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OS VIKINGS

Danilo José Figueiredo - danilo_jose_figueiredo@hotmail.com
3º Semestre - História/USP

6.2.2 – Os Dinamarqueses no Período de 850 a 950:

Depois de dominarem a ilha Sheppey, na Inglaterra, os Dinamarqueses se converteram no pior pesadelo dos povos Ingleses. Através da ilha, e de outras ilhas próximas às fozes de rios (ilhas que eles vieram a conquistar depois), os Dinamarqueses penetravam no interior da Inglaterra e realizavam saques às diversas cidades, por mais fortificadas que fossem.

Geralmente os saques funcionavam da seguinte maneira: os Dinamarqueses chegavam a uma determinada região e exigiam uma certa quantidade de ouro e outras riquezas para não atacá-la. Esse tributo exigido se chamava Danegeld.Se o povoado pagasse o tributo, os Vikings iam embora, mas voltavam dentro de alguns meses exigindo novo tributo, de tal maneira que os recursos do povoado iam se esgotando até que ele não pudesse mais pagar o Danegeld. Quando isso acontecia, ou seja, os Ingleses não pagavam o tributo, os Vikings saqueavam a vila e, por vezes, conquistavam-na criando uma nova base de operações. Com efeito os Danegeld serviram para melhorar a máquina de guerra Dinamarquesa.

Por volta de 850 (as fontes são confusas entre 845 e 865), um líder Dinamarquês chamado Ragnar Lothbrok subiu o rio Sena com uma expedição gigantesca e saqueou Paris. Parece que havia por volta de trinta mil homens em sua expedição. Reides como este demonstram o apogeu Dinamarquês.

Neste período, um outro chefe Dinamarquês também saqueou o Reino Franco, ele se chamava Hastein, e depois de três anos saqueando os Francos, partiu de lá, em 862, com sessenta e dois navios (entre knorrs e drakkars).

Entretanto, ele rumou para o sul, em direção à Espanha Árabe, aportando perto de Cádiz. Ele entrou em luta com os Mouros, mas foi derrotado e acabou perdendo parte do que havia roubado dos Francos. Sendo assim, reuniu os homens e navios que lhe restavam e continuou navegando rumo ao oriente, penetrando no mar Mediterrâneo. No caminho ele atacou as cidades Árabes de Ceuta e Tânger, no norte da África, mas se dirigiu para o nordeste da Espanha, onde entrou novamente em luta contra os Sarracenos (Árabes), mas desta vez, venceu-os e saqueou seus territórios. Depois disso, ele voltou a saquear o Reino Franco (mas agora sua porção sul, banhada pelo Mediterrâneo). Passou então o inverno numa ilhota da foz do rio Ródano (no próprio Reino Franco), para depois seguir sua viagem Mediterrâneo adentro, pois seu objetivo era saquear Roma.

Após o inverno, Hastein e seus homens levantaram acampamento e seguiram com cerca de quarenta navios (os que haviam sobrado da derrota frente aos Árabes do sul da Espanha) rumo a península Itálica, onde esperavam enfim saquear Roma.Por volta de 863, eles avistaram a majestosa cidade de Luna, na Itália, e a confundiram com Roma, por isso a atacaram. Inicialmente foram repelidos, mas Hastein armou um plano muito inteligente: fingiu ter sido gravemente ferido na batalha e aceitou receber o batismo e extrema unção (bênção que se dá aos mortos) dos sacerdotes de Luna (que ele ainda pensava ser Roma). Sendo assim, quando ele fingiu estar morto, o povo da cidade permitiu que seu corpo fosse levado para dentro para ser sepultado. Uma vez em Luna, Hastein “ressuscitou” e liderou seus homens na pilhagem da cidade. A expedição de Hastein foi uma das mais impressionantes incursões Vikings no mar Mediterrâneo.

Já na Inglaterra, aos poucos os Dinamarqueses foram tomando todos os Reinos abaixo da Nortúmbria, ou seja: Kent, Lindsey, Anglia Oriental, Mércia, Essex e Sussex. Faltava-lhe apenas o Reino de Wessex, que a essa época já dominava também a Cornualha Britânica.

Em 870, os Vikings chefiados por Ivar, o Desossado e por Hubba (ambos filhos de Ragnar Lothbrok) atacaram o Reino de Wessex, que era governado por Etelred.Mas este os repeliu. Novamente, em 871, os Dinamarqueses, agora chefiados por Guthrum, voltaram a atacar Wessex, por ocasião da morte de Etelred. Porém, seu irmão e sucessor, Alfred voltou a expulsá-los.

Os Dinamarqueses se retiraram para Reading e organizaram novo ataque contra Wessex em 876, mas foram derrotados novamente. Então armaram uma estratégia inteligente de ataque. Na meia-noite de ano novo de 878, desfecharam um forte ataque contra Wessex, forçando Alfred a bater em retirada para a cidade de Athelney. A Inglaterra abaixo da Nortúmbria estava toda tomada pelos Vikings da Dinamarca.

No entanto, Alfred não estava morto e de Athelney organizou seu contra-ataque. Ainda em 878, reuniu um exército entre os povos dominados de Wessex, Sussex, Kent e Mércia, e enfrentou os Escandinavos na Batalha de Edington. Alfred venceu e obrigou os Vikings a se retirarem para o leste.Sendo assim, nas regiões de Lindsey, Essex, Anglia Oriental e boa parte da Mércia, foi estabelecido o chamado território de Danelaw, a colônia Dinamarquesa na Inglaterra.

