segunda-feira, 21 de junho de 2010
PACHECO E MARCELINHO FORAM OS DESTAQUES DA LNB: MELHOR ÁRBITRO E MELHOR JOGADOR,
CONFIRA FANTÁSTICA ENTREVISTA COM PACHECO

Pacheco ao lado de sua esposa Lígia, durante a festa da FPB, TROFÉU MELHORES DO
ANO
SÉRGIO DE JESUS PACHECO EM ENTREVISTA EXCLUSIVA
Ele trabalha numa profissão bastante penosa, em qualquer área de atuação a
imagem do juiz é a de não errar nunca, mesmo sabendo que ele é um ser humano.
Nos tribunais como no esporte a situação é a mesma. No basquete então, cada vez
mais veloz, as dificuldades aumentam, chegando ao ponto da equipe perdedora,
ignorar seus erros infantis, como, passe errado, voltar lentamente e permitir ao
adversário uma cesta entre outros, para colocar a culpa no juiz. Há quem diga
que um bom árbitro é aquele que nunca aparece no jogo, chega ser até uma
ingratidão.
Sem ele o jogo não começa, ele é o responsável por tudo antes, durante e depois
de uma partida. Hoje quero falar de um árbitro de uma carreira simplesmente
brilhante, começou em 1988, é árbitro internacional desde 1996, atuou nas
competições internacionais mais importantes do mundo, já ministrou curso para
jogadores da NBA que formaram a seleção olímpica dos Estados Unidos lá na terra
do basquete. Há mais de uma década que acompanho seu trabalho de perto e posso
dizer que é carismático, competente, querido dentro e fora das quadras, é uma
pessoa maravilhosa. Ele é Sérgio de Jesus Pacheco, meu entrevistado de hoje para
brindar você, meu leitor.
Pacheco, conte um pouco sobre sua trajetória de sua vida dentro do basquete, se
foi jogador, torcedor, como começou a gostar de basquete e fale um pouco dei sua
carreira de árbitro até hoje.
Na verdade eu comecei jogando basket nas categorias de base do Circulo Militar
de Campinas, com o professor João Tojal. Lembro-me nessa época, que o Maurício
do Vôlei, jogava junto com a gente. Depois o mandamos pro vôlei... E deu no que
deu... (cinco olimpíadas). Quando comecei na categoria mini eu tinha oito anos
de idade. Do Círculo Militar eu fui jogar no Tênis Clube de Campinas, onde
joguei até o infantil. Depois fui para o Clube Campineiro de Regatas e Natação,
onde jogava de titular nas categorias infanto-juvenil, juvenil, adulta segunda
divisão do Paulista. Nessa época lembro que o time infanto juvenil titular eram:
Portinho (armador), Hilton Nascimento de Piracicaba (ala), Pacheco (ala), Gary
que jogou em Araraquara (Pivô), Caião que jogou em Limeira (Pivô). Desse clube
eu fui para o Palmeiras onde me lembro dos gêmeos (não me recordo do nome
deles), do Luis Felipe hoje técnico do Vitória e Paulinho Vilas Boas hoje no
Comitê Olímpico. Então fui para o Clube Pinheiros, onde joguei com o Edu Gato,
Orlandão, e meu armador Rossi hoje dirigente e membro da Comissão do NOVO BASKET
BRASIL, estando hoje um pouco acima do peso. rsrsrs... Inauguramos o
POLIESPORTIVO do Pinheiros. Depois dessa grande caminhada esportiva, pois junto
com o basket eu fazia alguns esportes em paralelo. Lutei Karatê (Shoto-Kan) onde
fui até a faixa marrom. Lutei boxe e fui vice campeão dos Jogos abertos de Rio
Claro. Lutei Tae Kwon Do aonde cheguei à faixa preta, e fui Campeão Paulista,
Campeão Brasileiro e Internacional. Lutei Boxe Tailandês e participei de vários
desafios de artes Marciais (vários estilos), onde hoje podemos chamar de VALE
TUDO. Então aos vinte anos, ingressei na Faculdade de Direito, e não tinha mais
tempo para tanto esporte. Já estava cansado de treinar e jogar basket, pois
comecei muito cedo. Não agüentava mais de dor nas canelas de tantas lutas, e
resolvi parar com tudo, e comecei a fazer mesa de basket , para não ficar tão
fora do meio. Fui incentivado pelos já árbitros Edemilson Vermelho, Jorge José
