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Desde o final do Império Romano, os Francos
se estabeleceram como um Reino, com o legendário Rei Clóvis de Reims. Ele
foi o fundador da Dinastia Merovíngia, que governou o Reino Franco do
século V até o século VIII. Entretanto, os Reis Merovígios tinham o
costume de eleger um Prefeito do Palácio, que funcionava como uma espécie
de Primeiro Ministro do Reino. Aos poucos, os Prefeitos do Palácio
começaram a se tornar mais influentes e importantes que o próprio Rei
Franco, no entanto, não davam o golpe e se tornavam Reis, pois não teriam
apoio o suficiente.
No princípio do século VIII, Carlos Martel
foi escolhido como Prefeito do Palácio e em 732, conteve a expansão Árabe
que visava tomar a cidade de Poitiers. À partir daí, os Prefeitos do
Palácio ganharam mais poder junto ao papado, uma vez que um deles conteve
a invasão dos terríveis Mouros (como eram conhecidos os Árabes).Carlos Martel tornou-se muito influente também entre a população Franca, e
conseguiu que o Rei lhe permitisse que seus filhos herdasses dele o posto
de Prefeitos do Palácio.
Pepino e seu irmão Carlomano (filhos de Carlos
Martel) herdaram então o posto de Prefeitos da Palácio.Em 747, Carlomano
renunciou deixando Pepino como único Prefeito do Palácio. Porém Pepino tinha
ambições maiores do que ser apenas o Prefeito do Palácio, realizou um acordo com
o Papa Zacarias e, em 751, depôs o Rei Merovíngio Childerico III e foi coroado
Rei dos Francos, com o nome de Pepino III, o Breve. A Dinastia de Pepino recebeu
o nome de Dinastia Carolíngia, em homenagem a seu pai, Carlos Martel.Em troca
pela coroação, Pepino reconquistou para a Igreja as terras em volta de Roma (o
Exarcado de Ravena e o Ducado de Roma). O Reinado de Pepino III iniciou de fato
o período dos Reis Francos Cristãos.Quando Pepino III morreu, em 768, seu Reino
foi dividido entre seus dois filhos: Carlos e Carlomano. Porém, Carlomano morreu
em 771, deixando Carlos reinar sozinho. Carlos veio a ser conhecido como Carlos Magno (ou
seja, Carlos, o Grande). Ele dedicou os primeiros anos de seu Reinado a expandir
os domínios do Reino Franco, pois queria Cristianizar o mundo. Tentou retomar a
Espanha aos Árabes mas, como fracassou, estabeleceu na divisa entre o Reino
Franco e a Espanha uma Marca, ou seja, uma região governada por um Marquês. A
Marca era extremamente militarizada e visava ser uma zona tampão para impedir o
avanço dos Mouros. A idéia de instituir Marcas nas regiões fronteiriças agradou
Carlos Magno, pois dessa forma ele não precisaria manter um exército nacional,
bastariam os exércitos dos Marqueses. Por seu poderio crescente e esforços em
prol da disseminação da fé Cristã, em 800, Carlos Magno foi coroado pelo Papa
como Imperador Romano (alguns julgam que nasceu aqui o Sacro Império
Romano-Germânico, mas na realidade ele só nasceu mesmo no final do século X, sob
Oto I). Como eu já havia mencionado no item 2.1, os Saxões
não rumaram todos para a Inglaterra, muitos ficaram na região sul da Jutlândia e
outros rumaram mais para o sul ainda, numa região que ficou conhecida como
Saxônia. Os Saxões eram pagãos e por isso, Carlos Magno iniciou ataques a seu
território já no ano de 772, com o objetivo de conquistá-lo e converter os
Saxões (da Saxônia) à fé Cristã, missão que finalmente concluiu em 803. Sendo
assim, Carlos Magno estabeleceu uma Marca na Saxônia, mas ordenou a ela a
anexação da Jutlândia, região onde moravam os Danos. Nessa época, os Danos da península da Jutlândia
estavam unificados sob um Rei Herói (os Reis Heróis são Reis que antes da época
da unificação definitiva do país, conseguiram uma unificação temporária, graças
a seus feitos heróicos ou gloriosos, entretanto, tão logo esses Reis morriam, o
país se fragmentava novamente) chamado Godofredo (porém Godofredo não dominava
os Danos das ilhas Bálticas e da Suécia), que era de origem Norueguesa. A Marca
Franca desfechou alguns ataques contra os Reino de Godofredo, mas teve o azar de
que os Danos lutavam todos juntos, como se fossem um país de fato, por estarem
passando por um período temporário de centralização Monárquica. Sendo assim, os
Franco fracassaram em seus ataques contra os Danos e estabeleceram uma nova
