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OS VIKINGS

Danilo José Figueiredo - danilo_jose_figueiredo@hotmail.com
3º Semestre - História/USP

8.2 – A União de Calmar:

Após a morte de Haraldo Hardrada, os povos Escandinavos que já haviam reduzido suas incursões consideravelmente desde o início da conversão ao Catolicismo, praticamente as pararam e Noruega, Dinamarca e Suécia (agora citarei a Suécia porque ela também fez parte da União de Calmar e porque os Varegues também entraram em declínio na mesma época que os Viking, cerca de cinqüenta anos antes) limitaram-se a manterem vivas as relações comercias com as regiões que colonizaram ou dominaram no passado.

Entretanto, a Dinamarca começou a exercer certa preponderância sobre as outra duas, passando a influir diretamente sobre a Suécia (e consequentemente sobre a Finlândia que, na época, não passava de um Ducado da Suécia), mas não tão efetivamente sobre a Noruega, que mantivera suas relações com Islândia e Groenlândia (que aceitou a soberania Norueguesa em 1261, antes porém, a Noruega já exercia influência cada vez mais forte na região), apesar de ter perdido em definitivo qualquer poder sobre o Ducado das Órcadas, que agora obedecia à Escócia e também sobre a sua porção da Irlanda, que em 1170 foi derrotada e em 1171 tomada pelos Ingleses, governados pelos Rei Henrique II.

O glorioso passado Viking e Varegue já era muito mais distante nas conseqüências do que no tempo, ou seja, os Reinos Escandinavos estavam resumidos a uma pobreza muito grande, salvo pela Dinamarca que aumentava cada vez mais seu domínio comercial no Báltico. Entretanto, em 1370, Lübeck venceu Valdemar IV, Rei da Dinamarca, após uma guerra de nove anos, e estabeleceu o domínio do comércio no mar Báltico, pela Liga Hanseática (Federação Comercial de cidades do norte da Alemanha).

Valdemar IV era pai de Alberto, Rei da Suécia, e de Margaret, Rainha Consorte (esposa do Rei, quando quem governa é o Rei) da Noruega. Pois bem, após sua derrota (a de Valdemar IV).Margaret começou a pensar numa maneira de restabelecer o poder dos países Escandinavos frente ao crescente poderio da Liga Hanseática.

Nessa mesma época, Alberto, da Suécia, morreu e quem herdaria seu trono seria Érico, seu neto, uma vez que seu filho havia morrido. Porém Érico era apenas uma criança, e sua parente mais próxima era a tia-avó Margaret, agora também Rainha da Dinamarca, depois da morte do pai Valdemar IV.

Aproveitando-se de toda esta confusão nas sucessões dinásticas dos países Escandinavos, Margaret resolveu convencer todas as três nobrezas a jurarem lealdade a seu sobrinho-neto Érico. As nobrezas se reuniram e assinaram, em 1397, o que ficou conhecido como União de Calmar. À partir dessa data, Suécia (e Finlândia), Dinamarca e Noruega (Islândia e Groenlândia) estariam unidas sob uma só Monarquia, porém, as leis de cada país continuariam a ser diferentes.Margaret utilizou os pretextos de que Érico era uma criança e de que ela era sua parente mais próxima, para governar em seu lugar (por toda sua vida (vida de Margaret). Sendo assim, a Noruega assumiu a preponderância na União de Calmar, com Margaret reinando na Suécia e Dinamarca e seu marido reinando na Noruega. Porém, após a morte de Margaret, em 1412, Érico assumiu o trono Escandinavo de fato, mas o Rei da Noruega não quis abdicar de seus privilégios, uma vez que por ser o marido de Margaret, ele além de continuar governando seu país, ainda governava os outros. Sendo assim, a Noruega passou a integrar a União apenas no papel, pois de fato não fazia mais parte dela.

O fato de a Noruega não participar efetivamente da União de Calmar, estimulou a Liga Hanseática, contra a qual a União de Calmar havia sido criada, a se infiltrar no país, fazendo de Bergen um de seus principais centros administrativos e assim, sob a proteção Norueguesa, podendo exercer o comércio no Báltico com muita facilidade.

A influência da Liga Hanseática sobre a Noruega e a recusa desta em integrar de fato a União de Calmar, aceleraram seu desmantelamento (da União de Calmar), que ocorreu finalmente em 1523. Da extinção da União de Calmar, surgiram os países Escandinavos da forma que os conhecemos hoje, exceto a Finlândia, que só conseguiu sua independência total bem depois, em 1917 (devido a Revolução Russa, pois a Rússia dominava o país desde 1713, quando o Czar Pedro, o Grande o tomou da Suécia).

8.3 – O Fim da Groenlândia:

A Groenlândia nunca foi densamente povoada devido às suas condições climáticas horríveis. Mesmo assim, havia pelo menos duas cidades Gardar e Godthaab, além de vilas (ou fazendas), como Brattahlid.

