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O Match Racing é uma especialidade da Vela de competição que
significa essencialmente “regata a dois” ou seja que a regata é efetuada como
um duelo entre dois barcos.
A primeira prova que poderíamos chamar de Match Racing e de que
temos conhecimento, teve lugar em 1661 no rio Tamisa, disputada entre o rei
Carlos II e o seu irmão.
Mas o primeiro Match Racing corrido em barcos idênticos foi a
Omega Gold Cup nas Bermudas em 1937 cujo vencedor foi o famoso Cunningham que
também venceu a primeira America’s Cup disputada na classe 12 metros, no entanto
hoje em dia esta prova é corrida em barcos da classe IACC (International
America’s Cup Class).
Atualmente a Vela de competição está dividida em duas
disciplinas, Regatas de frota e Match Racing e em ambas têm sido adaptadas
algumas inovações no sentido de conseguir uma maior ligação com o público, mas
foi a disciplina de Match Racing que transformou a Vela num desporto
espetáculo.
Com o Match Racing a Vela não só aumentou o seu prestígio como
também estabeleceu uma ligação perfeita com os meios de comunicação social.
Nos Jogos Olímpicos e em outras provas importantes são
construídas bancadas para que os espectadores possam acompanhar o desenrolar do
Match Racing e a Americas’ Cup, corrida em Match Racing tem tido os maiores
índices de cobertura televisiva.
As longas regatas de frota afastadas da costa em que mesmo no
final muitas vezes ainda não está decidido o vencedor, não têm grande interesse
para os média e para o público em geral.
Com o Match Racing as regatas são curtas e à vista de toda a
gente, o primeiro a cortar a linha de chegada é o vencedor e qualquer um
compreende facilmente as regras do jogo, sabendo a todo o momento quem está a
ganhar ou a perder.
O Match Racing está a avançar a passos largos no sentido da
transformação do desporto da Vela em desporto espetáculo criando-lhe uma nova
dimensão e requerendo tripulações hábeis não só na manobra dos seus barcos como
também tacticamente inteligentes na condução das lutas barco a barco.
OBJETIVOS
O objetivo básico do Match Racing consiste na luta entre dois
barcos cada um dos quais pretendendo atravessar a linha de chegada antes do seu
adversário, mas tendo cumprido as regras e efetuado as penalizações que lhe
tenham sido impostas.
É permitido aos barcos manobrarem contra o adversário a fim de
se protegerem ou consolidarem a sua posição, evitando serem ultrapassados ou
mesmo aproveitarem-se de uma situação em que possam forçar o outro barco a
infringir uma regra para que seja penalizado.
Tal como em outros desportos, as regras de regata são
estruturadas de forma a darem vantagem ao concorrente que for à frente.
O objetivo de cada um dos competidores é simples: ser o
primeiro a cortar a linha de chegada sem penalizações, tendo largado
corretamente e cumprido o percurso.
A forma mais simples de conseguir este objetivo é adquirir à
largada a posição de controle e conservar-se à frente do adversário durante toda
a regata.
No Match Racing praticado com barcos iguais, uma boa largada
resulta muitas vezes em ganhar essa regata embora com a adoção das chegadas à
popa, uma pequena vantagem não seja suficiente para assegurar a vitória.
O UMPIRING
Nos últimos anos a IYRU implementou o Umpiring
(julgamento durante a regata) com grandes vantagens sobre o processo clássico de
resolver os protestos depois de terminarem as provas.
Pode dizer-se que o recente nascimento do Umpiring foi
determinado pela confluência de três fatores na história do yachting: o
desenvolvimento a partir da década de 80 da fiscalização na água da regra da
propulsão, o procedimento adotado em Inglaterra nas regatas de Match Racing de
os juízes seguirem as provas e servirem de testemunhas na inquirição dos
protestos decididos após as regatas e finalmente o pedido feito à IYRU em 1987
pela Associação da classe A para que fosse adotado um processo em que os juízes
tomassem decisões instantâneas durante as provas.
O sistema convencional de protestos com longas inquirições e
cujas decisões muitas vezes alteram substancialmente o resultado das regatas é
substituído por um sistema em que os Árbitros embarcados em rápidas embarcações
a motor decidem os protestos relativamente às regras de direito a rumo
respondendo em alguns segundos aos protestos dos concorrentes ou penalizando por
iniciativa própria as infrações às restantes regras de regata (Entrada na
Pré-Largada, Propulsão, Abalroamento de Balizas, etc.).
Quando os Árbitros estão convencidos que um barco protestado
infringiu uma regra impõem uma penalização que poderá ser cumprida com uma
volta por dentro ou uma cambadela, consoante a perna do percurso em que o
barco navega.
O cumprimento de uma penalização põe o infrator em desvantagem
mas esta normalmente não é suficiente para lhe provocar a derrota.
Utilizando este sistema de arbitragem direta só raramente é que
o barco que corta a linha de chegada em primeiro lugar não é o vencedor da
regata.
A arbitragem funciona de uma forma peculiar.
Dois Árbitros navegando numa embarcação a motor, seguem e
observam os concorrentes posicionando-se de uma forma em que possam observar
qualquer incidente que ocorra.
Uma segunda embarcação chamada Wing judge (Juiz lateral) é usada
para, através de rádio ou de sinais visuais, informar os Árbitros acerca de
sobreladeamentos, mastro pelo través, distância das balizas, etc. de forma a
auxiliar estes a tomarem decisões corretas.