Jorge, Mário Osório e Gilson Bellucci de Cerquilho. Em 1988, em Campinas, foi
ministrado um Curso de Arbitragem da Federação Paulista pelo então árbitro
Geraldo Miguel Fontana. Fiz o curso e acharam que eu teria mais presença dentro
das quadras, e não na mesa. Então, depois de formado, apitei muito pelo
interior, em uma fase que era bem diferente... rsrsrsrs Até que fui chamado para
o meu primeiro jogos Regionais. Conheci então o árbitro José Carlos Pelissari,
que fazia as escalas daquela região, Valinhos, e colocou na final, eu e o Marco
Antonio Ferreira. O Jogo era entre as cidades de LIMEIRA X RIO CLARO (uma
guerra), e todos os presentes perguntavam se ele estava maluco em fazer àquela
escala. Foi um show de jogo e arbitragem, e então fui escalado para os Jogos
Abertos do Interior, que seriam na minha cidade, Campinas. Naquela época,
participar dos Jogos Abertos era um grande trampolim para se dar bem na
arbitragem, ou não... Aqueles jogos em especial, aconteceu uma greve por parte
dos árbitros Internacionais de São Paulo, e não atuaram nos jogos. Como eu era
um aprendiz de árbitro sem nenhuma expressão, fui aconselhado a ir aos Jogos, e
não se envolver com o que estava acontecendo politicamente. Foi então que
conheci o Antonio Carlos Affini que além de árbitro, trabalhava na Secretaria de
Esportes do Estado. Outro árbitro Internacional que foi convidado para aquele
evento, foi o Mabilde do Rio Grande do Sul. Os jogos Abertos eram a coqueluche
do esporte Paulista, e eram televisionados pela Televisão Aberta. Na época Rede
Bandeirantes. Consegui fazer um excelente trabalho, e lembro que os árbitros
Internacionais que trabalhavam na Secretaria e tiveram de atuar nos Jogos,
Espina e Dalton Bartolomeu, convenceram aos escaladores a me botarem na final do
masculino, juntamente com o Mabilde. O resultado foi que consegui fazer um ótimo
jogo, e quem assistiu a tudo na sua casa, foi o então Presidente da Federação
Paulista Paulo Cheid.
Na semana seguinte, o Sr. Paulo Cheid comentou na Federação Paulista que havia
gostado muito dos dois árbitros gaúchos. Quando soube que eu era de São Paulo,
pediu para que me escalassem em um jogo de Divisão Especial, SÍRIO X LIMEIRA,
juntamente com o árbitro Vinhaes. Fui ao jogo e me dei muito bem, sendo escalado
depois para fazer TELESP X CORINTHIANS, com televisão REDE CULTURA, novamente
com o Vinhaes. O Vinhaes ficou preso no trânsito e não conseguiu chegar, então a
Tatiana S. que estava na mesa, veio para quadra, e apitamos juntos pela primeira
vez. Tudo foi uma maravilha e então fui escalado no PALMEIRAS X JALES, com o
Affini. Lembro que quando o jogo acabou o Affini me falou: _ Garoto, você já
conseguiu uma grande proeza, entrando na fase classificatória final do
Campeonato e apitando bem. Agora é só trabalhar e no próximo Campeonato tentar
chegar mais longe. Depois daquele jogo, só tinha mais um jogo decisivo naquela
fase: FRANCA X DHARMA. Para minha surpresa, e de todos, fui escalado para esse
ultimo jogo de Franca com o Affini. Era um jogo problemático, pois o outro jogo
de outra fase, havia tido um briga generalizada entre jogadores e torcida, e
cinegrafista. Fomos até lá e demos conta do recado. Mais uma vez o Affini me
falou, agora e só descansar e vim contudo no próximo Campeonato pois agora só
faltam as finais. Naquela época as finais eram realizadas em uma cidade sede, e
aquelas finais foram realizadas em Araraquara. Novamente para surpresa de todos,
fui escalado juntamente com o Renatinho que estava surgindo como um meteoro,
para irmos para as finais. Somente haviam sido escalados os árbitros
Internacionais de nome, e nós. Fomos e demos conta do recado, e desde então
nunca mais deixei de participar das finais Paulista e Brasileira.
