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OS VIKINGS

Danilo José Figueiredo - danilo_jose_figueiredo@hotmail.com
3º Semestre - História/USP

6.1.2 – Os Dinamarqueses no Período de 750 a 850:

Há cerca de mil e duzentos anos atrás, ou seja, por volta do ano 800, os Dinamarqueses entraram em sua Era Viking. Como já mencionei, até esta época eles não se reconheciam como sendo Dinamarqueses, mas apenas como Danos.

Após 803, quando repeliram as tentativas de Carlos Magno de conquistar a Jutlândia, os Danos passaram a se reconhecer gradativamente mais como Dinamarqueses.

Como eu disse (nos itens 2.1 e 5), a região sudoeste da Suécia também era habitada por Danos, mas estes não eram Vikings. Apesar disso, mais tarde foram também anexados àquilo que se tornou a Dinamarca.

Apesar de terem repelido os ataques de Carlos Magno, os Dinamarqueses, governados na época por Godofredo, sabiam que outros ataques poderiam vir a ser desfechados contra seu povo. Por isso, Godofredo ordenou por volta de 805 ordenou a construção de uma muralha de terra para separar a Jutlândia do Império de Carlos Magno. Essa muralha recebeu o nome de Danevirke e sua finalidade primordial era proteger a cidade de Hedeby, que era o mais importante centro de comércio da Dinamarca.

Enquanto Carlos Magno reinou os Dinamarqueses não se atreveram a atacar seu Império; contentando-se em atacar apenas a região sul da Inglaterra, ou seja, os Reinos de Kent, Essex, Wessex, Sussex, Mércia, Lindsey e Anglia Oriental; mas após sua morte, em 814, iniciaram seus reides na Europa continental.

Os Dinamarqueses também são considerados Vikings, porém suas rotas de ataques não eram as mesmas dos Noruegueses (ver mapa no final do item 2.1). Eles costumavam ir até a foz de rios como o Sena e o Reno e à partir daí subi-los e saquear as cidades e vilas em suas margens.Depois retornavam para sua terra natal com o produto dos saques.

Entretanto, o maior feito dos Dinamarqueses no período referido foi realizado no ano de 851 (sei que o período em teoria iria até 850, mas preferi enquadrar este ato aqui para não inflar demais a próxima cronologia Dinamarquesa).

Mas voltemos, em 851 uma grande esquadra Viking deixou a Dinamarca rumando para a Inglaterra. Eles se dirigiam para a região de costume, ou seja, o sul e sudeste da ilha. Porém não havia apenas drakkars na esquadra, pelo contrário, havia muitos knorrs (navios de transporte) carregando inclusive mulheres e crianças. Isso caracterizava uma expedição atípica, pois as expedições que realizavam reides levavam em média apenas um ou dois knorrs (às vezes mais, dependendo do tamanho do lugar a ser saqueado), mas estes iam para trazer os saques de volta, portanto não levavam mulheres, nem crianças.

Mas por que esta expedição levava mulheres e crianças? Simples, porque ela não visava realizar apenas um reide, mas sim se estabelecer na Inglaterra, ou seja, criar lá uma base para os Dinamarqueses (assim como a cidade de Dublin era para os Noruegueses, na Irlanda).

Os navios se dirigiram para o Reino de Kent e, numa ilha chamada Sheppey, na foz do rio Tâmisa (a menos de 50 km de Londres), desembarcaram. Eles exterminaram o povoado que havia ali e sem muita resistência iniciaram uma povoação Viking na Inglaterra.

A escolha da ilha Sheppey não foi por acaso, se tratava de um lugar estratégico, pois por se situar na foz do principal rio da Inglaterra, permitia que os Vikings atravessassem boa parte da ilha, saqueando-a. Bastava que o povoado fosse bem fortificado, o que os Dinamarqueses trataram de fazer o mais rápido possível, para evitar os ataques Ingleses.

6.2 – Os Vikings da segunda metade do século IX até a primeira metade do século X:

Podemos dizer que esta é a chamada Época de Ouro dos Vikings. Eles já estavam bem organizados e possuíam colônias (os Noruegueses apenas) e bases militares fora da Escandinávia. Neste trecho veremos como, à partir ou não de tais pontos, os Vikings ampliaram seus domínios chegando a conquistar muitas áreas na Inglaterra e França, além de descobrirem a Islândia. Porém, também foi neste período que o Catolicismo, o germe da destruição dos Vikings,  começou a ser plantado nas sociedades Escandinavas, com a conversão de alguns Reis.