Alfred continuou desfechando ataques a Danelaw, até que em 880 ocupou Londres e estabeleceu ali o marco divisório entre Danelaw e Wessex (que agora dominava também Sussex, Kent e boa parte da Mércia, além dos seus antigos territórios e da Cornualha). Como parte do tratado entre Wessex e os Vikings, o líder Dinamarquês Guthrum foi obrigado a ser batizado e se comprometer a propagar o Catolicismo no território de Danelaw. Foi a conversão dos Vikings da Inglaterra ao Catolicismo.

Os sucessores de Alfred; Eduardo, o Velho (899 a 925), Athelstan (925 a 939), Edmund (939 a 946) e Eadred (946 a 955); continuaram desfechando ataques a Danelaw, além de atacarem também os Reinos da Nortúmbria e da Escócia. A expulsão dos Dinamarqueses da cidade de York (ponto estratégico, por se situar no centro da Inglaterra), por Eadred, somada aos outros atos dos Reis de Wessex proporcionaram a que Edgar fosse coroado, em 973 como o primeiro Rei de toda a Inglaterra, ou seja, as lutas de Wessex contra Danelaw proporcionaram a unificação da Inglaterra.Entretanto, Danelaw não foi inteiramente conquistada, bem como não o foi a Escócia. A presença Viking na Inglaterra continuou até 1066.

Até agora falamos dos Dinamarqueses na Inglaterra, mas agora vamos falar do que eles fizeram na Europa continental.

Os Dinamarqueses, bem como os Noruegueses (aqueles mais do que estes) sempre atacaram os Francos através do rio Sena, por ser uma entrada estratégica, e próxima da Escandinávia, para esse Reino (o Reino Franco (após a morte de Carlos Magno, e de seu filho, seus netos dividiram o Império em três partes inicialmente: uma delas consistia na norte da Itália, a outra naquilo que depois seria, junto com a primeira parte, o Sacro Império Romano-Germânico, e a terceira parte tornou-se o Reino Franco.Mais tarde, uma região entre o Reino Franco e o Reino Germânico tornou-se a Borgonha).

Pois bem, um Viking de origem Norueguesa, mas no comando de tropas Dinamarquesas, chamado Rolf Gangr estava atacando o Reino Franco havia muito tempo, mas em 911, ele foi derrotado nos arredores de Chartres, pelas tropas do Rei Carlos III, o Simples. Caído prisioneiro, Rolf Gangr foi levado à presença de Carlos III, em Saint-Clair-sur-Epte, que surpreendentemente não o condenou, mas fez-lhe uma proposta irrecusável. O chefe Viking teria que aceitar ser batizado e converter-se ao Catolicismo, para ganhar as terras de ambas as margens da foz do Sena.Rolf Gangr teria que jurar vassalagem a Carlos III e prometer ser os guardião do Reino Franco contra os Vikings, tanto Noruegueses, quanto Dinamarqueses.

O raciocínio de Carlos III foi óbvio, contra um Viking, nada melhor que outro.Rolf Gangr aceitou a proposta e em 912 foi batizado e nomeado Duque da Normandia (a região até então não se chamava assim, este nome lhe foi dado em alusão à população que a habitava, ou seja, Dinamarqueses e Noruegueses descendentes dos Nórdicos).Depois disso, Rolf Gangr passou a ser conhecido como Rollon. Uma curiosidade: segundo as Sagas Vikings escritas por Islandeses no século XIV, Rollon tinha o apelido de “o Andarilho”, mas não porque gostava de andar, e sim porque segundo tais Sagas, suas pernas eram tão compridas que não havia cavalo em que ele pudesse montar.

A Normandia, apesar de ter origens Vikings, rapidamente se converteu em uma região do Reino Franco propriamente dita. Pois em 950 a migração de Escandinavos para o território foi proibida e, no século XI, o idioma Escandinavo também. Sendo assim, a Normandia não pode ser considerada uma colônia Dinamarquesa, mas apenas uma área de povoamento Viking, uma vez que prestava vassalagem ao Reino Franco.

Durante o Reinado de Gorme, o Velho (de 936 a 950), a Dinamarca foi também definitivamente unificada.Gorme estabeleceu a capital do país na cidade de Jelling, na Jutlândia, onde ergueu em homenagem a sua mulher uma estela memorial (monolito, ou coluna, destinada a ter uma inscrição), que junto com a que seu filho Haroldo Dente Azul ergueu para ele (para Gorme), é o mais belo monumento da Era Viking.

6.3 – Os Vikings da segunda metade do século X até o fim da Era Viking:

Aqui será relatada a decadência Viking, ela veio junto com o Catolicismo e pois um fim às incursões de um povo tão avançado nas tecnologias náuticas e bélicas, que conseguiu empreender, quase quinhentos anos antes de Colombo, a descoberta da América, não só pela Groenlândia (que apesar de muitos não saberem, pertence à América), mas também por Vinland, que ao contrário do que muitos pensam, foi realmente descoberta.

Veremos também nesta parte do trabalho a série de guerras entre os próprios Vikings, Noruegueses contra Dinamarqueses e vice-versa, que enfraqueceram ainda mais os povos Nórdicos, dando a impressão temporária de fortalecimento de um dos lados, como no Império de Canuto, mas que acabaram por levar a, já exaurida, civilização Viking a perda quase total de sua importância deixando, inclusive, os Escandinavos de serem os Vikings.

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