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OS VIKINGS

Danilo José Figueiredo - danilo_jose_figueiredo@hotmail.com
3º Semestre - História/USP

Em 625, Edwin, Rei da Nortúmbria, quis se casar com Ethelburga, princesa de Kent.Porém, seu pai (o pai da princesa) exigiu, como condição para conceder a mão da filha, que Edwin se deixasse batizar e abrisse seu Reino para a conversão ao Cristianismo.Edwin então consentiu que o pupilo de Santo Agostinho, o monge Paulino o batizasse em York, no ano de 627. Depois disso, ele permitiu que Paulino pregasse para o povo ao lado do palácio Real, na cidade de Yeavering, construindo, inclusive, para Paulino uma igreja monumental em York (onde foi celebrado o casamento).

Em 633, Edwin morreu e seu filho, Oswald ascendeu ao trono já sendo Cristão. Entretanto Paulino havia retornado para Kent, então Oswald pediu que lhe fosse enviado outro missionário para ocupar o lugar de Paulino. O enviado foi Aidan.No entanto, Aidan não tinha uma formação sacerdotal nos moldes Romanos, ele era Celta e pertencia ao Cristianismo das Igrejas Britânica e Celta (legadas pelos Romanos).Aidan ergueu na ilha de Lindisfarne o Mosteiro de Lindisfarne, além de convencer o Rei Oswald a construir vários Mosteiros por toda a Nortúmbria (que fazia divisa com os Reinos Celtas e Pictos do norte).


Rotas dos missionários cristãos celtas e romanos durante
a missão de Santo Agostinho

A influência de Aidan sobre o povo da Nortúmbria foi tão grande que, com efeito, ele converteu o Reino ao Catolicismo. A Nortúmbria junto com os Celtas e o Reino de Kent evangelizaram toda a Inglaterra e a Escócia, além de enviarem missionários para as ilhas próximas (conhecidas como ilhas Britânicas). Em 664, em Whitby, na Nortúmbria, foi assinada a união das Igrejas Católicas Celta e Romana.

Toda esta explicação serviu para mostrar que em 793, quando os Vikings se dirigiram para a ilha de Lindisfarne, a Inglaterra já era Cristã a algum tempo.

Pois bem, num certo dia,  logo depois do amanhecer, aportaram na ilha de Lindisfarne as drakkars Vikings, e delas desceram centenas de guerreiros, soldados profissionais, que operaram um verdadeiro massacre na população do feudo, mataram facilmente os poucos guerreiros do Mosteiro, assassinaram vários monges, aprisionaram outros (para vender como escravos), adentraram no Mosteiro, roubaram as peças em ouro e pedras preciosas e por fim atearam fogo à construção.

Partiram de volta para Oslo deixando para trás um rastro de destruição e iniciando na população inglesa um medo terrível de novos ataques, pois os sobreviventes do reide abandonaram Lindisfarne e espalharam a história.
Nos anos que se seguiram, os Vikings realizaram diversos outros reides a Mosteiros em ilhas e na costa inglesa e Escocesa, principalmente na Nortúmbria.

Quanto a Escócia é interessante que se diga como esta se formou.

Os Romanos jamais dominaram a região norte da Britânia devido a ferocidade com que se defendiam seus habitantes: os Pictos. Não se sabe muito sobre eles. Sabe-se apenas que existiam duas língua nesse povo (os do sul, próximos à Inglaterra, falavam a língua dos Britânicos (que não é muito semelhante ao inglês, é mais parecida com o Galês), e os do norte, um dialeto desconhecido). Na realidade, a sociedade Píctica era inicialmente agrícola (semelhante às sociedades feudais), mas um Super-Reino (no Feudalismo, quando um Senhor impõe sua suserania a vários outros, o Reino resultante de todos os Reinos que lhe prestam vassalagem é chamado Super-Reino) parece ter se desenvolvido, evoluindo, nos séculos VII e VIII, para uma Monarquia centralizada.Uma curiosidade sobre os Pictos era que a sucessão Real não era pelo filho mais velho do Rei, mas sim pelo sobrinho mais velho do Rei que fosse filho de alguma de suas irmãs, sendo assim, os homens mandavam, mas as mulheres é que estabeleciam a linhagem de sucessão.

