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OS VIKINGS

Danilo José Figueiredo - danilo_jose_figueiredo@hotmail.com
3º Semestre - História/USP

O Ásatrú é baseado na renovação (digo é, pois ainda hoje existem seguidores dessa religião), ou seja, num passado remoto teriam existido outros deuses que não os atuais, que numa guerra foram vencidos e destruídos pelos atuais que ocuparam seu lugar. Porém, os próprios deuses atuais também virão a ser destruídos numa guerra e, portanto, substituídos por outros deuses num futuro distante. Essa guerra entre os deuses é conhecida como Ragnarök.

No Ragnarök, todos os deuses velhos morrerão e junto com eles, também a humanidade, serão então os deuses velhos substituídos por novos e a humanidade recomeçará do zero. Esse mito é uma clara alusão ao Apocalipse da Bíblia, onde todos serão julgados, os bons serão salvos e os maus punidos, no fim do mundo.

Os Vikings acreditavam que o mundo, bem como o céu (lugar onde os deuses moravam), chamado de Asgard existia não devido aos deuses, mas sim a uma árvore mágica chamada Yggdrasill. Esta árvore teria as raízes tão profundas que apenas as criaturas hostis (rejeitadas pelos deuses (como os Anões) viviam à sua volta; ao redor do caule de Yggdrasill estava o mundo dos homens, ou seja, o nosso mundo, chamado de Midgard; e acima das folhas mais altas localizava-se Asgard.

Para os Nórdicos também existia uma alma, que eles chamavam Filgia. A Filgia só se separava do corpo em duas ocasiões: na morte e ao dormir. Em ambas as ocasiões, a alma ia “dar um passeio” no Reino dos mortos (que depois explicarei com era) e se encontrava com as pessoas falecidas, sendo assim, os Vikings acreditavam que ao dormirem podiam ter  presságios de coisas que estavam por acontecer, sendo os sonhos, por isso, considerados muito importantes.

O ponto mais importante da Ásatrú, no entanto era a doutrina que julgo semelhante à doutrina Protestante. Entendam: a Escandinávia era extremamente fria o ano todo, por isso, a agricultura é muito difícil.


A foto ao lado mostra o fenômeno denominado “Sol da Meia-noite”,
que ocorre anualmente no norte da Escandinávia.Este fenômeno
não ocorre na Dinamarca, por esta se situar mais ao sul,
em relação a Noruega.

Pois bem, o mundo do mortos estava dividido em duas partes: uma chamada Walhalla, análoga à nossa noção de Paraíso e outra chamada Hel, análoga à nossa noção de Inferno. Walhalla tinha o clima ameno e o solo extremamente fértil, além de o sol brilhar o tempo todo, coisa que não acontece no Círculo Polar Ártico, pois durante boa parte do ano, as pessoas são submetidas a chamada noite eterna, e em outras épocas, o sol nasce à meia-noite. Já Hel (nome que inspirou nos Ingleses a palavra Hell, que em inglês quer dizer Inferno) era gélido, com terras estéreis e noite perpétua, ou seja, um retrato da Escandinávia. Isso (a semelhança de sua terra natal com Hel) incentivava as pessoas a quererem deixá-la, rumo a um lugar mais quente, de terras mais férteis e onde o dia e a noite se eqüivalessem (ver item 4 – O Ser Viking).

Somente essa comparação entre a Escandinávia e o Hel já seria suficiente para incentivar as pessoas a colonizar outras regiões, no entanto, havia um outro motivo mais forte que empurrava as pessoas a isso.

Quando realizavam reides a outras regiões, mesmo que não as colonizassem, os Vikings roubavam muitas riquezas e, por tanto, melhoravam de vida. Pois bem, Walhalla estava reservada para os corajosos, ou seja, os que morreram lutando; para os saudáveis, os escolhidos dos deuses; e para os ricos e bem sucedidos.


Representação de um
guerreiro Viking

Em contraposição, Hel estava reservado aos doentes, aos medrosos e aos pobres. Por isso, todos lutavam para melhorar de vida, pois assim, ainda que mortos, iriam para o tão sonhado lugar melhor.

