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Ostracismo, drogas, garrafão e sucesso
A NBA (Associação Nacional de Basquete dos
Estados Unidos) já completou mais de meio século de muito sucesso, com exibição para mais
de 100 países ao redor do planeta e com os melhores atletas do basquetebol mundial. Uma
disputa acirrada com 29 equipes e renovação constante de jogadores talentosos e
habilidosos. Mas, nem sempre foi assim. Durante este meio século dedicado à bola
ao cesto, a NBA sofreu muito preconceito da mídia norte-americana, enfrentou problemas
sérios com drogas e o desprezo dos esportistas, com relação às suas regras.
De Joe Fulks a Kevin Garnett, muita água correu e muitas coisas mudaram desde o ano
de 1947, quando tudo começou. O sonho americano de montar um torneio forte
iniciou-se com a criação de uma liga profissional, que reunia 11 equipes.
Naquele ano, a NBA teve um espaço muito reduzido na
mídia. As notícias sobre os jogos eram dados no rodapé dos jornais secundários,
pois a maioria dos grandes jornais nem se interessava pela liga. As transmissões do rádio
se limitavam a cidade dos times participantes e eles dificilmente podiam
usar os grandes ginásios esportivos, como o Madison Square Garden e o Boston Garden, que
davam prioridade às partidas de hóquei. Na segunda temporada, o fracasso parecia certo.
Quatro times resolveram sair da liga (Detroit Falcons, Cleveland Rebels, Toronto
Huskies e Pittsburgh Ironmen) e os jogos da temporada normal foram reduzidos de 60 para
48, visando diminuir despesas com as viagens.
Quando tudo parecia perdido, a sorte brilhou para
os dirigentes. Em 49, desponta o pivô George Mikan que, do alto dos seus 2m05, revolucionou o esporte
com o jogo de garrafão e uma média de 28,3 pontos por jogo. Com Mikan no time, o
Minneapolis Lakers conquistou cinco títulos em seis anos. A produção de craques começa
a aparecer e, no início da década de 50, despontam outros grandes nomes como Bob
Cousy e Paul Arizin. Mas a alegria acaba, quando Mikan resolve anunciar sua
aposentadoria, em 54. No mesmo ano, a NBA decreta o tempo máximo de 24 segundos para
o chute e espera o surgimento de um novo ídolo, que possa impulsionar o esporte. A mudança
na regra surte rápidos efeitos. A média de pontuação por jogo sobe de 79,5 para 93,1
e os torcedores voltam às arenas. O ídolo esperado pela mídia não demora a aparecer.
Em 56, surge um dos maiores atletas de todos os tempos, o pivô Bill Russell. Volta o
jogo de garrafão e o domínio pelos rebotes. Os anos dourados da NBA começam.
A máquina do Boston Celtics é formada e,
comandados pelo técnico Red Auerbach, a equipa fatura oito títulos seguidos de 59 a
66. Aparecem mais duas feras no fim da década de 50. O ala Elgin Baylor e o pivô Wilt
Chamberlain. Os confrontos entre os dois e Bill Russell eram duelos esperados por todos
que amavam o basquete. Uma batalha de técnica e habilidade, que culminava em muitas
cestas. Para coroar o início dos anos 60, Oscar Robertson estréia na liga. Em 2 de
março de 62, um feito inédito. A assustadora marca de 100 pontos do fantástico
pivô Wilt Chamberlain, então no Philadelphia Warriors, na partida contra o
New York Knicks assombra o mundo e efetiva o nome de Chamberlain na galeria dos
principais cestinhas. Naquele ano, ele fechou com uma incrível média de 50,4
pontos por jogo, algo impensável para qualquer superestrela do basquete atual. O
quarteto de ouro leva a NBA ao estouro na mídia norte-americana e a batalha prossegue ao
longo dos anos 60. Russell se aposenta e vira técnico do Boston em 66, tornando-se o
primeiro treinador negro da história da NBA.
No fim dos anos 60, acaba
a era dourada da liga e começam a surgir os grandes problemas. Diversos jogadores
envolvem-se com drogas, bebedeiras desenfreadas e a NBA torna-se sinônimo de
decadência e pilantragem. Local de vagabundos, como diziam muitos pais aos seus
filhos. A aposentadoria de Chamberlain e o abandono de Robertson detonam uma crise de
identidade. Nem o aparecimento de Kareem Abdul-Jabbar, Nate Archibald, Dave
Cowens, Bill Walton e Rick Barry reverte a imagem negativa. Em época difícil, o equilíbrio
volta à liga e diversos clubes ganham o troféu de campeão, Portland Trail Blazers,
New York Knicks, Golden State Warriors, Seattle Supersonics, Washington Bullets e,
para variar, Boston Celtics. Em baixa, o basquete procura novas estrelas. A busca
acaba em 79, quando dois calouros estréiam no Celtics e Lakers. De um lado, o ala Larry Bird,
especialista nos chutes de longa distância. Do outro, o armador Magic Johnson, com um
vasto repertório de assistências e jogadas fabulosas. Acaba o marasmo e surge o “Showtime”.
