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CORDAS E NÓS

 

Uma corda é um instrumento de segurança. Depende de sua qualidade, do uso que se dá, e de sua conservação, uma corda pode ter uma vida útil mais, ou menos longa...
Cuidadosa e constante revisão das cordas deve ser feita sempre, depois e antes de usá-las. A inspeção deve ser com luz suficiente (lá fora), examinando e apalpando a corda dos dois lados, palmo a palmo. Qualquer defeito encontrado deve ser eliminado, em geral cortando-se o pedaço comprometido. Se o defeito é no meio da corda, infelizmente de uma corda longa obtém-se apenas duas cordas curtas, mas é preferível sacrificar a corda, do que a segurança que ela fornece. Uma corda muito sofrida, ou já com longo tempo de uso, deve ser retirada de uso e devidamente marcada como tal.
Para evitar um rápido desgaste de cordas, com conseqüentes despesas de reposição, certas regras de conservação podem ser respeitadas:

  • Corda não é capacho - não pise em cima. A corda não deve ser arrastado pelo chão. Poeira e pequenos cristais de rocha abrem caminho pelas fibras, e aos poucos, internamente, destroem a corda de modo não visível da superfície.

  • Evite que a corda corra sobre arestas (agudas ou rombas), especialmente sob forte tração. As cordas de rappel ou de jumar em especial, devem ser colocadas fora do alcance das bordas do paredão. Para isto, solteiras mais curtas devem ser usadas entre a corda e o ponto de fixação. São estas cordas mais curtas que sofrerão o desgaste, e em caso de lesão podem ser retiradas de uso sem grandes perdas.

  • Não deixe a corda sob tensão por qualquer período longo de tempo. Nunca a use para rebocar carros ou qualquer uso que não especificamente para a finalidade a que se destina. Uma vez usada para outra coisa, ela é então e para sempre uma corda de reboque e nunca mais uma corda de segurança.

  • Lave sempre as cordas quando estiverem sujas- e em espeleologia isto quer dizer: após cada excursão. Pode-se deixar a corda de molho em um balde ou no tanque, trocando a água suja de tempos em tempos. Se quiser utilizar algum tipo de sabão, escolha um neutro para não danificar as fibras e, em alguns casos, a impermeabilidade da corda. Ela pode até mesmo ser lavada em máquina de lavar roupa (mas não a torça lá). Além de beleza de uma corda recém-lavada, a agitação da água retira os microcristais da trama das capas de nylon.

  • Lavada ou não lavada, deixe sempre a corda secando, após cada excursão: à sombra, pendurada em voltas frouxas, e fora do alcance de aquecedores ou qualquer fonte de calor. Depois de usar e antes de guardá-la, remova todos os nós.

  • Os raios ultravioleta, com o tempo, deterioram fibras de nylon. Por isso, não deixe a corda desnecessariamente ao ar livre, exposta à luz solar.

Uma corda de escalada é um instrumento de precisão, utilizado para um esporte altamente técnico. Ela deve ser tratada com o mesmo respeito e cuidado que qualquer outro fino instrumento. Quando a vida de alguém estiver pendurada pelo fio, todo cuidado gasto na sua preservação não terá sido demais.
A melhor maneira de enrolar a corda é às braçadas (nunca entre mão e cotovelo, ou entre o joelho e pé, em que a corda é retorcida em voltas curtas dando problemas ao desenrolar), ou seja em voltas longas, segurando com uma mão a corda enrolada, e a outra medindo o comprimento de cada volta. Ao terminar, uma fogaça de seis ou sete voltas segura o conjunto sem se desmanchar. A corda também pode ser enrolada e depois fixada de forma diferente, como se fosse uma mochila, sendo mais fácil de transportá-la às costas.

O número de nós usados por espeleólogos e alpinistas vem diminuindo pouco a pouco. Facilidade em fazer ou desfazer o nó, segurança, confiabilidade, são as características que vem selecionando os nós realmente eficientes. Um nó de escalada deveria ser tão simples e seguro, que qualquer excursionista deveria poder fazê-lo no escuro e meio dormindo- muitas vezes é exatamente este o caso - e alguns com uma mão só. Abaixo selecionamos nove nós básicos, que a prática mostrou poderem resolver em conjunto qualquer situação que se possa encontrar em caverna ou montanha.

  PESCADOR (dois nós para juntar pontas)

O nó de pescador duplo é o mais recomendável para juntar duas cordas de mesmo diâmetro.

