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No Brasil, a estrutura do
esporte para pessoa portadora de deficiência, iniciou, em 1975, com a
criação da ANDE - Associação Nacional Desporto para Excepcional, que
agregava todo tipo de deficiência. Com a participação crescente de
pessoas deficientes, entidades de deficiências afins foram se
desagregando da ANDE e, hoje, compreendem cinco associações esportivas
distintas, são elas: Associação Brasileira de Desportos para
Cegos (ABDC), onde todos os atletas, independente da atividade
escolhida são filiados; Confederação Brasileira de Desportos de
Surdos (CBDS); Associação Brasileira de Desporto para Amputados
(ABDA); Associação Brasileira de Desporto em Cadeira de Rodas (ABRADECAR);
Associação Nacional de Desportos para Deficientes (ANDE), que
organiza competições desportivas para paralisados cerebrais e outras
deficiências. Estas entidades compõe o Comitê Paraolímpico
Brasileiro. A Associação Brasileira de Desportos para Deficientes
Mentais (ABDEM) é uma associação independente.
Essas entidades têm como
principal objetivo fomentar o esporte para pessoas portadoras de deficiência
e organizar o desporto em nível de competições regionais, nacionais e
internacionais, organizando junto ao Comitê Paraolímpico Brasileiro a
participação das equipes nacionais nas Paraolimpíadas.
DESPORTO E DEFICIÊNCIA FÍSICA
Objetivos do Desporto para
Pessoa Portadora de Deficiência Física
O portadora de deficiência
física tem poucas oportunidades de se movimentar, jogar ou praticar
esportes, quer seja em uma escola ou fora dela.
As experiências motoras
dos deficientes físicos poderão ser ampliadas através de conhecimento
de novas possibilidades de movimentos, novos jogos adaptados às suas
limitações e potencialidades.
A atividade física e/ou
esportiva, para pessoas portadoras de deficiência, significa a
oportunidade de testar suas possibilidades, prevenir contra deficiências
secundárias e promover a integração total do indivíduo (consigo
mesmo e com a sociedade). Os objetivos a serem desenvolvidos dentro da
educação física e/ou esportes com pessoas portadoras de deficiência
física devem considerar sempre as limitações e potencialidades
individuais do educando, bem como as atividades propostas, cujos
objetivos devem englobar:
- o desenvolvimento de auto-estima;
- a melhoria da auto-imagem;
- o estímulo à independência;
- a interação com outros grupos;
- a experiência intensiva com suas
possibilidades de limitações;
- o contato com outras pessoas,
deficientes ou não;
- o desenvolvimento das potencialidades
do educando;
- a vivência de situações de sucesso,
possibilitando a melhoria da auto-valorização e auto-confiança;
- a melhoria das condições
organo-funcional (aparelhos circulatório, respiratório, digestivo,
reprodutor e excretor);
- o aprimoramento das qualidades físicas
entre elas: resistência, força, velocidade;
- o desenvolvimento das habilidades físicas
como: coordenação, ritmo, equilíbrio;
- a possibilidade de acesso à prática
do esporte como lazer, reabilitação e competição;
- o estímulo das funções do tronco e
membros superiores;
- a prevenção de deficiências secundárias;
- o estímulo à superação de situações
de frustração.
MODALIDADES ESPORTIVAS
As modalidades esportivas
para deficientes físicos são pautadas na classificação funcional.
Classificação Funcional
Dos Esportes
Conceitualmente a
classificação para a prática desportiva, para pessoas portadoras de
deficiência, constitui-se em um fator de nivelamento entre os aspectos
da capacidade física e competitiva, colocando as deficiências
semelhantes em um grupo determinado. Esse fator significa, para atletas
deficientes físicos, igualar a competição entre indivíduos com várias
seqüelas de deficiência, onde o sistema de classificação eficiente
é o pré-requisito para uma competição mais equiparada (STROHKENDL
1995). GUTTMANN (1976:35) descreve o objetivo da classificação em
esporte de cadeira de rodas como: "Assegurar a competição justa e
eliminar as possibilidades de injustiça entre participantes de classes
semelhantes e dar prioridade para as mais severas disabilidades."