Em 1996, me tornei árbitro Nacional e no mesmo ano, ocorreu uma Pré Clínica
Nacional entre todos os árbitros Nacionais, e os seis melhores colocados, teriam
o direito de fazer a Clínica para promoção a árbitros Internacionais que seria
realizada em Santiago, Chile. Eu, a Tatiana, a Fátima, o Major, o Ruy Almanajas
e o nosso querido Zé da Leda, passamos e fomos ao Chile e fomos promovidos a
Árbitros Internacionais.
No mesmo ano fui convocado para um Torneio Amistoso em Sidney, Melbourne e
Adelaide, com as Seleções femininas da Austrália, Rússia, Japão e Brasil. No ano
seguinte fui ao meu primeiro Campeonato Mundial feminino Juvenil, em 1997 ,
Natal – Brasil. Viajei com a Seleção Feminina Adulta Brasileira, para uma fase
de preparação em Portugal e Espanha em 1998. Fui convocado pela FIBA para o
Campeonato Mundial Adulto Feminino em 1998, realizado nas cidades de Munster,
Wuppertal, Karlsruhe, Rotenburg, Dessau, Bremen e Berlin – Alemanha. Fui
convocado pela COPABA para o Centro Americano como Árbitro neutro, realizado em
Maracaíbo – Venezuela. Fui ao Pan Americano Inter Clubes em General Pico –
Argentina. Participei das fases do Sul Americano de Times em Mar Del Plata,
Bolívia, Paraguai. Fui convocado pela COPABA para o Pan Americano de Seleções,
em 1999, Winnipeg – Canadá. Fui a Copa América Sub – 21, (classificatório para o
Mundial da categoria) Ribeirão Preto – Brasil. Fui convocado para a Copa América
Adulta Masculina, (classificatória para o mundial da categoria) , na Patagônia –
Argentina. Participei do jogo Amistoso entre os times dos astros OSCAR X MAGIC
JHONSON no IBIRAPUERA. Fui a Copa 500 ANOS, realizada no Rio de Janeiro, com as
Seleções Adultas masculinas da Argentina, Brasil, Portugal, Rússia, e Grécia.
Fui convidado pela NBA para dar um Curso para a Seleção Norte Americana
Masculina Adulta, como preparação para os Jogos Pré Olímpicos. Apitei um
amistoso no MADISON SQUARE GARDEN entre as Seleções adultas do USA X PORTO RICO.
Apitei a final do SUPER FOUR em Buenos Aires, em que participaram as Seleções
Adultas Masculinas da Lituânia, Argentina, Porto Rico e Brasil. Fui convocado
pela FIBA para o Goodwill Games em Brisbane – Austrália. Fui convocado para o
Sul Americano de Seleções Adultas Masculinas, classificatórias para o Pré
Olímpico, e Pan Americano de Seleções. Campeonato realizado em Montevidéu –
Uruguai.
Apitei a pedido do jogador Oscar, o seu último jogo, (jogo despedida), realizado
em Brasília entre os “AMIGOS DO JOGADOR”. Fui convocado pela FIBA para o
Campeonato Mundial Sub – 21, Argentina, onde apitei a semi final entre Austrália
X Lituânia. Fui convocado pela FIBA para o Campeonato Mundial Inter Clubes
Adulto Masculino, Rússia. Fui convocado pela FIBA para o Campeonato Mundial
feminino Adulto de Seleções em São Paulo, onde apitei a final entre as seleções
da Austrália X Rússia. Fui convidado pelo COB para carregar a TOCHA DOS JOGOS
PAN AMERICANOS na data de 7 de Julho de 2007, quando a mesma passou pela cidade
de Campinas. Fui convidado pela PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPINAS, para
