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As embarcações Vikings eram de dois tipos
básicos: as de transporte e comércio; e as de guerra. Ambas tinham em
comum o fato de serem longas, estreitas e com quilhas (parte de baixo do
navio) que penetravam muito pouco na
água.
Sendo assim, elas podiam navegar com estabilidade
tanto no mar profundo, quanto em rios rasos, podendo chegar até a praia para que
os guerreiros descessem e atacassem o lugar. A supremacia das embarcações
Vikings não estava somente na estabilidade, mas também na utilização combinada
de remos e velas. Os navios geralmente navegavam com o vento através de velas
(foram os primeiros navios da História a usarem o vento como principal fonte de
movimento), só utilizavam os remos quando não havia vento.
Existiam, como já mencionei, dois tipos de
embarcações, a diferença entre elas era que as mercantes e de transporte, as
chamadas knorrs, eram maiores e mais largas que as destinadas a guerra, as
chamadas drakkars. Uma knorr precisava ser maior do que uma drakkar pelo fato de
que transportava produtos, algumas vezes elas levavam até gado, era também nelas
que as pessoas comuns se mudavam para colônias recém estabelecidas.
Tantos as drakkars quanto as knorrs eram
enfeitadas com cabeças de dragões ou serpentes em suas proas e com velas
listradas (ou xadrezes) em misturas de verde, vermelho ou azul com branco. Nas
drakkars, cada homem ia sentado em cima de um pacote que continha suas armas e
armadura, este pacote servia-lhe de banco, cada um também tinha um remo, e o
último homem era o encarregado do leme, que dava direção ao navio. Quando o
navio estava para chegar ao local do ataque, os homens desfaziam seus pacotes e
se preparavam para o ataque. Cada drakkar transportava em média quarenta
guerreiros, uma knorr transportava muito mais pessoas ainda. Foi graças as
drakkars e as knorrs que os Vikings conseguiram colonizaram grande parte das
ilhas Britânicas, assaltar a Europa e descobrir a Islândia, a Groenlândia e a
América. |
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Representação de um navio
mercante |
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3.4 – Religião e Mitos:
Os Vikings não eram criaturas enviadas pelo
demônio, ou mesmo homens sem religião, como pensavam alguns homens da época.
Apesar de seu costume (que desagradava em muito a Igreja Católica e que lhes
proporcionou tais famas) de saquear mosteiros, os Vikings eram extremamente
religiosos e desenvolveram uma religião muito peculiar por ser, além de
semelhante às doutrinas Protestantes que lhe foram posteriores por cerca de
quinhentos anos, um dos maiores, senão o maior incentivo que os Nórdicos tiveram
para realizar sua expansão.
Além de uma religião muito evoluída (no sentido de
ser adaptada às necessidades de sua população), os Vikings também possuíam
vários mitos, como Anões, Dragões, Duendes, Serpentes Marinhas, Gnomos, Elfos e
Sereias. Todos estes mitos, por sinal, hoje em dia povoam os chamados RPGs, que
foram a febre dos adolescentes da década de 90. O interessante em se estudar
tais mitos é justamente entender como, quando e porque surgiram suas
idealizações. Sendo assim abordarei inicialmente as idealizações
da mitologia Viking, passando depois às suas crenças religiosas propriamente
ditas. Os Vikings acreditavam que os homens podiam ser
perturbados por Elfos e Duendes, que segundo eles seriam criaturas pequenas e
com capacidades de se tornarem invisíveis (ou de se esconderem das pessoas de
tal forma que não podiam ser encontradas). Os Duendes, segundo as crenças
Vikings eram sabotadores natos, gostavam de roubar coisas e escondê-las dos
homens. Podiam até provocar naufrágios caso sabotassem um navio. Já os Elfos
eram muito parecidos com os humanos, só que bem menores, com orelhas puxadas e
poderes mágicos. Alguns rituais de bruxaria invocavam estas entidades para pedir
ajuda ou prejudicar outras pessoas (os Elfos são um pouco semelhantes ao que
representa o Saci Pererê no folclore Brasileiro do interior).
Os Gnomos eram parecidos com os Duendes, porém,
com características boas. Eles protegiam os animais e as florestas, além de
guardarem o pote de ouro de Asgard (o céu dos Vikings).
