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OS VIKINGS

Danilo José Figueiredo - danilo_jose_figueiredo@hotmail.com
3º Semestre - História/USP

Desde o final do Império Romano, os Francos se estabeleceram como um Reino, com o legendário Rei Clóvis de Reims. Ele foi o fundador da Dinastia Merovíngia, que governou o Reino Franco do século V até o século VIII. Entretanto, os Reis Merovígios tinham o costume de eleger um Prefeito do Palácio, que funcionava como uma espécie de Primeiro Ministro do Reino. Aos poucos, os Prefeitos do Palácio começaram a se tornar mais influentes e importantes que o próprio Rei Franco, no entanto, não davam o golpe e se tornavam Reis, pois não teriam apoio o suficiente.

No princípio do século VIII, Carlos Martel foi escolhido como Prefeito do Palácio e em 732, conteve a expansão Árabe que visava tomar a cidade de Poitiers. À partir daí, os Prefeitos do Palácio ganharam mais poder junto ao papado, uma vez que um deles conteve a invasão dos terríveis Mouros (como eram conhecidos os Árabes).Carlos Martel tornou-se muito influente também entre a população Franca, e conseguiu que o Rei lhe permitisse que seus filhos herdasses dele o posto de Prefeitos do Palácio.

Pepino e seu irmão Carlomano (filhos de Carlos Martel) herdaram então o posto de Prefeitos da Palácio.Em 747, Carlomano renunciou deixando Pepino como único Prefeito do Palácio. Porém Pepino tinha ambições maiores do que ser apenas o Prefeito do Palácio, realizou um acordo com o Papa Zacarias e, em 751, depôs o Rei Merovíngio Childerico III e foi coroado Rei dos Francos, com o nome de Pepino III, o Breve. A Dinastia de Pepino recebeu o nome de Dinastia Carolíngia, em homenagem a seu pai, Carlos Martel.Em troca pela coroação, Pepino reconquistou para a Igreja as terras em volta de Roma (o Exarcado de Ravena e o Ducado de Roma). O Reinado de Pepino III iniciou de fato o período dos Reis Francos Cristãos.Quando Pepino III morreu, em 768, seu Reino foi dividido entre seus dois filhos: Carlos e Carlomano. Porém, Carlomano morreu em 771, deixando Carlos reinar sozinho.

Carlos veio a ser conhecido como Carlos Magno (ou seja, Carlos, o Grande). Ele dedicou os primeiros anos de seu Reinado a expandir os domínios do Reino Franco, pois queria Cristianizar o mundo. Tentou retomar a Espanha aos Árabes mas, como fracassou, estabeleceu na divisa entre o Reino Franco e a Espanha uma Marca, ou seja, uma região governada por um Marquês. A Marca era extremamente militarizada e visava ser uma zona tampão para impedir o avanço dos Mouros. A idéia de instituir Marcas nas regiões fronteiriças agradou Carlos Magno, pois dessa forma ele não precisaria manter um exército nacional, bastariam os exércitos dos Marqueses. Por seu poderio crescente e esforços em prol da disseminação da fé Cristã, em 800, Carlos Magno foi coroado pelo Papa como Imperador Romano (alguns julgam que nasceu aqui o Sacro Império Romano-Germânico, mas na realidade ele só nasceu mesmo no final do século X, sob Oto I).

Como eu já havia mencionado no item 2.1, os Saxões não rumaram todos para a Inglaterra, muitos ficaram na região sul da Jutlândia e outros rumaram mais para o sul ainda, numa região que ficou conhecida como Saxônia. Os Saxões eram pagãos e por isso, Carlos Magno iniciou ataques a seu território já no ano de 772, com o objetivo de conquistá-lo e converter os Saxões (da Saxônia) à fé Cristã, missão que finalmente concluiu em 803. Sendo assim, Carlos Magno estabeleceu uma Marca na Saxônia, mas ordenou a ela a anexação da Jutlândia, região onde moravam os Danos.

Nessa época, os Danos da península da Jutlândia estavam unificados sob um Rei Herói (os Reis Heróis são Reis que antes da época da unificação definitiva do país, conseguiram uma unificação temporária, graças a seus feitos heróicos ou gloriosos, entretanto, tão logo esses Reis morriam, o país se fragmentava novamente) chamado Godofredo (porém Godofredo não dominava os Danos das ilhas Bálticas e da Suécia), que era de origem Norueguesa. A Marca Franca desfechou alguns ataques contra os Reino de Godofredo, mas teve o azar de que os Danos lutavam todos juntos, como se fossem um país de fato, por estarem passando por um período temporário de centralização Monárquica. Sendo assim, os Franco fracassaram em seus ataques contra os Danos e estabeleceram uma nova Marca que foi batizada de Marca dos Danos, depois Marca Dana, depois Dana Marca e por fim Dinamarca.
Portanto Dinamarca era o nome da região tampão localizada entre o Império de Romano de Carlos Magno e a Jutlândia de Godofredo.No entanto, os Danos da Jutlândia e depois os das ilhas Bálticas começaram a se chamar de Dinamarqueses para se diferenciarem dos Danos da Suécia.

