Favoritos Recomende

   

     
 
Destaques
 
 

OS VIKINGS

Danilo José Figueiredo - danilo_jose_figueiredo@hotmail.com
3º Semestre - História/USP

As embarcações Vikings eram de dois tipos básicos: as de transporte e comércio; e as de guerra. Ambas tinham em comum o fato de serem longas, estreitas e com quilhas (parte de baixo do navio) que penetravam muito pouco na água.

Sendo assim, elas podiam navegar com estabilidade tanto no mar profundo, quanto em rios rasos, podendo chegar até a praia para que os guerreiros descessem e atacassem o lugar. A supremacia das embarcações Vikings não estava somente na estabilidade, mas também na utilização combinada de remos e velas. Os navios geralmente navegavam com o vento através de velas (foram os primeiros navios da História a usarem o vento como principal fonte de movimento), só utilizavam os remos quando não havia vento.

Existiam, como já mencionei, dois tipos de embarcações, a diferença entre elas era que as mercantes e de transporte, as chamadas knorrs, eram maiores e mais largas que as destinadas a guerra, as chamadas drakkars. Uma knorr precisava ser maior do que uma drakkar pelo fato de que transportava produtos, algumas vezes elas levavam até gado, era também nelas que as pessoas comuns se mudavam para colônias recém estabelecidas.

Tantos as drakkars quanto as knorrs eram enfeitadas com cabeças de dragões ou serpentes em suas proas e com velas listradas (ou xadrezes) em misturas de verde, vermelho ou azul com branco. Nas drakkars, cada homem ia sentado em cima de um pacote que continha suas armas e armadura, este pacote servia-lhe de banco, cada um também tinha um remo, e o último homem era o encarregado do leme, que dava direção ao navio. Quando o navio estava para chegar ao local do ataque, os homens desfaziam seus pacotes e se preparavam para o ataque. Cada drakkar transportava em média quarenta guerreiros, uma knorr transportava muito mais pessoas ainda. Foi graças as drakkars e as knorrs que os Vikings conseguiram colonizaram grande parte das ilhas Britânicas, assaltar a Europa e descobrir a Islândia, a Groenlândia e a América.


Representação de um navio mercante

3.4 – Religião e Mitos:

Os Vikings não eram criaturas enviadas pelo demônio, ou mesmo homens sem religião, como pensavam alguns homens da época. Apesar de seu costume (que desagradava em muito a Igreja Católica e que lhes proporcionou tais famas) de saquear mosteiros, os Vikings eram extremamente religiosos e desenvolveram uma religião muito peculiar por ser, além de semelhante às doutrinas Protestantes que lhe foram posteriores por cerca de quinhentos anos, um dos maiores, senão o maior incentivo que os Nórdicos tiveram para realizar sua expansão.

Além de uma religião muito evoluída (no sentido de ser adaptada às necessidades de sua população), os Vikings também possuíam vários mitos, como Anões, Dragões, Duendes, Serpentes Marinhas, Gnomos, Elfos e Sereias. Todos estes mitos, por sinal, hoje em dia povoam os chamados RPGs, que foram a febre dos adolescentes da década de 90. O interessante em se estudar tais mitos é justamente entender como, quando e porque surgiram suas idealizações.

Sendo assim abordarei inicialmente as idealizações da mitologia Viking, passando depois às suas crenças religiosas propriamente ditas.

Os Vikings acreditavam que os homens podiam ser perturbados por Elfos e Duendes, que segundo eles seriam criaturas pequenas e com capacidades de se tornarem invisíveis (ou de se esconderem das pessoas de tal forma que não podiam ser encontradas). Os Duendes, segundo as crenças Vikings eram sabotadores natos, gostavam de roubar coisas e escondê-las dos homens. Podiam até provocar naufrágios caso sabotassem um navio. Já os Elfos eram muito parecidos com os humanos, só que bem menores, com orelhas puxadas e poderes mágicos. Alguns rituais de bruxaria invocavam estas entidades para pedir ajuda ou prejudicar outras pessoas (os Elfos são um pouco semelhantes ao que representa o Saci Pererê no folclore Brasileiro do interior).

Os Gnomos eram parecidos com os Duendes, porém, com características boas. Eles protegiam os animais e as florestas, além de guardarem o pote de ouro de Asgard (o céu dos Vikings).