Os princípios que
governam o mundo dos esportes, para atletas deficientes, têm função
de extrema importância na classificação das habilidades ou
inabilidades, para assegurar a igualdade na competição (SHERRIL apud
VARELA 1991). Para cada modalidade, é feita uma classificação
funcional, de acordo com a utilização do resíduo muscular do atleta,
bem como da técnica empregada na modalidade.
Aqui estão algumas das
modalidades esportivas, praticadas pelos deficientes físicos:
Arco e flecha:
tem sido praticada desde 1948. Atletas, em pé e sentados em cadeira de
rodas, participam em competições com sistemas de resultados
semelhantes a modalidade olímpica.
Atletismo:
vem sendo constantemente revisto para dar melhores condições técnicas,
para o desenvolvimento desta modalidade. As provas incluídas são:
provas de pistas, campo, pentatlo e maratona. As provas são divididas
por classes que competem entre si.
Basquetebol
sobre rodas: é jogado por paraplégicos,
amputados, e atletas com seqüelas de poliomielite. Os regulamentos são
os mesmos do basquetebol convencional com pequenas adaptações.
Bocha:
este antigo jogo foi adaptado com sucesso para pessoas com paralisia
cerebral. A regra do jogo consiste em lançar objetivamente as bolas o
mais perto possível da bola branca.
Ciclismo:
três classes de atletas participam do ciclismo: paralisado cerebral,
cegos com guias e amputados.
Equitação:
os competidores com deficiência física, competem apenas na categoria
de habilidades .
Esgrima:
é praticado por atletas em cadeira de rodas, amputados e paralisados
cerebrais. Todos os atletas competem presos ao solo mas tendo os
movimentos livres para tocar o corpo do adversário. O evento programado
inclui espada, sabre e florete.
Lawn Bowls:
é similar à bocha e é aberto à participação de todas as pessoas
deficientes físicas.
Halterofilismo:
é
aberto a atletas do sexo masculino, deficientes físicos e competidores
com paralisia cerebral. As categorias utilizadas são as mesmas para as
pessoas não deficientes.
Tiro ao alvo:
é aberto a atletas deficientes físicos nas categorias sentado e em pé,
para homens e mulheres. As equipes podem ser mistas.
Futebol:
apenas atletas com paralisia cerebral competem. As regras sofrem algumas
modificações, entre elas o número de jogadores, largura do gol e da
marca do pênalti.
Natação:
divide-se em dois grupos de participantes: um grupo de competidores com
deficiência visual e outro grupo com deficiência física. As regras não
têm adaptações.
Tênis de mesa:
é idêntico ao tênis de mesa convencional. É jogado por deficientes físicos,
nas categorias masculina e feminina, por equipe e individual. Joga-se em
pé ou em cadeira de rodas.
Tênis:
atletas em cadeiras de rodas jogam como o tênis tradicional, apenas com
uma adaptação: de que a bola pode quicar duas vezes, a primeira dentro
da quadra. As categorias são: masculino e feminino, individual e em
duplas.
Voleibol:
é praticado por atletas amputados e lesados medulares em duas
categorias: sentados e em pé.
Racquetball:
utilizado por atletas com paralisia cerebral. É similar ao tênis de
mesa.
Iatismo:
todos os atletas deficientes podem participar, apenas com modificações
no equipamento e tripulação.
As modalidades Racqueball
e Iatismo que figuraram como demonstração em Atlanta, irão figurar
entre as modalidades tradicionalmente disputadas, nas Paraolimpíadas de
Sidney em 2000.
