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O Ásatrú é baseado na renovação (digo é, pois
ainda hoje existem seguidores dessa religião), ou seja, num passado remoto
teriam existido outros deuses que não os atuais, que numa guerra foram vencidos
e destruídos pelos atuais que ocuparam seu lugar. Porém, os próprios deuses
atuais também virão a ser destruídos numa guerra e, portanto, substituídos por
outros deuses num futuro distante. Essa guerra entre os deuses é conhecida como
Ragnarök. No Ragnarök, todos os deuses velhos morrerão e
junto com eles, também a humanidade, serão então os deuses velhos substituídos
por novos e a humanidade recomeçará do zero. Esse mito é uma clara alusão ao
Apocalipse da Bíblia, onde todos serão julgados, os bons serão salvos e os maus
punidos, no fim do mundo. Os Vikings acreditavam que o mundo, bem como o céu
(lugar onde os deuses moravam), chamado de Asgard existia não devido aos deuses,
mas sim a uma árvore mágica chamada Yggdrasill. Esta árvore teria as raízes tão
profundas que apenas as criaturas hostis (rejeitadas pelos deuses (como os
Anões) viviam à sua volta; ao redor do caule de Yggdrasill estava o mundo dos
homens, ou seja, o nosso mundo, chamado de Midgard; e acima das folhas mais
altas localizava-se Asgard.
Para os Nórdicos também existia uma alma, que eles
chamavam Filgia. A Filgia só se separava do corpo em duas ocasiões: na morte e
ao dormir. Em ambas as ocasiões, a alma ia “dar um passeio” no Reino dos mortos
(que depois explicarei com era) e se encontrava com as pessoas falecidas, sendo
assim, os Vikings acreditavam que ao dormirem podiam ter presságios de
coisas que estavam por acontecer, sendo os sonhos, por isso, considerados muito
importantes. O ponto mais importante da Ásatrú, no entanto era
a doutrina que julgo semelhante à doutrina Protestante. Entendam: a Escandinávia
era extremamente fria o ano todo, por isso, a agricultura é muito
difícil. |
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A foto ao lado mostra o fenômeno denominado
“Sol da Meia-noite”, que ocorre anualmente no
norte da Escandinávia.Este fenômeno não ocorre na Dinamarca, por esta
se situar mais ao sul, em relação a Noruega. |
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Pois bem, o mundo do mortos estava dividido
em duas partes: uma chamada Walhalla, análoga à nossa noção de Paraíso e
outra chamada Hel, análoga à nossa noção de Inferno. Walhalla tinha o
clima ameno e o solo extremamente fértil, além de o sol brilhar o tempo
todo, coisa que não acontece no Círculo Polar Ártico, pois durante boa
parte do ano, as pessoas são submetidas a chamada noite eterna, e em
outras épocas, o sol nasce à meia-noite. Já Hel (nome que inspirou nos
Ingleses a palavra Hell, que em inglês quer dizer Inferno) era gélido, com
terras estéreis e noite perpétua, ou seja, um retrato da Escandinávia.
Isso (a semelhança de sua terra natal com Hel) incentivava as pessoas a
quererem deixá-la, rumo a um lugar mais quente, de terras mais férteis e
onde o dia e a noite se eqüivalessem (ver item 4 – O Ser
Viking). |
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Somente essa
comparação entre a Escandinávia e o Hel já seria suficiente para
incentivar as pessoas a colonizar outras regiões, no entanto, havia
um outro motivo mais forte que empurrava as pessoas a isso.