Marca que foi batizada de Marca dos Danos, depois Marca Dana, depois Dana Marca
e por fim Dinamarca. Portanto Dinamarca
era o nome da região tampão localizada entre o Império de Romano de Carlos Magno
e a Jutlândia de Godofredo.No entanto, os Danos da Jutlândia e depois os das
ilhas Bálticas começaram a se chamar de Dinamarqueses para se diferenciarem dos
Danos da Suécia. Só para complementar quanto a Carlos Magno,
depois de sua morte, em 814, seu filho não conseguiu manter o Império tão forte
quanto era, e com seus netos (de Carlos Magno), finalmente ele se fragmentou em
três Reinos inicialmente, depois em mais. Porém, a Dinamarca também se
fragmentou novamente após a morte de Godofredo, mas Jelling se estabeleceu,
durante o Reinado de Godofredo e perdurou depois, como centro de poder da
Dinamarca, tanto que mais tarde, quando o país foi unificado definitivamente, a
capital se tornou Jelling.Copenhague só se tornou a capital da Dinamarca em
1443. 6 – A História dos Vikings: Esta parte do trabalho se remete a narrar os fatos
mais importantes da História Viking. É claro que não se tratará de uma sessão
completa, visto que a complexidade de uma civilização é muita para que se
pretenda esgotar seus fatos. Mas darei um panorama geral dos principais Reis,
batalhas, conquistas e fatos da História Viking. Para melhor compreensão dividirei a sessão em três
partes, e cada parte em duas sub-partes, para assim explicar mais didaticamente
os feitos e fatos de Dinamarca e Noruega nos períodos estudados em cada
sessão. 6.1 – Os Vikings da segunda metade do século
VIII até a primeira metade do século IX: Aqui relatarei os principais acontecimentos que
deram origem aos povos Vikings, além de narrar o início da Era Viking, com o
famoso saque ao Mosteiro de Lindisfarne, na Inglaterra. Neste período Noruegueses e Dinamarqueses estavam
ainda se estabelecendo como povos navegadores e conquistadores. Foi nesta época
que os Vikings estabeleceram suas primeiras colônias e bases militares fora de
suas terras natais. 6.1.1 – Os Noruegueses no Período de 750 a
850: Por volta de 750, os povoados e cidadezinhas do
fiorde Vik já estavam unificados sob o controle do Rei Viking de Oslo. Esses
povos sobreviviam através da caça, da agricultura e da pesca.Mas tinham o sonho
de obterem as riquezas das quais os viajantes falavam. |
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Os Reis de Oslo haviam, com o intuito
inicial de se protegerem de ataques dos Suecos e de Bergen, incentivado a
criação de um exército profissional. Estes homens eram da mais alta classe
social: os karls, e eram sustentados pelo governo para treinarem técnicas
de combate. Eles compravam suas armas e vestimentas com recursos próprios,
e estavam sempre prontos para o combate.
No ano de 793, alguns navios carregados de
soldados profissionais deixaram o fiorde Vik e rumaram para as ilhas
Britânicas. Seu destino era a atual Holy Island, na Inglaterra. Na época
esta ilha se chamava Lindisfarne e havia nela um feudo da Igreja, com um
Mosteiro de relativa
importância.
É bom que se esclareça que a Inglaterra
havia sido convertida à fé Cristã pelos Romanos no século IV, mas com sua
saída, no século V, ela foi invadida pelos povos Teutônicos (Frísios,
Jutos, Anglos e Saxões), que perseguiram os nativos Britânicos (que haviam
sido convertidos pelos Romanos). Mais ao norte, na atual Escócia, havia os
Celtas, que já praticavam o Cristianismo também desde os tempos
Romanos.
Os Britânicos foram caçados pelos Teutônicos
e foram obrigados a se refugiar em pontos do extremo ocidente da ilha: a
Cornualha, mais ao sul; Gales mais ao centro; e Strathclyde, mais ao
norte, perto dos Celtas e dos Pictos que habitavam a região da atual
Escócia. Os Celtas, junto com os Britânicos tornaram Cristã a Irlanda, mas
não tiveram o mesmo sucesso na Inglaterra em si. Porém, em 597, uma missão
enviada por Roma e chefiada por Santo Agostinho (este é o segundo Santo
Agostinho, antes dele existiu um outro que viveu no século IV) chegou ao
Reino Teutônico de Kent (na região sudeste da Inglaterra) e conseguiu
convertê-lo ao Catolicismo, Santo Agostinho teve sua missão facilitada
pelo fato de que a esposa do Rei de Kent era Celta, e por isso,
Cristã. |