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OS VIKINGS

Danilo José Figueiredo - danilo_jose_figueiredo@hotmail.com
3º Semestre - História/USP

3 – Termos Gerais da Civilização Viking:

Esta parte da obra remete-se a explicar melhor os conceitos básicos dos povos Norueguês e Dano, conhecidos como Vikings. Veremos aqui como era sua forma de governo, sua religião, seus hábitos, suas características populacionais e até seu desenvolvimento sócio-econômico.

3.1 – Miscelânea de Reinos:

Como já havia mencionado, no início do processo de ocupação da Jutlândia pelos Danos, provavelmente cada povoado formava um Reino distinto, sendo portanto praticamente impossível precisar quantos Reinos haviam de fato na Jutlândia e ilhas Bálticas (no mais das vezes não me referirei mais aos Danos da Suécia, nem tão pouco aos Suecos), é certo que havia dezenas deles, todos muito atrasados, com suas populações vivendo num sistema político Monárquico, semelhante a uma Monarquia Parlamentarista, o qual explicarei mais adiante.


Típico fiorde da Noruega e Jutlândia.

Já na Noruega, existiam três grandes regiões: os fiordes Ocidentais, mais ao norte; Bergen, no oeste e sudoeste; e o fiorde Vik, no sudeste e sul. A situação dos fiordes Ocidentais e do fiorde Vik era bem semelhante a situação da Jutlândia e das ilhas Bálticas, apenas na região de Bergen parece ter havido uma centralização mais precoce dos povoados locais sob o domínio da cidade de Bergen.

No início do século VI, no fiorde Vik, foi fundada a cidade de Oslo (atual capital da Noruega). Era uma cidadezinha agrícola, mais próxima de um vilarejo feudal do que de um burgos. No entanto, seu povo começou a exercer certa influência sobre os povos vizinhos e gradualmente os foi submetendo ao seu domínio, o que provocou no final do século VII e começo do VIII, a centralização da região sob o domínio de Oslo. Tanto que o fiorde Vik também é chamado de Oslo.

Porém, o frio intenso e a conseqüente semi-esterilidade do solo, além da superpopulação (a população Norueguesa chegava a cerca de dois milhões de habitantes no início da Era Viking) fizeram com que os povos do fiorde Vik quisessem sair de lá, rumo a lugares mais quentes e de solo mais fértil.

A palavra Viking propriamente dita quer dizer: o habitante do fiorde Vik. Portanto, se analisarmos sob esta perspectiva, apenas estes seriam Vikings. Porém como os reides eram realizados por Noruegueses (inicialmente do fiorde Vik, mas depois também das outras regiões da Noruega) e Danos (posteriormente chamados Dinamarqueses), então muitos tentam justificar a palavra Viking de outras formas, como por exemplo a palavra Islandesa vik, que quer dizer baía, ou regato, sendo assim, um Viking é alguém que vive numa baía ou regato. Há também a palavra anglo-saxônica wic, que quer dizer acampamento, sendo assim, um Viking seria alguém que acampa de tocaia.

De qualquer forma, os Vikings não adotavam esta denominação, eles se chamavam pelo seu respectivo lugar de origem (podia ser o fiorde Vik, a Dinamarca, ou até mesmo uma simples aldeia). Nem mesmo os povos da época os chamavam de Vikings. Os povos que lhes eram contemporâneos lhes chamavam de Nórdicos.

3.2 – Política:

Os povos conhecidos como Vikings manifestavam uma forma política semelhante. Não se sabe se esta forma de governo era própria de todos os Escandinavos e depois se difundiu também para os Danos, ou se ela era própria da cidade de Oslo e difundiu-se segundo sua expansão. Porém, a primeira hipótese é mais aceitável, visto que Oslo não chegou a formar um verdadeiro Império, pois não dominou a Escandinávia.

A característica mais marcante dos povos Vikings no que diz respeito a sua política é que todos eles adotavam a Monarquia, mas na grande maioria dos casos, uma Monarquia em moldes atuais, ou seja, semelhante às Monarquias Parlamentares de hoje em dia.

Os Reis tinham poder absoluto no que dizia respeito às guerras, regiões dominadas e tudo que tivesse ligação com os domínios de seu Reino. Porém, ele não podia criar leis, ou mesmo julgar pessoas, estas tarefas eram delegadas às Althings, ou simplesmente Things. As Althings eram uma reunião de todos os homens (mulheres não participavam) livres (escravos não participavam) e adultos (crianças não participavam) do Reino. Em cada localidade do Reino existia uma Althing, o que significa que mesmo no caso de domínios pequenos, as leis e o sistema judicial poderia variar de uma cidade ou região, para outra, dentro de um mesmo Reino. O Rei só poderia tratar da economia e de assuntos militares das regiões dominadas.

Na realidade, as sociedades Vikings tinham um sistema político semelhante às Democracias Gregas, pois salvo a exceção da existência de um Rei, cada região se autogovernava através de seus cidadãos (como na Grécia antiga, o termo cidadão não tem o mesmo significado que hoje, pois nem todos os habitantes eram cidadãos).

A sucessão Real era sempre conturbada, os homens mais poderosos do Reino travavam guerras de influência e, às vezes de fato, para ver quem iria suceder o Rei morto, já que a sucessão hereditária só foi instituída no século XIV. Entretanto, o fato de os poderosos escolherem o novo Rei não implicava, como veremos a seguir, na exclusão dos filhos do Rei da sua linha de sucessão. Pelo contrário, muitas vezes o filho do Rei morto herdava seu trono, ou por se acreditar que ele teria os mesmos valores admirados no pai, ou então porque este (o Rei) deixara homens de confiança que assegurariam ao filho o trono após sua morte.

Essa situação era mais comum quando o Rei morria em campo de batalha, pois devido a necessidade de se coroar outro Rei rapidamente (para não desorganizar as tropas), escolhia-se o filho do Rei como seu sucessor.

3.3 – As sociedades Vikings:

Os povos Vikings, assim como tinham uma mesma organização política, também compartilhavam uma mesma composição sociocultural.

A língua falada pelos Vikings era a mesma, seu alfabeto também era o mesmo: o Alfabeto Rúnico.

As sociedades estavam divididas, de um modo geral, da seguinte maneira: O Rei estava no ápice da Pirâmide; abaixo dele estavam os karls, homens ricos e grandes proprietários de terras (os karls não eram nobres, pois nas sociedades Vikings não havia nobres); abaixo dos karls havia os jarls, ou seja, o povo, livres, mas sem posses ou com poucas propriedades, geralmente pequenos comerciantes ou lavradores. Os jarls compunham o grosso dos exércitos Vikings e tinham participação nas Althings; abaixo dos jarls, havia os thralls, escravos. Eles geralmente eram prisioneiros de batalhas, mas podiam ser (dependendo da decisão da Althing da região) escravos por dívidas ou por crimes, seus proprietários tinham direito de vida e morte sobre eles.


Outro fiorde típico da Noruega e Jutlândia.

A maior parte dos povoados Vikings eram fazendas pequenas, com entre cinqüenta e quinhentos habitantes. Nessas fazendas, a vida era comunitária, ou seja, todos deviam se ajudar mutuamente. O trabalho era dividido de acordo com as especialidades de cada um. Uns eram ferreiros, outros pescadores (os povoados sempre se desenvolviam nas proximidades de rios, lagos ou na borda de um fiorde), outros cuidavam dos rebanhos, uns eram artesãos, outros eram soldados profissionais, mas a maioria era agricultora.

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