Quando o Match Racing se disputa em barcos de maior porte
(normalmente superiores a 12 metros) pode ser colocado um observador à popa que
comunica com os Árbitros através de sinais visuais.
É um princípio fundamental que um timoneiro mesmo que pense ter
infringido uma regra não é obrigado a exonerar-se com uma penalização a não ser
que os Árbitros a tenham assinalado.
Esta é também uma alteração à Regra Fundamental, Aceitar
Penalizações, que em regatas de frota obriga um barco que se aperceba que
infringiu uma regra a exonerar-se ou a retirar-se prontamente.
O segundo princípio é o de que os Árbitros não penalizarão um
barco a não ser que estejam convencidos que o barco tenha infringido uma regra
mesmo quando há contacto e ambos os barcos protestam; se os Árbitros não
conseguem decidir qual dos barcos foi o infrator não penalizarão nenhum deles.
O terceiro princípio da arbitragem é o de nunca ser imposta uma
penalização a um barco por este infringir uma regra de direito a rumo a não ser
que o seu adversário tenha protestado.
Este tipo de protestos é assinalado gritando “Protesto” e
expondo a bandeira “Y” do CIS.
Mesmo que haja uma colisão, se nenhum dos barcos protesta, os
Árbitros não atuarão a não ser que tenha sido provocada alguma avaria.
O FORMATO
Os campeonatos de Match Racing são constituídos por uma primeira
série chamada Round Robin (todos contra todos) e por uma segunda série
com as Semifinais e Finais em sistema de Knock Out (por eliminatórias)
no qual participam apenas os quatro primeiros classificados do Round Robin.
Quando há muitos concorrentes e poucos dias de provas é
necessário dividir os inscritos (normalmente por sorteio) em grupos e efetuar
Round Robins por grupo apurando-se apenas os primeiros classificados de cada um
deles para a fase seguinte.
Como é difícil prever à priori o tempo que será consumido para
completar o primeiro Round Robin e que dependerá de vários fatores como a
velocidade do vento ou de paragens por avarias, o sistema que está atualmente a
ser adaptado é o de se programar uma segunda volta do primeiro Round Robin que
poderá ou não ser completada pontuando no entanto todos os encontros efetuados
até à sua suspensão. Neste caso, os concorrentes correrão com os mesmos
adversários trocando com eles de barco e de lado de entrada na pré-largada.
Aos concorrentes que tenham competido duas vezes um contra o
outro, será atribuído ½ pontos por cada vitória, no caso de só se terem
encontrado uma vez, a vitória valerá 1 ponto.
No entanto este sistema não é do agrado de muitos dos
concorrentes e a tendência futura será a de proceder à sua eliminação.
Quando os participantes são apurados para as
Semifinais quer
através de grupos ou por um só Round Robin em que todos se encontraram, o
primeiro classificado competirá em seguida contra o quarto e o segundo contra o
terceiro ou então será dado a escolher ao primeiro classificado aquele contra
quem quer competir.
A Grande Final (para o primeiro e segundo lugares) será
disputada entre os dois vencedores das Semifinais e a Pequena Final (para os
terceiro e quarto lugares) entre os dois perdedores das Semifinais.
Estas séries por eliminatórias são normalmente decididas ao
primeiro a vencer duas regatas o que poderá dar o máximo de três regatas ou ao
primeiro a vencer três, o que poderá dar o máximo de cinco regatas.
OS PERCURSOS
Uma regata de Match Racing é constituída por duas partes
distintas, a pré-largada e a regata propriamente dita.
Na pré-largada os barcos deverão entrar vindos do lado de fora
das perpendiculares aos extremos da linha cada um do seu lado, previamente
estabelecido nas listas de pares dentro do período de 4 a 2 minutos antes do
sinal de largada.
É aí que vemos os barcos a manobrarem um contra o outro com o
objetivo de levarem o adversário a ser penalizado e a colocarem-se numa posição
de controlo que lhes dê uma vantagem significativa no momento da largada.
Os percursos são constituídos por idas e voltas ou seja por
pernas de bolina e de popa com apenas duas balizas, uma a barlavento e outra a
sotavento.
A linha de largada serve também de linha de chegada o que
significa que os barcos terminarão à popa.
As voltas são efetuadas por estibordo para dificultar as
manobras e criar situações tácticas mais arriscadas.
AS REGRAS
Nas regatas de Match Racing aplicam-se em conjunto quatro tipos
de regras: As Regras de Regata, o Apêndice C, as Instruções de Regata e as
Regras de Utilização dos Barcos.
As Instruções de Regata prevalecem quando em conflito com
qualquer das outras.
Algumas regras são substancialmente alteradas, tais como a de
Avarias Sérias, Arribar mais do que o Rumo Correto, Definição de Chegada, etc.
O CIRCLING
Enquanto que em regatas de frota ter direito a rumo é
normalmente uma vantagem, em Match Racing isso nem sempre acontece.
O caso típico é o do barco livre pela proa (quando ambos navegam
com as mesmas amuras), que segundo as regras tem direito a rumo sobre o barco
livre pela popa e que em Match Racing embora com direito a rumo encontra-se sob
controle do barco que o persegue.
Por este motivo foram desenvolvidas diversas tácticas com as
quais o barco livre pela proa procura defender-se do controle a que fica sujeito
pelo barco perseguidor.
A mais conhecida e utilizada dessas tácticas é o “circling”.que
é a manobra com a qual o barco livre pela proa procura neutralizar o controle a
que está sujeito pelo barco perseguidor.
Fonte: Confederação Brasileira de
Iatismo |