O duelo entre Celtics e Lakers arrasta-se até a metade dos anos 80, quando aparecem mais
uma legião de novos valores, comandados por um jovem armador de North Carolina. Seu
nome: Michael Jordan. Ao lado dele, estão Hakeem Olajuwon, Isiah Thomas, Joe Dumars,
John Stockton, Karl Malone, Charles Barkley, Clyde Drexler, Chris Mullin, Patrick Ewing.
A NBA começa a vender seus jogos a diversos
países e o Brasil recebe a liga em 86/87. Assim, o público médio sobe de 10 mil
pagantes, no início dos anos 80, para mais de 17 mil, nos dias atuais. A NBA se
internacionaliza e desperta interesse de jogadores europeus e de outros países. O
jogo se torna global e a marca NBA vende como nunca. Os jogadores são conhecidos em
grande parte do planeta, e agora, o sonho que começou com apenas 11 times, já tem 29
equipes. Cada franquia que estiver interessada em entrar no campeonato terá
que investir pelo menos US$ 500 milhões no esporte. Em 52 anos, os dirigentes
conseguiram levar a NBA como principal produto norte-americano e o show, mesmo com
as perdas de Bird, Thomas, Magic e Jordan, deve continuar com os rostos de Kobe Bryant,
Shaquille O’Neal e Anfernee Hardaway, Vince Carter e Allen Iverson.
Showtime !!!!
A NBA atravessava uma fase difícil, perto da
decadência. Sem estrelas, com pouco público e sem despertar o
interesse da imprensa, a liga vivia uma das piores fases de sua história. Nem mesmo
alguns espetaculares jogadores como Kareem Abdul-Jabbar, recordista de pontos da história
da NBA, conseguiam levar o público norte-americano aos ginásios. No entanto,
em 1979, a entrada de dois jovens talentos vindos do basquete universitário acabou
mudando totalmente a cena. Larry Bird, da Universidade de Indiana, era escolhido na
loteria da liga pelo Boston Celtics, uma das equipes mais tradicionais da NBA, e Earving
“Magic” Johnson, da Michigan State, era selecionado pelo Los Angeles Lakers.
Com estas duas aquisições, um novo horizonte
começava a raiar na decadente liga norte-americana. Magic e Bird já se
conheciam bem. A final da Liga Universitária (NCAA) daquele ano foi decidida entre os
dois. Magic levou a melhor e conseguiu sua primeira vitória sobre Bird. Mas, estes
dois jogadores não estavam sozinhos. Eles contavam com um elenco fortíssimo em suas
equipes para disputar, pouco a pouco, as finais da liga. Bird, já no seu primeiro
ano, tinha como companheiros Tiny Archibald, Dave Cowens e Cedric Maxwell, entre outros.
“Tínhamos um bom núcleo, mas eu não sabia que poderíamos chegar tão longe
ainda naquele ano. Tudo era novo pra mim”. Larry Bird, Robert Parish, Kevin McHale e
Danny Ainge formavam um verdadeiro esquadrão. A principal característica de Bird era o
passe e o arremesso, principalmente o de três pontos. Bird era uma estrela que contrariava
um pouco a lógica do basquete. Branco e sem uma forma física privilegiada, ele tinha
muita disposição para roubar a bola e fazer jogadas que deixavam o espectador
boquiaberto. Até hoje, parece inacreditável aquela cesta que ele fez por trás da tabela.
Junto com o Lakers, o Celtics faria as finais mais
emocionantes da liga na década de 80. As únicas exceções foram no ano de 83, quando o Philadelphia,
de Doctor “J”, ganhou o campeonato e em 89 e 90, quando os dois times já entravam em decadência com o
final das carreiras dos principais atletas das duas equipes. Pelo time californiano, comandado por
Magic Johnson, apareciam outros astros como Kareem Abdul-Jabbar, James Worthy, Sam Perkins, Byron Scott,
Elden Campbell e Kurt Rambis. O jogo do Los Angeles era baseado no contra-ataque rápido, comandado
pelas mágicas jogadas do camisa 32. Em 1980, Magic Johnson chegava ao Lakers e se sobrepunha novamente
a Larry Bird, vencendo as finais da NBA contra o Philadelphia.
Em 1981, Larry Bird dava o troco e batia o Houston na
decisão do campeonato. Em 1982, o Lakers era novamente campeão, mas o Boston não passou pelo
Philadelphia nas finais do Leste. Em 1984, Bird e Magic chegavam juntos à final. Na
primeira vez em que os dois se enfrentavam em uma decisão da NBA deu Bird: o Boston
Celtics venceu o Lakers. Em 1985, o Lakers devolvia a derrota e conquistava mais um título.
Em 1986, dava Boston novamente, só que desta vez contra o Houston, de Hakeem
Olajuwon. Em 1987 e 1988, o Lakers fechava a era do showtime. O público voltou a lotar
os ginásios. O Boston Garden e o Fórum de Inglewood tornaram-se os templos do esporte.
A NBA passou a ter projeção mundial, sendo transmitida para diversos países do mundo,
que não só assistiam aos jogos, mas se apaixonavam pelo basquete, comprando
camisetas das equipes, flâmulas, calçados, materiais esportivos etc. As finais eram uma
grande festa. Assistir Larry Bird contra Magic Johnson ficou na memória de milhões
de torcedores. Os jogos não eram simples partidas, eram verdadeiros espetáculos. |