo a
Groenlândia e qual não foi sua surpresa quando constatou que as Histórias eram
verdadeiras, ou seja, que existia de fato a ilha mencionada nas Sagas.Sendo
assim, ele tomou posse do território em nome da Dinamarca e ele pertence a esta
até hoje. A cidade de Godthaab foi encontrada e reconstruída, sendo hoje a
capital da província da Groenlândia, que é também a maior ilha do mundo. |
|
9 – Bibliografia e Fontes Visuais: - CALVINO, João.Sobre o Governo Civil
- GIBSON, Michael.Os Vikings
- LOYN, Henry R.(org): Dicionário da Idade
Média
- LUTERO, Martinho.Sobre a Autoridade
Secular
- McEVEDY, Colin.Atlas da História
Medieval
- PERRUDIN, Françoise.Civilizações
Antigas
- TRIGGS, Tony D..Os Saxões Vários. Grande Enciclopédia Delta Larousse Revista Veja de abril de 2000 Além da Bibliografia acima citada, ainda
utilizei-me de diversos sites em Português e Inglês sobre Vikings e o Ásatrú.
Para encontrar tais sites, basta ir aos sites de busca e procurar por Vikings,
Viking, Vinland, Asatru, Noruega, Dinamarca, Idade Média, Medieval Age... Imagens: Gibson, Michael: "Os Vikings", Melhoramentos, Col.
Povos do Passado, São Paulo, 1989 Loyn,
H.R.(org): "Dicionário da Idade Média", Jorge Zahar, RJ, 1997 Mcevedy, Colin: "Atlas de História Medieval", Vebo, São
Paulo, 1990 Perrudin, Françoise:
"Civilizações Antigas", Fleurus, Lisboa, 1999 Triggs, Tony D.: "Os Saxões", Melhoramentos, Col.Povos do
Passado, São Paulo, 1996
|