Seguro quase sempre, é pouco volumoso, e não se afrouxa durante o uso, podendo no entanto ser desmanchado facilmente, mesmo após ter sido usado sob tração.

Em cordas de segurança ou rappel, cordinhas de nuts, solteiras para escadas ou ancoragens, o pescador duplo é ainda mais seguro, mas também mais volumoso.

 
  NÓ DE FITA

Para juntar as duas pontas de uma fita todavia, o nó de fita é o ideal. Ele consiste simplesmente num nó simples numa ponta da fita, percorrido em reverso pela outra ponta. Se o nó é permanente, pode-se fixá-lo com alguns pontos de linha de nylon, pois com o uso ele perde a forma, ou afrouxa e aponta escapa, desmanchando-se o nó. Pelo menos 4 a 6 cm de ponta de fita devem ficar sobrando dos dois lados.

 

  ASELHA E OITO (dois nós para prender )

 


 


O nó em oito é um nó em forma de oito (claro), feito em corda dupla. Pode ser usado tanto no meio como na ponta da corda: em ancoragens, para fixar escadas, para amarrar qualquer coisa à corda, para passar por um mosquetão e prendê-lo a qualquer ponto, para amarrar-se direto pela cintura ou por cadeirinha (mas neste caso, em ponta de corda). Por ser simétrico em relação ao eixo de forças, não de forma tanto nem é tão difícil de desmanchar quanto ao aselha, especialmente após ter sido submetido a forte tração (caso em que o aselha é extremamente inconveniente, e por isto deve ser esquecido). Por ser também à prova de erros, o nó em oito é mais recomendável que o lais de guia (não representado, mas que por sua insegurança deve ser também esquecido).
Seu uso com baudrier ou com cadeirinha (pela ponta da corda) exige um pouco de jeito - basta fazer o oito em corda simples, passar a ponta livre pelo baudrier, e revertê-lo por dentro do nó é uma habilidade que antes de se tornar automática, confunde. É preciso praticar antes.
A lançada do pescador é um nó de pescador (simples) na ponta da corda. Seu uso específico é para prender o baudrier ou cadeirinha à ponta da corda, para o quê é especialmente recomendado pela UIAA, como um nó seguro e mais fácil que o nó em oito. Como única recomendação, não inverter os nós, caso em que o nó torna-se corrediço (um erro infantil, mas grave), tal qual um nó de forca.

 

  VOLTA DO FIEL (um nó para ancoragem)

O volta do fiel é um bom nó para ancoragem com a própria corda de segurança, rápido de fazer e de passar por um mosquetão. Note porém, que a forma básica apresenta uma volta à frente, e a outra atrás da corda transversal, horizontal. Em seguida, a volta de trás passa à frente da outra e vice-versa. O mosquetão é então passado por ambas as voltas. Fácil de fazer e de se ancorar ao final de um lance de escalada, o volta do fiel pode ser feito diretamente com uma só mão, a partir da corda já passada pelo mosquetão. Isto também exige treino.

  UIAA (um nó para segurança)

Com a mesma configuração inicial da volta do fiel, o nó de segurança dinâmica UIAA é um nó deslizante, de atrito, para ser usado com mosquetão (sempre de rosca), passado este por um ponto de ancoragem.

Ao invés de passar as laçadas uma por trás da outra, o nó é dobrado, como um livro fechando, e ambas as voltas passadas pelo mosquetão. Uma volta passa por dentro do nó, outra por fora. Puxando ora uma, ora outra ponta, o nó estoura para um lado ou outro do mosquetão (mosquetão largos são por isto mais recomendáveis). O nó é portanto simétrico, capaz de ser usado nos dois sentidos, para dar ou recolher corda. Quedas violentas, cordas extremamente dinâmicas podem ser travadas com este nó, com apenas uma mão, sem queimá-la, deixando correr um mínimo de corda - um avanço técnico em relação &ag rave; segurança por outros métodos, especialmente porque não desequilibra o segurador, e é uma eficiência tranqüila. Use-o sempre. Treine montá-lo com uma só mão.

  PRUSIK (nós blocantes)

Os nós blocantes, dos quais o mais conhecido é o prusik, se baseiam todos no mesmo princípio: uma corda fina é enrolada em espiral ao redor da corda principal, de escalada, de segurança, ou de resgate.

