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OS VIKINGS

Danilo José Figueiredo - danilo_jose_figueiredo@hotmail.com
3º Semestre - História/USP

As semeaduras ocorriam tão logo a primavera começava, pois os grãos precisavam ser colhidos no final do verão para que pudessem ser armazenados para o outono e inverno. Durante o inverno, as principais fontes de alimentos eram a carne de gado e das caças que eles obtinham. No verão o gado era transportado para as montanhas para pastar longe das plantações.

Nas fazendas, as pessoas moravam geralmente em grandes casarões comunitários. Geralmente esses casarões eram habitados pelas famílias. Por exemplo: três irmãos, com suas respectivas esposas, filhos e netos.

As mulheres tinham a função de ajudar os maridos, além de cozinharem e fazerem as roupas para toda a família. Quando os maridos se ausentavam caçando ou guerreando (não só os soldados profissionais lutavam nas guerras, o grosso dos contingentes era de homens do povo), as mulheres se tornavam as chefes do lar, não só defendendo-o contra invasores e bandidos, mas também comerciando com os mercadores.

As sociedades Vikings eram monogâmicas e o núcleo familiar era como o das sociedades Cristãs, com o homem ocupando o lugar de chefe da casa, tendo inclusive um assento diferenciado (aonde somente ele podia sentar).

Reconstruções de casas da época Viking. O telhado era recoberto de turfa (tipo de grama) para proteger os moradores contra o frio. Elas eram compostas de um único cômodo onde todos dormiam, comiam, as mulheres costuravam... Havia uma lareira no centro do cômodo, cuja saída era no meio do telhado, como não havia chaminé, a casa devia ser enfumaçada e os incêndios freqüentes.

As campanhas militares eram geralmente no inverno, pois assim os homens do povo podiam integrar os exércitos sem terem prejuízos maiores, pois teriam feito as colheitas em suas fazendas.

A arquitetura variava de acordo com a região ocupada, ou seja, dependendo do frio e dos recursos naturais disponíveis as casas e outras construções eram feitas com um ou outro tipo de madeira. Aliás, a madeira era a principal matéria prima para as construções Vikings (o que dificultou as chances de achados arqueológicos, pois a madeira se decompõe), por ser extremamente abundante, principalmente na Noruega, mas também nas regiões colonizadas posteriormente, como Islândia, Groenlândia e ilhas Britânicas.

Porém, nem só em fazendas viviam os Vikings. Existiam também grandes cidades em seus domínios, e eles fundaram outras também. As principais cidades da Noruega e Dinamarca na Era Viking eram: Oslo, Kaupang, Gokstad, Bergen e Trondheim, na Noruega; e Jelling e Hedeby, na Dinamarca. Estas cidade eram na maioria das vezes localizadas ao redor de fiordes e protegidas com altas e largas muralhas de terra batida. Nelas as casas eram bem menores, morando apenas o núcleo familiar em si (homem, mulher e filhos).

As obrigações eram semelhantes, mas as cidades não dependiam da agricultura local para sobreviverem, elas podiam fazer isso através do comércio que era a sua principal fonte de lucros.

Talvez a mais importante cidade Viking tenha sido Hedeby, na Dinamarca. O comércio na região era tão intenso que chegava a atrair até mesmo os Árabes da Espanha. Os Vikings vendiam e compravam de tudo, mas um de seus principais produtos de venda eram os escravos, no mais das vezes prisioneiros feitos em reides às ilhas Britânicas.

Sabe-se que para um Viking, o dia do nascimento era muito importante, sendo nele definido o nome que o bebê teria. O nome da pessoa, segundo a crença, determinava seu caráter.


Representação da cidade e do mercado de Hedeby,
com suas muralhas em terra e mar

Sabe-se que para um Viking, o dia do nascimento era muito importante, sendo nele definido o nome que o bebê teria. O nome da pessoa, segundo a crença, determinava seu caráter.

Os Vikings também se preocupavam com a educação de seus filhos. Geralmente, nas fazendas um homem velho reunia as crianças para contar a História dos antepassados, explicar o funcionamento das Althings, dizer que devem louvar o Rei e os Deuses, além de iniciá-las na Religião e, algumas vezes, no conhecimento das Runas. Nas cidades não se sabe como era realizada a educação das crianças.


Alfabeto Rúnico Original

 


Os verdadeiros elmos
de guerreiros Vikings
eram cônicos
e sem chifres.

Sempre que imaginamos os Vikings, lembramos de homens bárbaros, muito maus, trajando roupas peludas e elmos com chifres. Pois bem, esta visão está no mínimo equivocada.

Comecemos por desmistificar os elmos com chifres ou asas. Muitos dizem que os Vikings os usavam pois tinham medo de que o céu lhes viesse a cair nas cabeças. Na realidade, os Vikings nunca utilizaram tais elmos, eles não passam de uma invenção artística das óperas do século XIX, que visavam resgatar a imagem dos Vikings, sem saber ao certo com eles eram. Os verdadeiros capacetes Vikings eram cônicos e sem chifres, como o da foto.

Quanto às roupas peludas, é certo que no seu cotidiano eles realmente utilizavam roupas bem grossas, devido ao frio das regiões que habitavam, mas apenas uma minoria dos guerreiros as utilizavam, nas batalhas, pois preferiam (por razões óbvias) as malhas de aço e ferro, uma vez que estas protegiam-nos dos golpes.

Já o fato de serem maus e bárbaros é de fácil explicação. Os primeiros ataques Vikings foram reides a mosteiros na costas e ilhas Britânicas (no final do século VIII), mesmo depois, os Vikings continuaram gostando muito de realizar ataques a mosteiros devido ao fato de estes não serem tão bem protegidos quanto as cidades e guardarem tesouros da Igreja Católica, além de vinho, bebida muito apreciada por habitantes de regiões frias. Esse costume de atacar mosteiros fez com que a Igreja rapidamente condenasse os Vikings e os visse como verdadeiros enviados do inferno. Uma oração comum em finais do século IX dizia o seguinte: “Da fúria dos Nórdicos livrai-nos, ó Senhor”.


Representação de um ataque Viking

Talvez a grande vantagem que os Vikings tenham tido sobre os demais povos da Europa que lhes foram contemporâneos tenha sido sua alta tecnologia de construção naval. Os Noruegueses e Dinamarqueses desenvolveram no início da Idade Média um tipo de embarcação que só veio a ser superada cerca de seiscentos anos mais tarde pelos Portugueses, com a invenção das Caravelas e Naus (que na época funcionavam, não eram como as de hoje).

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