participar no MURAL COMEMORATIVO DOS ESPORTISTAS CAMPINEIROS QUE DEFENDERAM O
PAÍS, como história da cidade. Fui convocado pela FIBA para os Jogos PAN
AMERICANOS BRASILEIROS, que foram realizados na cidade do Rio de Janeiro. Fui
convocado pela FIBA para o MUNDIAL UNIVERSITÁRIO- UNIVERSIADE, em Agosto de 2007
em Bangkok, onde apitou a Final masculina entre as seleções da Lituânia X
Rússia. Fui convocado pela FIBA AMERICA para o Centro Americano de Seleções,
como árbitro neutro, no México em Cancun 2008. Fui convocado em 2009 pela Fiba
para o MUNDIAL UNIVERSITÁRIO na Sérvia, Belgrado. Fui considerado árbitro
Revelação do Campeonato Paulista em 1995. Fui considerado o melhor árbitro do
Campeonato Paulista em 2005. Fui considerado pela Liga do Novo Basket Brasil um
dos melhores em 2009. Fui considerado o melhor árbitro do Campeonato Paulista de
2010. Fui considerado pela Liga do Novo Basket Brasil o destaque de 2010.
Bacharel em Direito, formado pela USF, Pós Graduado em Direito Penal pela PUCC,
Árbitro Internacional desde 1996, aprovado na Clínica Internacional realizada em
Santiago – Chile.
Faz parte do quadro de Árbitros da Confederação Brasileira de Basketball, da
Federação Paulista de Basketball, e da Federação Internacional de Basketball.
Você é um árbitro internacional, como é que se faz para chegar até essa
categoria?
Quando você termina o CURSO DA SUA FEDERAÇÃO você se torna um oficial de quadra
e mesa. Depois de muito tempo de atuação, se a sua federação achar que está
apto, você será indicado para fazer uma Clínica de Aspirantes a Árbitro
Nacional. Depois de um bom tempo atuando, e a CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE
BASQUETEBOL te achar apto para mudar de categoria, eles lhe indicam para fazer
uma Clínica à Aspirante a Árbitros Internacionais. Em todas essas Clínicas
existem avaliadores que lhe darão notas pelo seu desempenho na pratica, quadra
de jogo, e escrita, prova teórica. Passará por uma entrevista quando para
Internacional em inglês e Espanhol. E no final terá que se submeter a um teste
físico, que se não for aprovado, não estará apto a ter o seu carnê. As Clínicas
internacionais são ministradas em língua estrangeira, normalmente na América em
espanhol e inglês. No resto do mundo sempre em Inglês.
Você sempre tem atuado em várias finais de campeonatos, o que isso representa
para você?
A maior sensação e satisfação de dever cumprido, e quando se termina um jogo e
tanto ganhadores e oponentes, lhe cumprimentam pelo serviço prestado sem
reclamações. Você não tem idéia o tão gratificante é ter aceitação dos
jogadores, técnicos, assistência, público, reportes, e todos os envolvidos.
Quando sou escalado para um jogo muito difícil, principalmente num mata-mata, ou
melhor, de cinco, onde o jogo anterior foi um desastre e se criou um clima
pesado para a partida, já fico feliz porque sei que quando a coisa fica feia,
necessitam do seu trabalho para resolver e recolocar a casa em ordem. As finais
normalmente são um coroamento pelo trabalho realizado ao longo de um torneio, um
campeonato, ou uma carreira. Não existe presente melhor do que dirigir um jogo
com dez mil pessoas assistindo, com duas equipes do maior alto nível de
basquetebol, e o Brasil inteiro podendo participar via televisão.
Como é atuar no Feminino, é mais fácil do que apitar jogos masculinos?
A plástica do evento é diferente, mas o grau de dificuldade é o mesmo porque
violação continua sendo violação, dois pontos são dois pontos em ambos, e três
pontos também. Existiu uma época no Brasil que as melhores jogadoras do Mundo
atuaram no Campeonato Paulista e Brasileiro. Sem esquecer que Hortência e Paula
estavam numa grande fase. Em uma época não muito distante, Oscar voltava da
Europa no auge da sua forma. Resumindo, as duas categorias são dificílimas.
Como que é administrada aquela marcação forte e sem que haja falta, mesmo com o
contato entre os oponentes?
A arbitragem do basquetebol é muito subjetiva, onde devemos atuar usando a
vantagem e desvantagem a favor do jogo. O árbitro tem de intervir sem
interferir, usando os aspectos de vantagem e desvantagem sem favorecer ou
desfavorecer, contando com que o vencedor seja merecido do resultado.