Quando realizavam
reides a outras regiões, mesmo que não as colonizassem, os Vikings
roubavam muitas riquezas e, por tanto, melhoravam de vida. Pois bem,
Walhalla estava reservada para os corajosos, ou seja, os que
morreram lutando; para os saudáveis, os escolhidos dos deuses; e
para os ricos e bem sucedidos. |

Representação de um
guerreiro Viking |
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Em contraposição, Hel estava reservado aos
doentes, aos medrosos e aos pobres. Por isso, todos lutavam para melhorar
de vida, pois assim, ainda que mortos, iriam para o tão sonhado lugar
melhor. |
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É inevitável que se façam comparações entre as religiões
Ásatrú, Luterana e Calvinista. Uma vez que a doutrina Calvinista prevê a
salvação pela predestinação, ou seja, os que forem escolhidos pelos deus (ou por
Deus) para se tornarem ricos, receberam um sinal divino de que serão salvos, e
doutrina Luterana diz que a salvação é dada pela fé, tanto que ela pode ser
claramente ilustrada na seguinte frase: “Filha, peca forte. Mas crê mais ainda,
e serás salva”. A semelhança é óbvia, uma vez que não importava aos Vikings as
boas obras que tivessem deixado na terra, ou mesmo a correção de suas vidas, o
que importava era que acreditassem em seus deuses (pois se não acreditassem, não
teriam estímulo para lutar), pois se fossem escolhidos por eles para serem bem
sucedidos (ganhassem as lutas e, por isso, enriquecessem) seriam salvos, caso
contrário, a danação os esperava.
Cabe ,depois de tal comparação, questionar se
Lutero e Calvino não conheciam o Ásatrú, pois se o conheciam, podemos então
dizer que não passavam de plagiadores de uma doutrina muito mais antiga. Sendo
assim, a única coisa que teriam feito na realidade foi adaptá-la à fé
Cristã. Sei que já me alonguei muito no que diz respeito
às crenças Vikings, mas, como veremos mais adiante, elas serão importantíssimas
para a compreensão do que era ser Viking e além disso, constituem talvez um dos
mais importantes legados Vikings aos nossos dias.
Abaixo segue a lista das principais divindades do
Ásatrú, especificadas com seus poderes e algumas curiosidades. |
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Odin: Era o principal Deus Viking.
Ele governava Asgard e também Midgard. Vivia montado em seu cavalo negro
de oito patas chamado Sleiphir, e seguido por seus dois lobos de
estimação: Geri e Freki. Era o Deus da Magia, da Morte e da Guerra,
empunhava a lança Gungnir, que nunca erra o alvo. Ele também era o
Protetor dos Estadistas (governantes) e dos Poetas. Segundo o imaginário
Viking, o principal presente de Odin aos homens foi a sabedoria,
representada pelo Alfabeto Rúnico, entretanto, Odin teve que fazer um
grande sacrifício para poder criar este alfabeto. Sacrifício este que lhe
custou o olho direito. Odin era celebrado na quartas-feiras, e por isso,
este dia ficou conhecido como Odinsday, que depois, tornou-se em inglês a
Wednesday (quarta-feira). O possível análogo de Odin na mitologia Grega é
Zeus, por se tratar do Deus dos
deuses. |
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Frigg: Era a esposa de Odin, conhecida por saber de
todos os segredos do Universo, entretanto, ela não contava estes segredos para
ninguém, nem mesmo para Odin. É a deusa da Fertilidade e suas possíveis análogas
na Mitologia Grega são Era, por se tratar da mulher de Zeus e Deusa dos Partos,
ou Gaia, por se tratar da Mãe Terra, a Fertilidade em pessoa. |
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Thor:
É com certeza o Deus mais
conhecido do Ásatrú. Isso devido, é claro, ao famoso desenho de nome
“Thor, o Deus do Trovão”. Na verdade, Thor não era apenas o Deus do
Trovão, mas também o Deus da Chuva, do Relâmpago e da Vingança. Ele era o
melhor entre todos os guerreiros de Asgard, mas não era o Deus da Guerra,
nem dos Guerreiros. Empunhando seu mítico martelo de pedra chamado
Mijollnir, ele era invencível em qualquer batalha. Os guerreiros Vikings
costumavam usar réplicas em miniatura do Mijollnir penduradas em seus
pescoços durante as batalhas, pois acreditavam que assim também seriam
invencíveis, como o Deus. Apesar disso, Thor era o menos inteligente de
todos os deuses. O possível análogo de Thor na Mitologia Grega é Apolo,
por ser filho de Zeus, bem como Thor é filho de Odin, além disso, Apolo é
o Deus do Sol, e Thor também é Deus de entidades celestes. Este Deus era
reverenciado todas as quintas-feiras, sendo este dia chamado de Thorsday,
que deu origem ao nome da quinta-feira em inglês, ou seja,
Thursday. |
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