Se uma força ou peso é aplicada ao nó, as voltas se apertam, num efeito constritor que pelo atrito, impede que o nó deslize pela corda. Tirando-se a tração, o nó se afrouxa e pode ser deslocado ao longo da corda.
São essencialmente nós de fricção, de atrito, em que o coeficiente de atrito depende tanto da relação de diâmetros das duas cordas, como do número de voltas que a espiral faz ao redor da corda-guia. Se o número de espirais for muito grande, ou o diâmetro da cordinha muito pequeno, o atrito é muito grande, e torna-se difícil afrouxar o nó e deslizá-lo quando se deseja. Inversamente, se o diâmetro da cordinha do blocante é quase igual ao da corda, ou o número de voltas é insuficiente, a superfície de contato se reduz, o atrito é mínimo, e o nó acaba não segurando, quando sob tração. Para cada nó blocante há uma certa relação diâmetro/voltas que oferece o atrito ideal. Em geral, as cordinhas usadas têm um diâmetro entre metade e 2/3 do corda-guia. Para cordas com 10 a 12 mm de diâmetro, cor dinhas de 5 a 7 mm são as indicadas.
No nó de prusik a cordinha (uma lançada fechada), enrola-se duas ou três vezes (dependendo do diâmetro da corda e do cordin utilizado) ao redor da corda, formando quatro espirais. Para não deslizar, o nó tem que ser simétrico, e as voltas não se cruzam, estando as segundas voltas colocadas entre as primeiras. Se quatro espirais não são suficientes e o nó não segura, mais de uma volta aumentará a superfície de contato ao ponto desejado (isto é muito comum quando se usa uma fita tubular em lugar da cordinha). Ou, o que é mais comum, o nó pode estar deslizando apenas porque não foi suficientemente apertado, e as espirais abraçam frouxamente a corda: tudo se resume em puxar a cordinha ou fita perpendicularmente à corda, antes de submetê-la à tração, que é paralela à corda.

Os nós blocantes podem ser usados para se subir pela corda, para recuperar tecnicamente um companheiro caído, através de um sistema de mosquetões-polia, ou para dispor de auto-segurança quando descendo de rappel ou subindo pela escada.

Um metro de corda de 6 mm (com as pontas unidas por um nó de fita ou pescador), é suficiente para fazer uma laçada de prusik. Uma ou duas destas laçadas deveriam ser carregadas na cadeirinha, sempre à mão, sempre que haja a menor possibilidade de serem necessárias - em qualquer lugar em que seja desenrolada a corda para dar segurança, em caverna ou montanha. Estes laçados podem ser ligados instantaneamente por mosquetão a um estribo, a uma cadeirinha, e um ponto de ancoragem. Numa emergência, em, caverna por exemplo, com uma das mãos machucada, e com o lampião apagado, estes nós blocantes podem ser vitais, e salvar uma vida - às vezes a sua própria. É imprescindível treinar a fazer o prussik (ou, para alguns mais prático, o nó de Marchand) com qualquer das mãos, e no escuro.
Os blocantes com mosquetão têm suas vantagens, mas como o mosquetão mesmo não "morde", a área de contato cordinha-corda fica diminuída, e o número de espirais acaba geralmente sendo aumentado para seis ou oito. Destes, o nó de Bachmann é especialmente útil em sistemas de recuperação, pois esbarra na polia logo acima enquanto a corda é recuperada, retesando-se imediatamente e blocando-a, quando a corda é solta. A laçada é passada pelo mosquetão, e então enrolada em espiral ao redor dos dois - corda e mosquetão - ajustando-se o número de voltas ao atrito desejado. Este nó é superior ao prusik, pois trabalha melhor em cordas molhadas, embora tenha a desvantagem de exigir o uso das duas mãos para fazê-lo.

  LAIS DE GUIA (indispensável)

Por último, mostramos um nó, o lais de guia duplo, que pode ser usado para improvisar um baudrier, usando se uma fita de três metros de comprimento, e com as pontas devidamente unidas por um nó de fita. Muito conveniente para segurança em campo-escola ou caverna, este baudrier não é contudo inteiramente indicado em escaladas verticais, ou em qualquer outro lugar em que a pessoa segurada não possa ser baixada imediatamente ao chão - a fita, muito fina, logo começa a machucar caso a pessoa esteja pendurada em vertical ou negativo.

  OUTROS NÓS:

  NÓ DIREITO

  NÓ HARNESS (nó em oito no baudrie)

 

CONCLUSÃO:
Os nós apresentados são essenciais para qualquer atividade em caverna ou montanha. Tome uma cordinha e pratique-os em casa até tornarem-se automáticos. Seu uso sem hesitações, pode significar para você ou os outros, a diferença entre segurança em suas atividades, ou um convite ao perigo, sem justificativa.

 

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