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6.2.2 – Os Dinamarqueses no Período de 850 a
950: Depois de dominarem a ilha Sheppey, na Inglaterra,
os Dinamarqueses se converteram no pior pesadelo dos povos Ingleses. Através da
ilha, e de outras ilhas próximas às fozes de rios (ilhas que eles vieram a
conquistar depois), os Dinamarqueses penetravam no interior da Inglaterra e
realizavam saques às diversas cidades, por mais fortificadas que
fossem. Geralmente os saques funcionavam da seguinte
maneira: os Dinamarqueses chegavam a uma determinada região e exigiam uma certa
quantidade de ouro e outras riquezas para não atacá-la. Esse tributo exigido se
chamava Danegeld.Se o povoado pagasse o tributo, os Vikings iam embora, mas
voltavam dentro de alguns meses exigindo novo tributo, de tal maneira que os
recursos do povoado iam se esgotando até que ele não pudesse mais pagar o
Danegeld. Quando isso acontecia, ou seja, os Ingleses não pagavam o tributo, os Vikings saqueavam a vila e, por vezes, conquistavam-na criando uma nova base de
operações. Com efeito os Danegeld serviram para melhorar a máquina de guerra
Dinamarquesa. Por volta de 850 (as fontes são confusas entre 845
e 865), um líder Dinamarquês chamado Ragnar Lothbrok subiu o rio Sena com uma
expedição gigantesca e saqueou Paris. Parece que havia por volta de trinta mil
homens em sua expedição. Reides como este demonstram o apogeu
Dinamarquês. Neste período, um outro chefe Dinamarquês também
saqueou o Reino Franco, ele se chamava Hastein, e depois de três anos saqueando
os Francos, partiu de lá, em 862, com sessenta e dois navios (entre knorrs e
drakkars). Entretanto, ele rumou para o sul, em direção à
Espanha Árabe, aportando perto de Cádiz. Ele entrou em luta com os Mouros, mas
foi derrotado e acabou perdendo parte do que havia roubado dos Francos. Sendo
assim, reuniu os homens e navios que lhe restavam e continuou navegando rumo ao
oriente, penetrando no mar Mediterrâneo. No caminho ele atacou as cidades Árabes
de Ceuta e Tânger, no norte da África, mas se dirigiu para o nordeste da
Espanha, onde entrou novamente em luta contra os Sarracenos (Árabes), mas desta
vez, venceu-os e saqueou seus territórios. Depois disso, ele voltou a saquear o
Reino Franco (mas agora sua porção sul, banhada pelo Mediterrâneo). Passou então
o inverno numa ilhota da foz do rio Ródano (no próprio Reino Franco), para
depois seguir sua viagem Mediterrâneo adentro, pois seu objetivo era saquear
Roma. Após o inverno, Hastein e seus homens levantaram
acampamento e seguiram com cerca de quarenta navios (os que haviam sobrado da
derrota frente aos Árabes do sul da Espanha) rumo a península Itálica, onde
esperavam enfim saquear Roma.Por volta de 863, eles avistaram a majestosa
cidade de Luna, na Itália, e a confundiram com Roma, por isso a atacaram.
Inicialmente foram repelidos, mas Hastein armou um plano muito inteligente:
fingiu ter sido gravemente ferido na batalha e aceitou receber o batismo e
extrema unção (bênção que se dá aos mortos) dos sacerdotes de Luna (que ele
ainda pensava ser Roma). Sendo assim, quando ele fingiu estar morto, o povo da
cidade permitiu que seu corpo fosse levado para dentro para ser sepultado. Uma
vez em Luna, Hastein “ressuscitou” e liderou seus homens na pilhagem da cidade.
A expedição de Hastein foi uma das mais impressionantes incursões Vikings no mar
Mediterrâneo. Já na Inglaterra, aos poucos os Dinamarqueses
foram tomando todos os Reinos abaixo da Nortúmbria, ou seja: Kent, Lindsey,
Anglia Oriental, Mércia, Essex e Sussex. Faltava-lhe apenas o Reino de Wessex,
que a essa época já dominava também a Cornualha Britânica. Em 870, os Vikings chefiados por Ivar, o Desossado
e por Hubba (ambos filhos de Ragnar Lothbrok) atacaram o Reino de Wessex, que
era governado por Etelred.Mas este os repeliu. Novamente, em 871, os
Dinamarqueses, agora chefiados por Guthrum, voltaram a atacar Wessex, por
ocasião da morte de Etelred. Porém, seu irmão e sucessor, Alfred voltou a
expulsá-los. Os Dinamarqueses se retiraram para Reading e
organizaram novo ataque contra Wessex em 876, mas foram derrotados novamente.