Só  para complementar quanto a Carlos Magno, depois de sua morte, em 814, seu filho não conseguiu manter o Império tão forte quanto era, e com seus netos (de Carlos Magno), finalmente ele se fragmentou em três Reinos inicialmente, depois em mais. Porém, a Dinamarca também se fragmentou novamente após a morte de Godofredo, mas Jelling se estabeleceu, durante o Reinado de Godofredo e perdurou depois, como centro de poder da Dinamarca, tanto que mais tarde, quando o país foi unificado definitivamente, a capital se tornou Jelling.Copenhague só se tornou a capital da Dinamarca em 1443.

6 – A História dos Vikings:

Esta parte do trabalho se remete a narrar os fatos mais importantes da História Viking. É claro que não se tratará de uma sessão completa, visto que a complexidade de uma civilização é muita para que se pretenda esgotar seus fatos. Mas darei um panorama geral dos principais Reis, batalhas, conquistas e fatos da História Viking.

Para melhor compreensão dividirei a sessão em três partes, e cada parte em duas sub-partes, para assim explicar mais didaticamente os feitos e fatos de Dinamarca e Noruega nos períodos estudados em cada sessão.

6.1 – Os Vikings da segunda metade do século VIII até a primeira metade do século IX:

Aqui relatarei os principais acontecimentos que deram origem aos povos Vikings, além de narrar o início da Era Viking, com o famoso saque ao Mosteiro de Lindisfarne, na Inglaterra.

Neste período Noruegueses e Dinamarqueses estavam ainda se estabelecendo como povos navegadores e conquistadores. Foi nesta época que os Vikings estabeleceram suas primeiras colônias e bases militares fora de suas terras natais.

6.1.1 – Os Noruegueses no Período de 750 a 850:

Por volta de 750, os povoados e cidadezinhas do fiorde Vik já estavam unificados sob o controle do Rei Viking de Oslo. Esses povos sobreviviam através da caça, da agricultura e da pesca.Mas tinham o sonho de obterem as riquezas das quais os viajantes falavam.


Uma sas táticas de guerra: quando o rio congelava, passava-se
por terra, empurrando o barco por sobre toras de madeira

Os Reis de Oslo haviam, com o intuito inicial de se protegerem de ataques dos Suecos e de Bergen, incentivado a criação de um exército profissional. Estes homens eram da mais alta classe social: os karls, e eram sustentados pelo governo para treinarem técnicas de combate. Eles compravam suas armas e vestimentas com recursos próprios, e estavam sempre prontos para o combate.

No ano de 793, alguns navios carregados de soldados profissionais deixaram o fiorde Vik e rumaram para as ilhas Britânicas. Seu destino era a atual Holy Island, na Inglaterra. Na época esta ilha se chamava Lindisfarne e havia nela um feudo da Igreja, com um Mosteiro de relativa importância.

É bom que se esclareça que a Inglaterra havia sido convertida à fé Cristã pelos Romanos no século IV, mas com sua saída, no século V, ela foi invadida pelos povos Teutônicos (Frísios, Jutos, Anglos e Saxões), que perseguiram os nativos Britânicos (que haviam sido convertidos pelos Romanos). Mais ao norte, na atual Escócia, havia os Celtas, que já praticavam o Cristianismo também desde os tempos Romanos.

Os Britânicos foram caçados pelos Teutônicos e foram obrigados a se refugiar em pontos do extremo ocidente da ilha: a Cornualha, mais ao sul; Gales mais ao centro; e Strathclyde, mais ao norte, perto dos Celtas e dos Pictos que habitavam a região da atual Escócia. Os Celtas, junto com os Britânicos tornaram Cristã a Irlanda, mas não tiveram o mesmo sucesso na Inglaterra em si. Porém, em 597, uma missão enviada por Roma e chefiada por Santo Agostinho (este é o segundo Santo Agostinho, antes dele existiu um outro que viveu no século IV) chegou ao Reino Teutônico de Kent (na região sudeste da Inglaterra) e conseguiu convertê-lo ao Catolicismo, Santo Agostinho teve sua missão facilitada pelo fato de que a esposa do Rei de Kent era Celta, e por isso, Cristã.


Este mapa mostra de onde vinham as tribos conquistadoras dos saxões e os locais em que se instalaram na Grã-Bretanha.Os nativos conseguiram manter o domínio da Cornualha e Strathclyde.

No entretanto existiam vários outros Reinos Teutônicos na Inglaterra, tais como: Wessex, Sussex, Essex, Mércia, Anglia Oriental, Lindsey, Deira e Bernícia (estes dois últimos depois foram unificados formando a chamada Nortúmbria).

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