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CARNAVAL

O surgimento das escolas de samba

 

Primeiros desfiles reuniram pobres que não podiam participar do carnaval da nobreza.

Hoje em dia, é impossível se pensar no Carnaval brasileiro sem lembrar imediatamente da festa carioca. Todo ano, ela atrai para o Rio de Janeiro milhares de turistas de todos os lugares da Terra. O Carnaval do Sambódromo, talvez a mais conhecida festa carnavalesca do planeta, tornou-se um sinônimo da data em todo o mundo. Mas como será que essa festa tornou-se assim tão popular?

Tudo começou no início do século 20, quando os ranchos, desfiles de máscaras e fantasias em carros enfeitados pela avenida, já estavam mais que estabelecidos no Rio de Janeiro pelas sociedades carnavalescas - grupos organizados que usavam fantasias reproduzindo as roupas da corte. Esses desfiles, ao som de ópera, eram muito luxuosos. Só participavam deles os que podiam comprar fantasias para o evento, sempre muito caras.

Por isso, os pobres brincavam em outros bailes, semelhantes aos da nobreza, mas com muito menos luxo. As fantasias eram imitações mais baratas, e a música, uma grande e empolgante batucada. Um dos principais lugares em que aconteciam essas festas era a Praça Onze, no bairro do Estácio, bem perto do local onde hoje fica o Sambódromo.

Quem era de fora achava o Carnaval dos pobres feio e atrasado, e dizia que só participavam dele bandidos e vagabundos. Foi então que os carnavalescos do Estácio resolveram se organizar, à semelhança da forma como faziam os ricos. Em 1929, fundaram a Deixa Falar, a primeira escola de samba de que se tem notícia. A partir daí, eles passaram a escolher todo ano um tema que definiria as fantasias e a música, como acontece com os sambas-enredo que temos hoje.

A partir de então, o carnaval dos pobres foi ganhando a simpatia do resto do povo. Isso começou quando os intelectuais e artistas, que nessa época começavam a se interessar pela cultura popular, passaram a freqüentar essas reuniões de sambistas. Esse contato motivou muita gente, seguindo os intelectuais, a se aproximar do carnaval popular - o mesmo que antes era considerado feio, atrasado e cheio de bandidos.

Mais tarde, até o próprio presidente, então Getúlio Vargas, preocupado em demonstrar interesse pelos pobres, resolveu reconhecer o evento e dar-lhe condições para se estruturar melhor. Desde então, a festa foi evoluindo até se tornar o carnaval carioca conhecido hoje, tão famoso que é reproduzido nas comemorações de várias cidades pelo Brasil afora.

 
 
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