DESPORTO E DEFICIÊNCIA
VISUAL
Objetivos do Desporto para
Pessoa Portadora de Deficiência Visual
Os objetivos que devem
nortear a prática pedagógica dos esportes com a pessoa portadora de
deficiência visual, precisam estar organizados a partir de limitações
e potencialidades do indivíduo, bem como as modalidades que serão
desenvolvidas, devendo englobar:
- a diminuição da limitação
psicomotora geralmente apresentada;
- a utilização de todo potencial
sensorial e psicomotor;
- a melhoria das condições
organo-funcionais: aparelho circulatório, respiratório, digestivo,
reprodutor e excretor;
- a possibilitar de acesso à prática
do esporte como lazer, reabilitação e competição;
- a prevenção de doenças secundárias;
- o estímulo à autonomia e à independência
Modalidades Esportiva para
Deficientes Visuais
As modalidades esportivas
para deficientes visuais são pautadas na classificação esportiva
apresentada a seguir:
B1 - Desde inexistência
de percepção luminosa em ambos os olhos, até a percepção luminosa,
com incapacidade para distinguir formas em qualquer distância e em
qualquer direção.
B2 - Desde a capacidade
para reconhecer a forma de uma mão até agudeza visual de 2/60 ou um
campo visual inferior a 5 graus.
B3 - Desde uma agudeza
superior a 2/60 até 6/60 e um campo visual de mais de 5 graus e menor
de 20 graus.
Todas as classificações
deverão considerar o melhor olho com correção possível.
Golball:
é jogado por atletas com deficiência visual. O objetivo é arremessar
a bola sonora com as mãos no gol do adversário. Cada time joga com três
jogadores classes B1, B2 ou B3 e todos os atletas usam vendas.
Judô:
é praticado por deficientes visuais do sexo masculino. A principal
adaptação feita para esta modalidade é a diferença de textura do
tatame que indica os limites da área de competição.
Atletismo:
A
grande maioria das provas são realizadas pelos deficientes visuais, com
exceção das provas de barreiras. Participam todas as categorias (B1,
B2, B3). As provas de 100m são corridas individualmente com um guia na
marca dos 50m e outro na marca dos 100m. Os guias deverão chamar os
atletas para que eles se posicionem e corram em linha reta. Normalmente
atletas B1 e B2 correm as provas acima de 100m com guias, que poderão
apenas acompanhá-lo e nunca "puxá-los".
Futebol de salão:
As equipes de atletas são divididas em: cegos totais (B1), onde o
goleiro pode ser B2; e categorias B2 e B3. Na categoria B1, todos os
atletas deverão estar vendados. As regras são idênticas ao esporte
praticado por não deficientes.
Natação:
Participam
todas as categorias. A principal adaptação é feita na virada, onde o
técnico poderá avisar ao atleta da proximidade da borda da piscina,
através de um toque com um cabo de madeira ou outro material com ponta
de espuma. Os nadadores B1 deverão nadar com óculos tipo "blackout".
DESPORTO E DEFICIÊNCIA
MENTAL
O esporte direcionado às
pessoas portadoras de deficiência mental surgiu quando Eunice Kennedy
Shriver convidou um grupo de crianças com deficiência mental para
participarem de um churrasco e de jogos externos em sua casa. Foi quando
percebeu que seus convidados apresentavam um potencial maior do que o
atribuído a eles. Assim tiveram início as Olimpíadas Especiais, em
1962, nos Estados Unidos, através da FUNDAÇÃO KENNEDY, um programa
nacional de atividades esportivas que oferece a oportunidade de reunir
crianças, praticar esportes e treinar para competições anuais em
muitas modalidades. Entretanto já existia na Europa alguma atividade
esportiva para pessoas portadoras de deficiência mental, com caráter
demonstrativo (PUESCHEL, 1995; PETTENGILL, 1997).
O programa SPECIAL
OLYMPICS INTERNATIONAL da FUNDAÇÃO KENNEDY, foi implantado no Brasil
em dezembro de 1990. "Este programa já está implantado em mais de
100 países e trata somente de desporto, com o objetivo de colaborar com
a tarefa de integrar todas as pessoas com deficiência mental à
sociedade, em condições que lhes permitam serem aceitos e respeitados,
proporcionando-lhes a oportunidade de se tornarem úteis e
produtivos." (PETTENGILL, 1997, p. 300). Trata-se de um programa
com características próprias e desvinculado da Federação Nacional
das APAE’s (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais).