Tecnicamente falando em contato, usando o cilindro imaginário jogador de defesa
e ataque, diríamos que quem invade o cilindro do outro, provocando um contato
vantagioso, é o responsável pelo fato. Mas nunca devemos esquecer de que a
marcação tem que estar postada dentro do seu cilindro, e o ataque tem de estar
equilibrado dentro do seu espaço. Contato legal não é contato faltoso. Contato
legal é postura, cilindro, equilíbrio, dentro dos princípios de vantagem e
desvantagem, nunca esquecendo o homem da bola, porque existe o aspecto de tempo
e distância para uma boa marcação deste. Resumindo, é complexo... rsrsrsrs
Se dependesse de você, qual a regra que você mudaria?
A mais nova mudança de regra do jogador com a bola na hora de transição para
mudança da quadra de defesa para o ataque, que facilita para ele, e dificulta
para os árbitros.
Quais as partidas mais importante que você já atuou?
-SEMIFINAL DO MUNDIAL SUB 21 LITUANIA X AUSTRALIA MASCULINO
-FINAL DO MUNDIAL ADULTO FEMININO RUSSIA X AUSTRALIA
-SEMIFINAL DO MUNDIAL UNIVERSITÁRIO MASCULINO RUSSIA X U S A
-FINAL DO MUNDIAL UNIVERSITÁRIO MASCULINO LITUANIA X RUSSIA
-FINAL DO SUPER FOUR ADULTO MASCULINO ARGENTINA X LITUANIA
-MADSON SQUARE GARDEN AMISTOSO MASCULINO ADULTO
U S A X PORTO RICO -
-FIM DO SEGUNDO TURNO DO CAMPEONATO CARIOCA MARACANÃ VASCO X FLAMENGO 22 MIL
PESSOAS
-SEMIFINAL DO ANTIGO CAMPEONATO BRASILEIRO MASCULINO ADULTO GOIANIA X FLAMENGO
- FINAL PAULISTA DO MASCULINO ADULTO EM FRANCA
FRANCA X DHARMA 10 MIL PESSOAS
-FINAL PAULISTA DO FEMININO ADULTO EM SANTO ANDRÉ
NOSSA CAIXA/OSASCO X LACTA SANTO ANDRÉ
-FINAL DO NOVO BASQUETE BRASIL MASC. ADULTO
FLAMENGO X UNIVERSO
-FINAL DO NOVO BASQUETE BRASIL MASC. ADULTO
UNIVERSO X FLAMENGO
FINAL DO CAMPEONATO PAULISTA MASCULINO ADULTO
C O C I RIBEIRÃO X ARARAQUARA
Quem são os campeões de reclamações, o técnico, jogadores ou torcedores?
Sinceramente acho que o que acontece nos nossos Campeonatos, são reclamações
caseiras uma vez que durante uma competição existem árbitros que chegam a fazer
mais de dez jogos da mesma equipe, e isto cria um desgaste muito grande, fato
que não acontece em competições internacionais de tiro rápido, dez a 20 dias de
competição. Com tudo isso lembra que existem jogadores no Brasil, que no meu
caso, e os conheço desde as categorias de base, e isso cria um clima familiar
propiciando uma comunicação mais efetiva entre as partes.
Já saiu escoltado de quadra após algum jogo?
Existe um procedimento corriqueiro, estipulado pelos órgãos responsáveis pelas
competições, que designam seguranças para nos escoltarem da quadra de jogo, até
à hora de nos retirarmos do ginásio. Mas já existiram vezes que se necessitou de
uma ajudinha externa, policial, para facilitar esse serviço.
Como foi o curso que você ministrou para jogadores da seleção americana, lá na
casa deles?