Os Esquimós que habitavam as regiões central e do norte sempre foram hostis aos Noruegueses, pois os consideravam inimigos. No entanto, os contatos entre eles eram muito esporádicos devido a distância de suas povoações.

Uma catástrofe da natureza porém, começou a colocar fim às povoações da Groenlândia, por volta da metade do século XIV. Na realidade, neste período ocorreu aquilo que os estudiosos chamam de Pequena Glaciação, ou seja, um período como o Período Glacial, só que com conseqüências bem mais brandas, talvez devido a um pequeno afastamento da Terra em relação ao Sol.

Essa Pequena Glaciação levou a uma diminuição brutal das temperaturas em toda a região Ártica, e também nas proximidades dela. Sendo assim, a vida se tornou quase impraticável no norte de países como a Groenlândia e os países Escandinavos. O que causou a morte de muitas pessoas e a migração para o sul, de outras.

Como se pode notar no mapa de item 2.1, a chamada Colônia Ocidental da Groenlândia, cuja capital era Godthaab, localizava-se muito mais ao norte do que a Colônia Oriental, por isso, a vida lá se tornou muito difícil, devido ao congelamento da água potável, e até de áreas da água do mar, próximas a terra. Além disso, a agricultura se tornou impraticável na região.

Como se não bastassem essas duas catástrofes para destruírem a Colônia Ocidental, a Noruega começou a fazer contatos cada vez mais esporádicos com a região, em virtude de suas relações com a Liga Hanseática estarem sendo mais lucrativas do que o pobre comércio que desenvolvia com a Groenlândia. Os contatos foram se tornando cada vez mais raros, até que se enceraram por volta de 1370, com a Colônia Ocidental e por volta de 1450, com a Colônia Oriental, mais próxima da Noruega.

Além desta outra tragédia, os Esquimós, que viviam mais para o centro e para o norte da ilha, começaram a procurar o sul e o litoral, por serem menos frios. O que os levou por volta de 1390, a destruir com suas incursões a cidade de Godthaab. Na verdade, eles não destruíram a cidade, apenas mataram todos os seus habitantes (os poucos que haviam resistido ao frio) e ocuparam suas casa, que eles consideravam mais quentes do que seus iglus.

As ameaças do frio, do fim do interesse Norueguês e dos ataques (cada vez mais freqüentes) dos Esquimós, estavam também atormentando as populações de Gardar e Brattahlid, mas por essa região se situar mais ao sul e também mais perto da Noruega, ela não só era menos fria como também mais populosa do que a Colônia Ocidental, sedo assim, é provável que seus habitantes tenham conseguido sobreviver até por volta de 1510, mas depois disso, os Esquimós conquistaram totalmente a região, terminando com aquele que havia sido o mais brilhante esforço colonizador da Era Viking e de toda a Europa na Idade Média: a Groenlândia.

Mas a Groenlândia é conhecida e ocupada (mesmo que pouco) ainda hoje, então como você pode dizer que sua povoação foi destruída e extinta em 1510?

Bem, é simples, mais tarde, em 1721, um missionário Dinamarquês chamado Hans Egede, acreditando no que diziam as Sagas Vikings, escritas por autores Islandeses no século XIV, navegou rumo a Groenlândia e qual não foi sua surpresa quando constatou que as Histórias eram verdadeiras, ou seja, que existia de fato a ilha mencionada nas Sagas.Sendo assim, ele tomou posse do território em nome da Dinamarca e ele pertence a esta até hoje. A cidade de Godthaab foi encontrada e reconstruída, sendo hoje a capital da província da Groenlândia, que é também a maior ilha do mundo.


Mapa marcando as diferentes viagens Viking

9 – Bibliografia e Fontes Visuais:

 - CALVINO, João.Sobre o Governo Civil
 - GIBSON, Michael.Os Vikings
 - LOYN, Henry R.(org): Dicionário da Idade Média
 - LUTERO, Martinho.Sobre a Autoridade Secular
 - McEVEDY, Colin.Atlas da História Medieval
 - PERRUDIN, Françoise.Civilizações Antigas
 - TRIGGS, Tony D..Os Saxões

Vários. Grande Enciclopédia Delta Larousse

Revista Veja de abril de 2000

Além da Bibliografia acima citada, ainda utilizei-me de diversos sites em Português e Inglês sobre Vikings e o Ásatrú. Para encontrar tais sites, basta ir aos sites de busca e procurar por Vikings, Viking, Vinland, Asatru, Noruega, Dinamarca, Idade Média, Medieval Age...

Imagens:

Gibson, Michael: "Os Vikings", Melhoramentos, Col. Povos do Passado, São Paulo, 1989
Loyn, H.R.(org): "Dicionário da Idade Média", Jorge Zahar, RJ, 1997
Mcevedy, Colin: "Atlas de História Medieval", Vebo, São Paulo, 1990
Perrudin, Françoise: "Civilizações Antigas", Fleurus, Lisboa, 1999
Triggs, Tony D.: "Os Saxões", Melhoramentos, Col.Povos do Passado,  São Paulo, 1996

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