Os Celtas que habitavam a Irlanda, chamados Irlandeses, também compunham uma parte da população da atual Escócia, inclusive o termo Escocês era sinônimo de Irlandês, somente depois de muito tempo de ocupação dos Irlandeses na Escócia é que o termo Escocês passou a designar exclusivamente os Irlandeses da Escócia.

Por volta do começo do século VIII a família Real Píctica iniciou uma política de alianças matrimoniais com a família Real Escocesa (os Irlandeses da Escócia também já haviam realizado sua unificação Monárquica), resultando em príncipes aspirantes aos tronos dos dois Reinos. Em 843, finalmente o Reino Píctico e o Reino Escocês se uniram na formação da Escócia, estabelecendo um sistema de sucessão partilinear, ou seja, cada vez o descendente de um dos Reinos governava.Entretanto, na região conhecida hoje como Escócia havia também o Reino Britânico de Strathclyde, que à partir da fusão Celto-Píctica na Monarquia Escocesa, começou a ser impiedosamente atacado até ser totalmente anexado à Escócia em finais do século IX.

Os Noruegueses atacavam não só a Nortúmbria e a Escócia, como também as ilhas Britânicas e a Irlanda. Nos ataques às pequenas ilhas os Vikings da Noruega conquistaram neste período as primeiras colônias de sua História. Entre os anos de 800 e 810, eles capturaram os arquipélagos de Shetland, Orkney (Órcadas) e Faeroer (Faroe), estabelecendo colônias de povoamento nesses lugares.

Os guerreiros não encontravam muita dificuldade para dominar arquipélagos pequenos como os referidos, devido ao fato de serem mal protegidos, uma vez que além de missionários, havia apenas pequenos povoados agrícolas nessas regiões. Dificilmente os Vikings encontravam alguma tropa de cavalaria ou mesmo guerreiros Cristãos profissionais (nobres).

Nessas campanhas começaram a ser utilizados membros das classes mais pobres da população, ou seja, os jarls, que iam às expedições em busca de riquezas e motivados pelos preceitos do Ásatrú.


Desenho fantasioso de um
guerreiro Viking (reparem
no capacete)

Os ataques à Irlanda eram curiosos, pois devido à divisão em que a ilha se encontrava, muitos guerreiros Vikings acabavam se desviando de seus objetivos iniciais durante os ataques. Vejamos.  A Irlanda era uma ilha de população Celta, eles haviam chegado lá antes mesmo da era Cristã, mas haviam sido (como já mencionei) convertidos ao Cristianismo.

Inicialmente, haviam vários Reinos feudais na ilha, porém, com o passar do tempo, através de guerras, os pequenos Reinos foram jurando vassalagem uns aos outros até formarem os quatro Super-Reinos da Irlanda: os Uí Dúnlainge, no sudeste; os Eógannachta (ou Munster), no sudoeste; os Uí Briúin (ou Connaught), no noroeste; e os Uí Néill (ou O’Neill), no nordeste.

À partir de 795, os Vikings Noruegueses começaram a realizar reides nas costas Irlandesas, mas as lutas entre os Super-Reinos acabaram por desviar vários soldados profissionais de seu objetivo, ou seja, o saque.Isso por que os Super-Reinos contratavam-nos como mercenários para lutarem contra os outros Super-Reinos. Mesmo assim, os reides Vikings continuaram e na maioria das vezes causavam pânico e resultavam em saques valiosos.

Em 841, uma expedição gigantesca aportou no sul da Irlanda e arrasou o Super-Reino dos Uí Dúnlainge, no sudeste.Terminaram por estabelecer uma base permanente na ilha com a conquista da cidade fortificada de Dublin (atual capital da Irlanda). Entretanto, os Vikings não colocaram o território dos Uí Dúnlainge sob sua autoridade direta.Deixaram seus aliados O’Neill administrarem a região, e guardaram para si apenas os direitos comercias dela, mesmo assim muitos Noruegueses migraram para a Irlanda, onde estabeleceram vários povoados. Posteriormente também Dinamarqueses migraram para as terras Norueguesas da Irlanda. Mas o centro Viking da Irlanda continuou sendo Dublin, e todos os três Super-Reinos restantes lhe respeitavam e temiam.

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