No Brasil, o esporte para
portadores de deficiência mental teve seu início em 1973, com a Federação
Nacional das APAE’s. Criou-se a Olimpíada Nacional das APAE’s
realizada a cada 2 anos e que, em suas primeiras edições, além dos
portadores de deficiência mental contou também com a participação de
portadores de deficiência visual e auditiva. Somente após a 5ª Olimpíada
, em 1981, a competição passou a ser praticada somente por atletas
deficientes mentais. Foram criados as Associações Regionais de
Deficientes Mentais (ARDEM) que levaram a criação da ABDEM - Associação
Brasileira de Desporto de Deficientes Mentais, reconhecida pelo Conselho
Nacional de Desporto mediante a deliberação 04/85 (PETTENGILL, 1997).
Em 01 de fevereiro de
1986, na Holanda foi criada a Federação Internacional de Desporto para
portadores de deficiência mental (INAS-FMH) filiada ao Comitê Olímpico
Internacional (IPC). De 13 a 23 de setembro de 1992, em Madrid, Espanha,
aconteceu a primeira paraolimpíada oficial para portadores de deficiência
mental, os "I Juegos Paraolímpicos para Discapacitados Psíquicos"
Participaram 2.000 atletas de 70 países em 5 modalidades: tênis de
mesa, basquetebol, futebol de salão, natação e atletismo (INSERSO,
1991).
DESPORTO E DEFICIÊNCIA
AUDITIVA
A prática do esporte
para pessoas surdas começou em 1888 na Alemanha, com um grupo de surdos
que resolveu fundar um clube desportivo composto unicamente por eles
(PEREZ, 1994). A Holanda, Suécia, França, Finlândia, Dinamarca e Itália
fundaram em seguida clubes semelhantes. (SANTOS, 1995). Segundo VARELA
(1991), o Comitê Internacional dês Sports dês Sordos (CISS) é a
associação mais antiga no desporto para deficientes, tendo sido
fundada em 15 de agosto de 1924, em Paris, onde aconteceram os primeiros
Jogos Internacionais.
No Brasil, o desporto
para portadores de deficiência auditiva teve seu início com a realização
da "I Olimpíada Nacional de Surdos-Mudos", em 1957, pela
iniciativa do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES). Na
ocasião, participaram atletas das Associações de Surdos do Rio de
Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, e as modalidades disputadas foram:
futebol, atletismo, voleibol e ginástica rítmica. O INES promoveu as
Olimpíadas de 1957, 1958, 1959 e 1960. A Confederação Brasileira de
Desportos para Surdos – CBDS foi criada em 17 de novembro de 1984
(SANTOS, 1995), por meio da Deliberação 07/82 do Conselho Nacional de
Desportos. A CBDS é filiada à Confederação Sul-Americana Desportiva
de Surdos – CONSUDES e ao CISS (PETTENGILL, 1997). Os jogos Mundiais
de Surdos acontecem a cada 4 anos, em todas as modalidades. Para a
participação em eventos internacionais, é necessário que a surdez
seja de pelo menos, 55 decibéis, o que corresponde a uma perda moderada
da audição (PEREZ, 1994; SANTOS, 1995; PENTTEGILL, 1997).
Em conseqüência do
extremo desenvolvimento do desporto para portadores de deficiência,
houve a necessidade social de se criar entidades que organizassem o
esporte adaptado, nas competições internacionais, bem como regras,
adaptações entre outros. Houve, então, um rápido crescimento de
entidades de organização do desporto internacional para o deficiente.
Em nível nacional,
muitas pessoas hoje estão envolvidas com desporto adaptado. Para melhor
compreensão dessas organizações, serão relacionados a estrutura do
desporto internacional com suas entidades, e a estrutura nacional com
suas respectivas filiações.
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