Mitos como os das Serpentes Marinhas e Sereias são de fácil compreensão, à medida que os Vikings (principalmente os Noruegueses) adentravam no oceano, o medo dos naufrágios se tornava mais presente, sendo assim a crença em criaturas que os proporcionavam era lógica. As Sereias eram temidas pelos navegadores, pois segundo a lenda, elas ficariam sentadas sobre os rochedos próximos do litoral e com seu canto hipnótico atrairiam os homens para lá, fazendo o navio bater nas rochas e afundar, matando a todos, além disso, elas também podiam aparecer no meio do mar, onde com seu canto podiam fazer os homens se atirarem na água para pegá-las, morrendo afogados. No entanto, as Sereias não são uma criação da Mitologia Viking, uma vez que já existem lendas de Sereias em contos antigos como a Odisséia, do Grego Homero. Já as Serpentes Marinhas (comuns em representações artísticas de mapas da Idade Média) eram criaturas que habitavam as água profundas, algumas vezes elas podiam querer se alimentar dos homens, sendo assim subiam à superfície e tentavam virar as embarcações para depois devorar os tripulantes. Justamente para se protegerem das Serpentes Marinhas e de outros perigos imaginários, os Vikings utilizavam na proa de seus barcos cabeças de Dragão, pois assim, estariam protegidos, uma vez que acreditavam que o Dragão era o animal mais poderoso e, portanto, mais temido do mundo.

A crença na existência de Dragões, no entanto, não é de origem Viking. Ela remonta a um passado muito mais remoto, e teria surgido na China, cerca de cinco mil anos antes de Cristo, quando os Chineses encontravam esqueletos de dinossauros e tentavam explicar de onde teriam surgido ossadas tão enormes. De um forma desconhecida, esta crença (a dos Dragões) se difundiu pelos séculos e pelas regiões até atingir a Escandinávia. No entanto, os Vikings foram os responsáveis pela instituição do mito dos Dragões na Europa. Quando vemos filmes sobre histórias de Dragões, ou jogamos RPGs com Dragões, aqueles animais não são os do imaginário Chinês, mas sim os do imaginário Viking.


Dragão Vermelho de jogos de RPG. Sua figura afastava os perigos.

 


Anões de RPGs. Figuras
inspiradas em lendas
Vikings e formas
inspiradas em povos
medievais.

Por fim, não podemos nos esquecer dos Anões. Se pensarmos novamente nos jogos de RPG, lembraremos que os Anões nesses jogos são sempre representados com a imagem que temos dos Vikings (imagem que, como já expliquei, é falsa), ou seja, utilizam elmos com chifres, botas e roupas peludas e sua arma preferida é um machado (o machado era realmente a principal arma Viking, mas o machado de mão, não o machado de batalha que é muito maior e que necessita da utilização das duas mãos em sua operação, não usavam este machado, pois gostavam de usar escudos), a imagem dos Anões de RPGs também pode ser a de outros povos Medievais, como Árabes e até Cristãos.

Pois bem, não é que na Idade Média não existissem as pessoas com baixa estatura, que hoje são conhecidas como anões, mas os Anões mitológicos são criação da Mitologia Viking. Os Nórdicos acreditavam que esses seres eram imortais e viviam embaixo da terra, eles eram mineiros, e apesar de desprezados pelos Deuses, sempre que podiam, ajudavam os homens.

Mas falemos agora sobre a Religião Viking propriamente dita. Ela era uma seita complexa, com um panteão (conjunto de deuses) muito semelhante ao da Mitologia Grega (talvez inspirado nela), o comportamento dos Deuses em suas interações com os homens também eram muito semelhante ao da Mitologia Grega, porém, a motivação social desta religião, diferentemente da Grega, não era apenas explicar fenômenos e reações inexplicáveis, mas também, e principalmente, estimular o povo que a adota a melhorar de vida; tal qual as doutrinas Protestantes do século XVI.

A Religião Viking se chamava Ásatrú, ou Vanatrú. Não havia nela uma explicação própria para a criação do mundo, como na maioria das religiões, bem como, diferentemente da maioria das religiões, o culto aos Deuses não era realizado em templos, pois os Vikings não os construíam. Os cultos eram realizados em locais onde as pessoas se sentiam em total sintonia com a natureza, ou seja, normalmente próximo a cachoeiras, lagos, florestas ou até na beira do mar; desde que o lugar fosse afastado da civilização.

VOLTAR

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14

AVANÇAR

 
Publicidade
 
 
     

| CAMPINAS | ANIMAIS | ARTE E CULTURA | AUTOMÓVEIS | COMPRAS E VENDAS | CURIOSIDADES |
|
ECONOMIA | EDUCAÇÃO | ESPORTES | GOVERNO | INTERNET | LAZER E DIVERSÃO |
|
NOTÍCIAS E MÍDIA | SAÚDE | SERVIÇOS | SOCIEDADE | TEENS | TURISMO | UTILIDADES
|