Foi uma experiência única e sensacional. Quando cheguei à Nova York, estava me
esperando no aeroporto um motorista e um segurança. Dirigimos-nos para um Hotel
fantástico em frente ao Central Park. Fui muito bem remunerado em dólar logo ao
chegar. No primeiro dia de treinamento, foi pedido para que eu, e mais um
árbitro Porto Riquenho que também fora contratado, para falarmos ao grupo de
como seria o nosso trabalho. Realmente no primeiro momento tive um frio na
barriga. Não é todo dia que se fica a frente do Jason Kid, Irvison, Tim Duncan,
Malone, Oneal, Vicent Cart, Ray Alleye mais alguns. ...rsrsrs Depois apitávamos
o dia inteiro em dois períodos, pela manhã e a tarde. Um contra um, dois contra
dois, três contra três, jogadas, e muito coletivo. Tínhamos um período que
trabalhávamos com os pivôs no quesito de marcação, jogada de poste, e
posicionamento para rebote. Eles são muito profissionais. E ao final de todos os
dias, sentávamos no meio da quadra, e éramos bombardeados de perguntas
referentes às diferenças de regras entre NBA e internacionais. Para que
pudéssemos entrar na quadra, éramos obrigados a fazermos bota de esparadrapo, e
nos intervalos, nos colocavam bolsas de gelo nos joelhos, tudo como prevenção.
Os dirigentes nos falavam que enquanto estávamos por lá, éramos de
responsabilidade deles, e uma entorse poderia custar muito caro para National
basketball Association. Um fato muito interessante foi o dia que dois rapazes
que acompanhavam os treinamentos, se aproximaram num final de dia e nos
disseram: _ Boa tarde, eu sou o Isiais Thomas, e esse é o Byron Scot.
Jogamos-nos basket há algum tempo atrás, e gostaríamos de tirar algumas duvidas
em relação às regras internacionais. Tudo isso numa humildade tamanha, que
quando eu disse que já os conhecia, incrível que pareçam, eles se espantaram.
Mas por via das duvidas eu falei, vamos tirar uma foto só para registrarmos esse
momento...rsrsrsrs
"O ESPORTE FORMA HOMENS, QUEBRA BARREIRAS, MUDA NOSSAS VIDAS..."
Nos ginásios em que você atua o que mais falta para que a arbitragem faça um bom
trabalho?
Acho que o bom trabalho vai acontecer independente do que os organizadores façam
o deixem de fazer. O que precisa acontecer, é mudar a cultura de bastante gente,
e lembrar que nos árbitros somos pessoas humanas que erram, acertam, comem,
dormem, que necessitam no mínimo de um lugar limpo, com espaço para poder se
trocar, aquecer, um bom chuveiro, água para tomar, e principalmente um pouco
mais de respeito. Existem lugares que uma minoria vai ao ginásio, simplesmente
para ofender o seu decoro, a sua pessoa, durante toda a partida, e esquece-se de
torcer pelo seu time, e que ali está um profissional, um pai de família, com a
maior vontade de acertar, porque ele também quer almejar um lugar ao sol.
Um fato mais inusitado ocorrido durante uma partida em que você já atuou?
Foi em uma partida do antigo Nacional, entre duas grandes equipes, que devido ao
barulho feito pelos torcedores, e a campanhia baixa do placar, e a falta de
informação dos mesários, após uma cesta decisiva que decidiria a partida,
ninguém me avisou no momento que a partida já tinha acabado há pelo menos uns
três segundos. Então confirmei a cesta e fui para o vestiário. Dentro do mesmo,
o fiscal da partida me alertou que parecia que o cronometro estava zerado quando
feita a cesta. Algum tempo depois, antes de assinar a súmula de jogo que o
documento oficial, um mesário adentrou o meu vestiário e me disse que o jogo já
havia acabado, que o certo era não validar a cesta. Como não havia ainda
assinado a súmula, voltei para quadra, e anulei a cesta, e uma grande confusão
começou. O mais importante de tudo isso foi que fiz o que tinha que ser feito, e
durmo com a cabeça tranqüila no travesseiro.
Quando você vai entrar em um ginásio lotado para apitar uma final, o que passa
na sua cabeça, qual a preparação psicológica que você faz?
Toda a preparação já foi feita. Regras preparo físico, mental, concentração, não
há mais nada a ser feito. Só nos restam pensar no jogo, fazer uma boa pré
partida, e tentar passar uma tranqüilidade aos companheiros, para que eles
possam fazer um bom trabalho e lhe ajudar a fazer o melhor de si. O ginásio
lotado faz com que eu me sinta em casa. Quanto mais difícil o jogo, melhor o
desafio de controlar tudo. Se não tiver esses requisitos, não tem graça apitar.