Mitos como os das Serpentes Marinhas e Sereias são
de fácil compreensão, à medida que os Vikings (principalmente os Noruegueses)
adentravam no oceano, o medo dos naufrágios se tornava mais presente, sendo
assim a crença em criaturas que os proporcionavam era lógica. As Sereias eram
temidas pelos navegadores, pois segundo a lenda, elas ficariam sentadas sobre os
rochedos próximos do litoral e com seu canto hipnótico atrairiam os homens para
lá, fazendo o navio bater nas rochas e afundar, matando a todos, além disso,
elas também podiam aparecer no meio do mar, onde com seu canto podiam fazer os
homens se atirarem na água para pegá-las, morrendo afogados. No entanto, as
Sereias não são uma criação da Mitologia Viking, uma vez que já existem lendas
de Sereias em contos antigos como a Odisséia, do Grego Homero. Já as Serpentes
Marinhas (comuns em representações artísticas de mapas da Idade Média) eram
criaturas que habitavam as água profundas, algumas vezes elas podiam querer se
alimentar dos homens, sendo assim subiam à superfície e tentavam virar as
embarcações para depois devorar os tripulantes. Justamente para se protegerem
das Serpentes Marinhas e de outros perigos imaginários, os Vikings utilizavam na
proa de seus barcos cabeças de Dragão, pois assim, estariam protegidos, uma vez
que acreditavam que o Dragão era o animal mais poderoso e, portanto, mais temido
do mundo. A crença na existência de Dragões, no
entanto, não é de origem Viking. Ela remonta a um passado muito mais
remoto, e teria surgido na China, cerca de cinco mil anos antes de Cristo,
quando os Chineses encontravam esqueletos de dinossauros e tentavam
explicar de onde teriam surgido ossadas tão enormes. De um forma
desconhecida, esta crença (a dos Dragões) se difundiu pelos séculos e
pelas regiões até atingir a Escandinávia. No entanto, os Vikings foram os
responsáveis pela instituição do mito dos Dragões na Europa. Quando vemos
filmes sobre histórias de Dragões, ou jogamos RPGs com Dragões, aqueles
animais não são os do imaginário Chinês, mas sim os do imaginário
Viking. |
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Dragão Vermelho de
jogos de RPG. Sua figura afastava os
perigos. |
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Anões de RPGs.
Figuras inspiradas em lendas Vikings e formas
inspiradas em
povos medievais. |
Por fim, não podemos nos esquecer dos
Anões. Se pensarmos novamente nos jogos de RPG, lembraremos que os Anões
nesses jogos são sempre representados com a imagem que temos dos Vikings
(imagem que, como já expliquei, é falsa), ou seja, utilizam elmos com
chifres, botas e roupas peludas e sua arma preferida é um machado (o
machado era realmente a principal arma Viking, mas o machado de mão, não o
machado de batalha que é muito maior e que necessita da utilização das
duas mãos em sua operação, não usavam este machado, pois gostavam de usar
escudos), a imagem dos Anões de RPGs também pode ser a de outros povos
Medievais, como Árabes e até Cristãos. |
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Pois bem, não é que na Idade
Média não existissem as pessoas com baixa estatura, que hoje são conhecidas como
anões, mas os Anões mitológicos são criação da Mitologia Viking. Os
Nórdicos acreditavam que esses seres eram imortais e viviam embaixo da
terra, eles eram mineiros, e apesar de desprezados pelos Deuses, sempre
que podiam, ajudavam os homens.
Mas falemos agora sobre a Religião Viking
propriamente dita. Ela era uma seita complexa, com um panteão (conjunto de
deuses) muito semelhante ao da Mitologia Grega (talvez inspirado nela), o
comportamento dos Deuses em suas interações com os homens também eram muito
semelhante ao da Mitologia Grega, porém, a motivação social desta religião,
diferentemente da Grega, não era apenas explicar fenômenos e reações
inexplicáveis, mas também, e principalmente, estimular o povo que a adota a
melhorar de vida; tal qual as doutrinas Protestantes do século XVI.
A Religião Viking se chamava Ásatrú, ou Vanatrú.
Não havia nela uma explicação própria para a criação do mundo, como na maioria
das religiões, bem como, diferentemente da maioria das religiões, o culto aos
Deuses não era realizado em templos, pois os Vikings não os construíam. Os
cultos eram realizados em locais onde as pessoas se sentiam em total sintonia
com a natureza, ou seja, normalmente próximo a cachoeiras, lagos, florestas ou
até na beira do mar; desde que o lugar fosse afastado da
civilização. |
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