É inevitável que se façam comparações entre as religiões Ásatrú, Luterana e Calvinista. Uma vez que a doutrina Calvinista prevê a salvação pela predestinação, ou seja, os que forem escolhidos pelos deus (ou por Deus) para se tornarem ricos, receberam um sinal divino de que serão salvos, e doutrina Luterana diz que a salvação é dada pela fé, tanto que ela pode ser claramente ilustrada na seguinte frase: “Filha, peca forte. Mas crê mais ainda, e serás salva”. A semelhança é óbvia, uma vez que não importava aos Vikings as boas obras que tivessem deixado na terra, ou mesmo a correção de suas vidas, o que importava era que acreditassem em seus deuses (pois se não acreditassem, não teriam estímulo para lutar), pois se fossem escolhidos por eles para serem bem sucedidos (ganhassem as lutas e, por isso, enriquecessem) seriam salvos, caso contrário, a danação os esperava.

Cabe ,depois de tal comparação, questionar se Lutero e Calvino não conheciam o Ásatrú, pois se o conheciam, podemos então dizer que não passavam de plagiadores de uma doutrina muito mais antiga. Sendo assim, a única coisa que teriam feito na realidade foi adaptá-la à fé Cristã.

Sei que já me alonguei muito no que diz respeito às crenças Vikings, mas, como veremos mais adiante, elas serão importantíssimas para a compreensão do que era ser Viking e além disso, constituem talvez um dos mais importantes legados Vikings aos nossos dias.

Abaixo segue a lista das principais divindades do Ásatrú, especificadas com seus poderes e algumas curiosidades.

 

Odin: Era o principal Deus Viking. Ele governava Asgard e também Midgard. Vivia montado em seu cavalo negro de oito patas chamado Sleiphir, e seguido por seus dois lobos de estimação: Geri e Freki. Era o Deus da Magia, da Morte e da Guerra, empunhava a lança Gungnir, que nunca erra o alvo. Ele também era o Protetor dos Estadistas (governantes) e dos Poetas. Segundo o imaginário Viking, o principal presente de Odin aos homens foi a sabedoria, representada pelo Alfabeto Rúnico, entretanto, Odin teve que fazer um grande sacrifício para poder criar este alfabeto. Sacrifício este que lhe custou o olho direito. Odin era celebrado na quartas-feiras, e por isso, este dia ficou conhecido como Odinsday, que depois, tornou-se em inglês a Wednesday (quarta-feira). O possível análogo de Odin na mitologia Grega é Zeus, por se tratar do Deus dos deuses.

 

Frigg: Era a esposa de Odin, conhecida por saber de todos os segredos do Universo, entretanto, ela não contava estes segredos para ninguém, nem mesmo para Odin. É a deusa da Fertilidade e suas possíveis análogas na Mitologia Grega são Era, por se tratar da mulher de Zeus e Deusa dos Partos, ou Gaia, por se tratar da Mãe Terra, a Fertilidade em pessoa.

 

Thor: É com certeza o Deus mais conhecido do Ásatrú. Isso devido, é claro, ao famoso desenho de nome “Thor, o Deus do Trovão”. Na verdade, Thor não era apenas o Deus do Trovão, mas também o Deus da Chuva, do Relâmpago e da Vingança. Ele era o melhor entre todos os guerreiros de Asgard, mas não era o Deus da Guerra, nem dos Guerreiros. Empunhando seu mítico martelo de pedra chamado Mijollnir, ele era invencível em qualquer batalha. Os guerreiros Vikings costumavam usar réplicas em miniatura do Mijollnir penduradas em seus pescoços durante as batalhas, pois acreditavam que assim também seriam invencíveis, como o Deus. Apesar disso, Thor era o menos inteligente de todos os deuses. O possível análogo de Thor na Mitologia Grega é Apolo, por ser filho de Zeus, bem como Thor é filho de Odin, além disso, Apolo é o Deus do Sol, e Thor também é Deus de entidades celestes. Este Deus era reverenciado todas as quintas-feiras, sendo este dia chamado de Thorsday, que deu origem ao nome da quinta-feira em inglês, ou seja, Thursday.

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