Você recebeu da FPB, o troféu de MELHORES DO ANO, em menos de dois meses, recebe
troféu similar da LNB, qual sua emoção de receber muitas homenagens assim como
essas?
Um agradecimento meu primeiro a minha Federação Paulista que reconhece o meu
trabalho, o meu esforço em tentar dar o melhor de mim para ajudar o Campeonato.
Isso é uma injeção de ânimo que me faz muito feliz. Depois a Liga do Novo Basket
Brasil por dois anos consecutivos me considerar um dos melhores, comprovando nas
suas escalas que estão gostando do meu trabalho, e que sou uma peça muito
importante para eles, e para o basquete nacional.
A CBB, nomeou o novo Supervisor de Arbitragem, o Piovesan, gostaria de saber de
sua opinião a esse respeito.
Pode ter certeza de que a arbitragem brasileira está muito, muito feliz e
orgulhosa de ter em sua supervisão um dos melhores árbitros que já surgiu nesse
continente. O Piovesan realmente sabe tudo do quadrado, e tudo fora do mesmo.
Ele era sem duvida um dos árbitros mais rápidos que eu já conheci, porque ele
sempre antecipou os lances Enquanto você estava pensando naquele lance, ele já
estava três lances a frente, então a decisão dele naquele lance, era a mais
adequada para preservar o que iria acontecer depois. Um ótimo administrador de
emoções, que conduzia como ninguém uma partida. Mas o mais importante de tudo
isso, é que sempre, desde que eu o conheço, ele tenta passar tudo o que sabe
para mim, e para muitos. Ele não esconde informações, e é amigo de todos os
árbitros por igual. A CBB está de parabéns pela escolha. Espero que o elo agora
se conclua, pois já temos o Geraldo Miguel Fontana na FIBA, o Antonio Carlos
Affini na LIGA, e agora o Piovesan na CBB. Sei também que ele vai trabalhar com
o Marcelo Gomes, que foi um ótimo arbitro, e é um grande amigo, que apesar de
jovem tem um potencial imenso para desenvolver. A arbitragem brasileira está
muito bem representada fora das quadras.
COMPETIÇÃO DE TRÊS PONTOS
Uma cidade - M0nte Verde
Um país - Austrália
Campo ou praia - Campo
Prato preferido - Comida Mineira
Um sonho realizado - Minhas filhas Georgia e Nathália
Um sonho a realizar - Vê-las encaminhadas para a vida
Um ídolo no basquete - Michael Jordan
Uma mulher bonita - Munha esposa Lígia
Imprensa - De extrema importância, desde que praticada com ética e
imparcialidade
Um livro - Eram os Deuses Astronautas
Um filme - Um sonho de liberdade
Amor - Família
Amizade - Tem que cultivá-la
Deus - A razão da vida
Seleção brasileira - Tem que ter respeito para servi-la
O O que você mais gosta - Viver
O que mais detesta - Falsidade
A cesta mais certeira de sua vida - Minha família
Pacheco quero que deixe uma mensagem para quem gosta de basquete e algo que
possa fazer para melhorá-lo.
Sou negro, e a família que me adotou é branca. Fui adotado com três dias por uma
família que tinha condições, e me abriu todas as portas para felicidade. Agarrei
todas as chances que me foram ofertadas, e hoje sou formado, pós graduado,
funcionário público da Câmara Federal, Assessor Parlamentar. Casado, pai de duas
filhas, e através do esporte, principalmente do basket, eu conheci os cinco
continentes da terra, e a importância de representar uma nação quando se está
fora dela. O esporte forma homens, quebra barreiras, muda as nossas vidas, basta
querer e acreditar. A minha família acreditou e depositou a sua confiança em
mim...
Pacheco, muito obrigado pela entrevista e por tudo que você fez e faz por nosso
basquete. Encerro esta matéria com a foto que fiz de você em uma das suas mais
importantes partidas que apitou: final do Mundial Feminino de Basquete
Austrálila x Rússia em 20006.
esta foto e a primeira, Pacheco com a esposa, são "minhas" e TODAS AS DEMAIS,
são do arquivo pessoal do Pacheco |