6.2.1 – Os Noruegueses no Período de 850 a 950:

Os Noruegueses continuavam suas navegações desenfreadas e, em 860, navegando para noroeste das ilhas Faroe, encontraram a Islândia. Na verdade é incorreto afirmar que os Vikings descobriram a Islândia, pois quando lá chegaram a terra não estava deserta, ou habitada por nativos, mas sim por monges Irlandeses eremitas. Entretanto, tais monges, a exemplo de Lindisfarne, foram ou mortos ou aprisionados para serem vendidos como escravos. O que deixou o caminho livre para a colonização de mais esta ilha. Porém, logo os Noruegueses perceberam que o lugar era tão frio quanto sua terra natal (por isso o nome Terra do Gelo, em inglês Iceland). Mesmo assim eles fundaram na região alguns povoados e uma pequena cidade: Reykjavik, tornando a Islândia mais uma colônia Norueguesa.Apesar disso, posteriormente Dinamarqueses também habitaram a região, mas isso depois da Era Viking.

Por volta de 870, com apenas dez anos de idade, Haraldo I, o Louro, assumiu o trono de Oslo.Nesta época, o fiorde Vik já estava totalmente leal ao domínio do Rei de Oslo mas, por outro lado, Bergen também se fortalecera muito na porção ocidental da Noruega. Tanto assim que havia imposto seu domínio a região dos Fiordes Ocidentais, transferindo sua capital (a de Bergen) para Trondheim.

Haraldo I tinha um sonho: conquistar para sua coroa toda a Noruega, unificando-a não como os Reis Heróis, mas definitivamente. À partir desse desejo, o Rei empreendeu todos os esforços de seu Reino entre os anos de 885 e 890 para submeter Bergen ao seu poder.

A maior arma que os Vikings tinham contra Bergen eram as drakkars, pois Bergen não sabia construí-las e por isso, seus navios de guerra eram muito inferiores. Sendo assim, Haraldo I esforçou-se em se tornar invencível nos mares e tão logo conseguiu, começou a atacar os portos de cidades como Bergen e Trondheim, desencadeando uma guerra dentro da Noruega.

Bergen através de sua nobreza, revidava como podia aos cercos navais dos Vikings, mas por seus navios serem inferiores, se viu encurralada por volta do ano 890. Ocorreu então a chamada Batalha de Hafrsfjord, no fiorde Hafrs.Nesta batalha, exclusivamente naval, os Vikings impuseram a Bergen a derrota definitiva e anexaram, de uma vez por todas, a região aos domínios de Oslo.

Depois da unificação da Noruega por Haraldo I, a capital do país deixou de ser Oslo, para passar a ser Trondheim, que era na época a principal cidade Norueguesa.

Ainda no Reinado de Haraldo I, um ataque nos moldes do realizado à Irlanda, em 841, foi realizado no extremo norte da Escócia, partindo das ilhas Órcadas. Esse ataque, no qual o próprio Haraldo I tomou parte, anexou a região aos domínios Noruegueses. Essa região juntamente com os arquipélagos de Shetland, Órcadas e Faroe formou o chamado Condado das Órcadas.

O sonho de Haraldo I estava concretizado. Ele não só havia unificado a Noruega, como também podia vangloriar-se de ser um dos maiores Monarcas da Europa, pois além de seu país, ele controlava as ilhas Órcadas, Shetland e Faroe, além de um quarto da Irlanda, o norte da Escócia e a Islândia.

No entanto, o poder demasiado de Haroldo I acabou se tornando uma faca de dois gumes. Pois ao mesmo tempo que em seu longo Reinado (de 870 a 945) ele ampliou muito os domínios territoriais de Oslo, seu excesso de autoritarismo colocou as Althings mais distantes contra ele, fazendo, em muitos casos, suas ordens não serem cumpridas, o que provocou uma violenta crise política entre os Vikings Noruegueses, proporcionando aos Dinamarqueses deixarem de serem os coadjuvantes no cenário Viking para se tornarem os personagens principais.

A crise era tão violenta que com a morte de Haraldo I em 945, apenas a Noruega estava sob a autoridade de Oslo, tendo o Condado das Órcadas se tornado praticamente independente. A Islândia e Dublin seguiram esse exemplo, mas continuavam sob a autoridade (pelo menos simbólica) da Noruega, coisa que foi deixando de acontecer cada vez mais ao Condado das Órcadas, que estava cada vez mais sob a influência da Escócia.

Depois da morte de Haraldo I seu filho caçula, Erik, o Machado Sangrento, reclamou o trono, mas seu filho (filho de Haraldo I) mais velho, Haakon retornou da Inglaterra, onde havia crescido como filho adotivo do Rei Athelstan de Wessex (que era Cristão), e reclamou o trono para si. Os karls, com medo de que Erik, por ter convivido com o pai, continuasse com seus desmandos, resolveram apoiar Haakon, dando-lhe o trono de Oslo.Haakon tornou-se então Haakon I, Rei da Noruega.

Haakon I foi o primeiro Rei Cristão da Noruega. Por ter sido criado numa corte Cristã, ele acreditava e seguia os preceitos do Catolicismo, e sua meta de governo foi converter a Noruega a essa doutrina.  Para isso ele construiu Catedrais nas principais cidades, ou seja, em Oslo, Trondheim e Bergen.Também restaurou as Althings de toda a Noruega para colocá-las sob seu domínio, coisa que não acontecia antes, pois como já mencionei, as Althings tinham autonomia em relação ao Rei.

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