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O esporte já não é mais uma atividade para
amadores. Há muito se abandonou o romantismo nas
pistas e nas quadras. Movimenta-se, hoje, uma
poderosa indústria feita de atletas espetaculares
e patrocínios também. Dois grandes nomes
iniciaram sua trajetória nos Jogos Olímpicos e
ajudaram a transformar as competições num show
planetário de milhões de dólares. A fama,
atualmente, pode ser medida pelas contas bancárias.
Carl Lewis, o senhor absoluto das pistas de
atletismo na década de oitenta, e Michael Jordan,
o melhor jogador de basquetebol da história,
tiraram o esporte da adolescência.
Carl Lewis despontou como o rei dos estádios nas
Olimpíadas de 1984, em Los Angeles. Durante uma
década,
liderou o seleto grupo dos homens mais velozes do
mundo, capazes de romper o limite dos dez segundos
nos cem metros. Lewis igualou o feito de Jesse
Owens, conquistando quatro medalhas de ouro.
Disputou quatro Olimpíadas e se despediu em 1996,
em Atlanta, aos 36 anos de idade, ostentando no
pescoço nove medalhas douradas.
Com seis títulos na NBA, a liga de basquetebol
americano, ele é o principal responsável pela
popularização da bola laranja do mundo. “Eu vi
Deus na quadra disfarçado de Michael Jordan”,
disse Larry Bird, assombrado com o desempenho do
adversário. Nas Olimpíadas, conquistou o ouro em
Los Angeles, em 1984 e ajudou o Dream Team, a
imbatível seleção de basquete dos estados
Unidos, a vencer com genialidade, em 1992, em
Barcelona.
A primeira notícia de um campeão olímpico data
de 770 antes de cristo. Coroebus de Elis,
cozinheiro, venceu a corrida de 200 metros. Alguns
pesquisadores da Antigüidade, contudo, acreditam
que as primeiras Olimpíadas tenham sido
realizadas 500 anos antes do feito do chefe de
cozinha-atleta. Os Jogos organizados de quatro em
quatro anos na cidade-estado de Elis, em Olímpia,
faziam parte de um festival religioso. Durante as
disputas. Todas as guerras entre os Estados helênicos
eram suspensas, Até 776 antes de cristo, havia
uma única competição, a corrida. Em 724 antes
de cristo introduziu-se nova modalidade,
semelhante aos atuais 400 metros rasos. O pentatlo
passou a ser disputado em 708 antes de cristo. Até
472 antes de cristo as provas eram realizadas em
um único dia. Só cidadãos livres, podiam
competir, e a participação das mulheres era
proibida.
A premiação com medalha de ouro para o primeiro
colocado nas provas olímpicas foi instituída em
1904, nos Jogos de Saint Louis, nos Estados
Unidos. Naquela Olimpíada havia provas bizarras,
como cabo de guerra e subida em corda, disputas
que hoje não existem mais.
Os primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna,
realizados em 1896, em Atenas, serão sempre
identificados como o marco de um período
aventureiro. Tinha tudo para dar errado.
Transformaram-se na pedra fundamental de uma
grande vitória. Organizado em apenas dois anos de
antecedência, o evento esportivo recriado pelo
Barão Pierre de Coubertain, foi realizado num
ambiente de pura improvisação.
Atletas se misturaram-se com estudantes e
turistas. Qualquer um que se dispusesse a colocar
seu nome na lista de provas podia se considerar
inscrito. Alguns ganharam medalhas. As Olimpíadas
foram inauguradas no dia 6 de abril de 1896, uma
segunda feira, feriado nacional comemorativo da
independência da Grécia. Cerca de oitenta mil
pessoas lotavam o estádio Panatenaico, palcos dos
jogos da Antigüidade, restaurado com peças de mármore
branco. Os gastos foram bancados pelo milionário
grego Geórgicos Averof, e parte com a venda de
selos com motivos olímpicos. No final do torneio,
o barão de Coubetain considerou atingidos os
objetivos dos Jogos, e marcou para Paris, quatro
anos depois, o reencontro com a comunidade
olímpica.
Atenas voltará a abrigar as Olimpíadas em 2004.
Um barão francês que fundou os primeiros Jogos
da Era Moderna, era fascinado pelo comportamento
dos gregos no passado. Um senhor de vastos
bigodes, foi o responsável pelo renascimento das
Olimpíadas. O Barão de Coubertain, como era
conhecido na França, ganhou prestígio como
educador. Defendia com afinco a prática esportiva
a serviço da formação do caráter da juventude.
As posições de Coubertain entusiasmaram o
governo franc6es. Convidado a elaborar um projeto
de alcance internacional, o barão entrou no
primeiro navio que lhe permitiu rodar o mundo.
Fascinado pelo comportamento dos gregos do
passado, Coubertain convocou, em 1894, uma reunião
com delegados de nove países e expôs seu plano
em Paris: reviver os torneios que haviam sido
interrompidos quinze séculos antes. A proposta
foi aprovada e os primeiros Jogos Olímpicos
confirmados para 1896, em Atenas.
A primeira medalha de ouro ganha pelo Brasil em
1920, nos Jogos da Antuérpia. A precisão do
tenente do Exército Guilherme Paraense, a persistência
de sua equipe diante das dificuldades e um pouco
de sorte, deram ao Brasil sua primeira medalha de
ouro. A pequena e abnegada equipe de sete
atiradores partiu para a Bélgica por conta
própria.
Eles embarcaram no navio Curvello, onde estavam os
demais integrantes da delegação brasileira, mas
interromperam a viagem em Portugal. Informados de
que o navio não chegaria a tempo para as provas
de tiro, preferiram descer em Lisboa. A
alternativa era concluir o percurso de trem.
Seguiram então até Paris e de lá trocaram de
composição rumo a Antuérpia. Foram 27 dias de
atribulada jornada. Em Bruxelas, onde aguardavam
conexão para Antuérpia, parte das armas e da
munição foram roubadas. A equipe chegou sã e
salva, mas o moral dos integrantes estava lá em
baixo. Como fome e sem material esportivo,
acabaram salvos pelos americanos. Impressionados
com o estado lastimável dos brasileiros, os
atletas dos estados unidos resolveram ceder aos
colegas as próprias armas, fabricadas sob medida
pela Colt. Com pistolas e munição, Guilerme
Paraense derrotou os cavalheiros americanos e
conquistou três medalhas: ouro, prata e bronze.
Paraense foi o único a acertar na mosca na prova
de desempate, marcando 274 pontos dos 300
possíveis.
Ele tinha 36 anos de idade. Morreu de enfarte, em
1968.
As imagens de divulgação dos Jogos Olímpicos
narram, desde de 1896, as tendências artísticas
e os cânones políticos do período histórico em
que se realizaram as competições. Foram usadas,
até os anos cinqüenta, como propaganda dos
interesses das cidades sedes das Olimpíadas.
Adolf Hitler encomendou em 1936, uma ilustração
que representasse o homem ariano, numa tentativa
de impor à força as idéias racistas da Alemanha
nazista. A arte estava a serviço da ideologia.
O grego Spiridon Louis, um pastor de cabras que
reforçava o orçamento levando água de sua Vila
para vender em Atenas, foi grande herói das
primeiras Olimpíadas da Era Moderna em 1896, na
Capital grega. Acostumado a andar diariamente
vinte oito quilômetros para cumprir sua tarefa,
Spiridon teve menos dificuldade que seus
concorrentes para correr os quarenta quilômetros
da primeira prova oficial da história da
maratona. |