Então armaram uma estratégia inteligente de ataque. Na meia-noite de ano novo de
878, desfecharam um forte ataque contra Wessex, forçando Alfred a bater em
retirada para a cidade de Athelney. A Inglaterra abaixo da Nortúmbria estava
toda tomada pelos Vikings da Dinamarca. No entanto, Alfred não estava morto e de Athelney
organizou seu contra-ataque. Ainda em 878, reuniu um exército entre os povos
dominados de Wessex, Sussex, Kent e Mércia, e enfrentou os Escandinavos na
Batalha de Edington. Alfred venceu e obrigou os Vikings a se retirarem para o
leste.Sendo assim, nas regiões de Lindsey, Essex, Anglia Oriental e boa parte
da Mércia, foi estabelecido o chamado território de Danelaw, a colônia
Dinamarquesa na Inglaterra. Alfred continuou desfechando ataques a Danelaw,
até que em 880 ocupou Londres e estabeleceu ali o marco divisório entre Danelaw
e Wessex (que agora dominava também Sussex, Kent e boa parte da Mércia, além dos
seus antigos territórios e da Cornualha). Como parte do tratado entre Wessex e
os Vikings, o líder Dinamarquês Guthrum foi obrigado a ser batizado e se
comprometer a propagar o Catolicismo no território de Danelaw. Foi a conversão
dos Vikings da Inglaterra ao Catolicismo. Os sucessores de Alfred; Eduardo, o Velho (899 a
925), Athelstan (925 a 939), Edmund (939 a 946) e Eadred (946 a 955);
continuaram desfechando ataques a Danelaw, além de atacarem também os Reinos da
Nortúmbria e da Escócia. A expulsão dos Dinamarqueses da cidade de York (ponto
estratégico, por se situar no centro da Inglaterra), por Eadred, somada aos
outros atos dos Reis de Wessex proporcionaram a que Edgar fosse coroado, em 973
como o primeiro Rei de toda a Inglaterra, ou seja, as lutas de Wessex contra
Danelaw proporcionaram a unificação da Inglaterra.Entretanto, Danelaw não foi
inteiramente conquistada, bem como não o foi a Escócia. A presença Viking na
Inglaterra continuou até 1066. Até agora falamos dos Dinamarqueses na Inglaterra,
mas agora vamos falar do que eles fizeram na Europa continental. Os Dinamarqueses, bem como os Noruegueses (aqueles
mais do que estes) sempre atacaram os Francos através do rio Sena, por ser uma
entrada estratégica, e próxima da Escandinávia, para esse Reino (o Reino Franco
(após a morte de Carlos Magno, e de seu filho, seus netos dividiram o Império em
três partes inicialmente: uma delas consistia na norte da Itália, a outra
naquilo que depois seria, junto com a primeira parte, o Sacro Império
Romano-Germânico, e a terceira parte tornou-se o Reino Franco.Mais tarde, uma
região entre o Reino Franco e o Reino Germânico tornou-se a
Borgonha). Pois bem, um Viking de origem Norueguesa, mas no
comando de tropas Dinamarquesas, chamado Rolf Gangr estava atacando o Reino
Franco havia muito tempo, mas em 911, ele foi derrotado nos arredores de
Chartres, pelas tropas do Rei Carlos III, o Simples. Caído prisioneiro, Rolf
Gangr foi levado à presença de Carlos III, em Saint-Clair-sur-Epte, que
surpreendentemente não o condenou, mas fez-lhe uma proposta irrecusável. O chefe Viking teria que aceitar ser batizado e converter-se ao Catolicismo, para ganhar
as terras de ambas as margens da foz do Sena.Rolf Gangr teria que jurar
vassalagem a Carlos III e prometer ser os guardião do Reino Franco contra os
Vikings, tanto Noruegueses, quanto Dinamarqueses. O raciocínio de Carlos III foi óbvio, contra um
Viking, nada melhor que outro.Rolf Gangr aceitou a proposta e em 912 foi
batizado e nomeado Duque da Normandia (a região até então não se chamava assim,
este nome lhe foi dado em alusão à população que a habitava, ou seja,
Dinamarqueses e Noruegueses descendentes dos Nórdicos).Depois disso, Rolf Gangr
passou a ser conhecido como Rollon. Uma curiosidade: segundo as Sagas Vikings
escritas por Islandeses no século XIV, Rollon tinha o apelido de “o Andarilho”,
mas não porque gostava de andar, e sim porque segundo tais Sagas, suas pernas
eram tão compridas que não havia cavalo em que ele pudesse montar. A Normandia, apesar de ter origens Vikings,
rapidamente se converteu em uma região do Reino Franco propriamente dita. Pois
em 950 a migração de Escandinavos para o território foi proibida e, no século
XI, o idioma Escandinavo também. Sendo assim, a Normandia não pode ser
considerada uma colônia Dinamarquesa, mas apenas uma área de povoamento Viking,
uma vez que prestava vassalagem ao Reino Franco. Durante o Reinado de Gorme, o Velho (de 936 a
950), a Dinamarca foi também definitivamente unificada.Gorme estabeleceu a
capital do país na cidade de Jelling, na Jutlândia, onde ergueu em homenagem a
sua mulher uma estela memorial (monolito, ou coluna, destinada a ter uma
inscrição), que junto com a que seu filho Haroldo Dente Azul ergueu para ele
(para Gorme), é o mais belo monumento da Era Viking. 6.3 – Os Vikings da segunda metade do século X
até o fim da Era Viking: Aqui será relatada a decadência Viking, ela veio
junto com o Catolicismo e pois um fim às incursões de um povo tão avançado nas
tecnologias náuticas e bélicas, que conseguiu empreender, quase quinhentos anos
antes de Colombo, a descoberta da América, não só pela Groenlândia (que apesar
de muitos não saberem, pertence à América), mas também por Vinland, que ao
contrário do que muitos pensam, foi realmente descoberta. Veremos também nesta parte do trabalho a série de
guerras entre os próprios Vikings, Noruegueses contra Dinamarqueses e
vice-versa, que enfraqueceram ainda mais os povos Nórdicos, dando a impressão
temporária de fortalecimento de um dos lados, como no Império de Canuto, mas que
acabaram por levar a, já exaurida, civilização Viking a perda quase total de sua
importância deixando, inclusive, os Escandinavos de serem os Vikings. |